DE TUDO UM POUCO
Juracy Freitas
Preço da Liberdade II
Parece que o
termo LIBERDADE não faz parte do dicionário dos Agentes Públicos subservientes,
seja em que nível for da Administração Pública. Esse termo, que há muitos
heróis brasileiros custou a própria vida e, como exemplos, cito Tiradentes, o
Mártir da Independência; Joana D'Arc, imolada na fogueira por defender suas
convicções religiosas; Luther King. herói negro norte americano, teve a vida
ceifada por defender o direito de cidadania
do povo negro americano; Juscelino Kubtschek, perseguido pela ditadura
militar; os franceses quando da revolução na França, impunharam no seu
estandarte a tríplice expressão LIBERDADE, IGUALDADE, FRATERNIDADE, e tantos
outros, nacionais ou não, mas que não se deixaram CALAR e nem de ESCREVER, nos
anais da História, suas crenças pela LIBERDADE, em todos os sentidos.
Hoje, em pleno século XXI, com o advento
da Constituição Cidadã, de 1988, em cujo preâmbulo está transcrito o pensamento
republicano e democrático dos representantes do povo brasileiro ( portanto os
amapaenses estão ali representados ), que em seu nome " instituíram um
Estado democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e
individuais, a LIBERDADE ( destaquei ), a segurança, o bem-estar, o
desenvolvimento, a IGUALDADE e a JUSTIÇA como valores supremos de uma sociedade
fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social...., sem,
contudo deixar de citar as relevâncias Dos Princípios Fundamentais e Dos Direitos
e Garantias Fundamentais, que são os esteios do Estado Democrático de Direito
do Povo Brasileiro.
Parece-me que o Estado do Amapá não
pertence a esse Estado Democrático, pois os fatos veiculados na imprensa livre
( a que não é subserviente dos poderes públicos e nem dele dependem ) do
Estado, trazem publicadas e veiculadas matérias sobre as mais variadas mazelas
praticadas por seus representantes e áulicos de plantão palaciano. E quando
essa imprensa se manifesta é perseguida, processada, vigiada, sofre ameaças para calar ( programas de rádio e televisão )
e deixar de escrever ( compra de jornais ), teem que responder a processos
judicializados pelos " impolutos " representantes do Poder, e as
vezes, como prova de represália, seus bens são apreendidos sob a acusação de
" violação de regras de trânsito ", mesmo quando essa mesma regra não
é extensiva à outros " transgressores da mesma violação ". Como
exemplo público e notório, o automóvel do jornalista Roberto Gato, do Tribuna
Amapaense, foi rebocado da frente do prédio do TA, por encontrar-se estacionado
sobre o passeio público, impedindo o direito de passagem de pedestres. A
pergunta é : porque somente o veículo do Roberto Gato foi rebocado, quando lá
estavam outros veículos na mesma situação? A ópera foi " encomendada
" ? Quem puder e quiser, responda.
Em tempos idos e já lá se vão muitos, ao
ler uma revista cujo nome não está impresso na página que destaquei, pois que
esse ato foi despertado por uma publicação deveras impressionante e que
reflete, até hoje, o sentimento de LIBERDADE que o escritor queria trazer à
publico como mensagem angustiante de LIBERDADE. O título é AÇUM PRETO, e
traduzo na íntegra agora - Existe nos sertões nordestino, marcado pela seca e
castigado pela natureza, um pássaro que ao anoitecer, quando tudo escurece e
foge à luz, canta um canto triste que comove e emociona. O açum preto, pássaro
nordestino, transmite no canto desesperado e sofrido a tristeza e o lamento
angustiante dos que, cegos e indefesos, enfrentam a escuridão sem um raio de
luz que os guie e oriente. Então os homens, bondosos homens, insatisfeitos
com o cantar do açum preto apenas ao
anoitecer, furam-lhe os olhos para que ele cego, não vendo a luz, cante de dor.
Pela vida afora tenho encontrado açuns pretos bem longe do Nordeste, que cantam
seu lamento de uma forma diferente, mas nem por isso menos triste e menos bela.
E tenho aprendido muita coisa na grandiosidade dos que sofrem com dignidade e
fazem do seu sofrimento uma forma de manifestação que encanta e enternece.
Desses tenho aprendido uma lição que por certo há de ficar bem guardada dentro
de mim : enquanto alguns se desesperam inutilmente, outros fazem da sua
tristeza, uma forma sublime de doação, cantando cegos de dor, para alegrar
aqueles que lhes furam os olhos. E aprendi também que não existe momento melhor
para começar alguma coisa, do que quando tudo está perdido, porque não há nada
melhor para ensinar o caminho da vitória, do que uma derrota desastrosa. E
assim passei a ver olhos novos, o exemplo do açum preto : é nos momentos de crise que os espíritos
iluminados se revelam; é nas batalhas mais cruéis que surgem os heróis; é no
momento agudo da tristeza que o artista aflora sua sensibilidade; é no
desespero que o homem descobre a fé e se
liberta.Então passei a conhecer melhor o canto do açum preto, mas ainda não
aprendi nada sobre os homens que furam seus olhos para que ele cante melhor.
Nota: a assinatura deste texto é uma rubrica, de modo que por essa razão não
constará o nome do autor.
Para reflexão
semanal : O " gigante pela própria natureza " ( Hino Nacional ),
despertou e seu brado de LIBERDADE ecoou Brasil afora. Que a estrofe da canção
LIBERDADE, LIBERDADE, abre as asas sobre nós ... seja nosso estandarte neste
novo grito de LIBERDADE.
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