sexta-feira, 21 de junho de 2013



O PREÇO DA LIBERDADE - I I

Parece que o termo LIBERDADE não faz parte do dicionário dos Agentes Públicos subservientes, seja em que nível for da Administração Pública. Esse termo, que há muitos heróis brasileiros custou a própria vida e, como exemplos, cito Tiradentes, o Mártir da Independência; Joana D'Arc, imolada na fogueira por defender suas convicções religiosas; Luther King. herói negro norte americano, teve a vida ceifada por defender o direito de cidadania  do povo negro americano; Juscelino Kubtschek, perseguido pela ditadura militar; os franceses quando da revolução na França, impunharam no seu estandarte a tríplice expressão LIBERDADE, IGUALDADE, FRATERNIDADE, e tantos outros, nacionais ou não, mas que não se deixaram CALAR e nem de ESCREVER, nos anais da História, suas crenças pela LIBERDADE, em todos os sentidos.
    Hoje, em pleno século XXI, com o advento da Constituição Cidadã, de 1988, em cujo preâmbulo está transcrito o pensamento republicano e democrático dos representantes do povo brasileiro ( portanto os amapaenses estão ali representados ), que em seu nome " instituíram um Estado democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a LIBERDADE ( destaquei ), a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a IGUALDADE e a JUSTIÇA como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social...., sem, contudo deixar de citar as relevâncias Dos Princípios Fundamentais e Dos Direitos e Garantias Fundamentais, que são os esteios do Estado Democrático de Direito do Povo Brasileiro.
    Parece-me que o Estado do Amapá não pertence a esse Estado Democrático, pois os fatos veiculados na imprensa livre ( a que não é subserviente dos poderes públicos e nem dele dependem ) do Estado, trazem publicadas e veiculadas matérias sobre as mais variadas mazelas praticadas por seus representantes e áulicos de plantão palaciano. E quando essa imprensa se manifesta é perseguida, processada, vigiada, sofre ameaças  para calar ( programas de rádio e televisão ) e deixar de escrever ( compra de jornais ), teem que responder a processos judicializados pelos " impolutos " representantes do Poder, e as vezes, como prova de represália, seus bens são apreendidos sob a acusação de " violação de regras de trânsito ", mesmo quando essa mesma regra não é extensiva à outros " transgressores da mesma violação ". Como exemplo público e notório, o automóvel do jornalista Roberto Gato, do Tribuna Amapaense, foi rebocado da frente do prédio do TA, por encontrar-se estacionado sobre o passeio público, impedindo o direito de passagem de pedestres. A pergunta é : porque somente o veículo do Roberto Gato foi rebocado, quando lá estavam outros veículos na mesma situação? A ópera foi " encomendada " ? Quem puder e quiser, responda.
    Em tempos idos e já lá se vão muitos, ao ler uma revista cujo nome não está impresso na página que destaquei, pois que esse ato foi despertado por uma publicação deveras impressionante e que reflete, até hoje, o sentimento de LIBERDADE que o escritor queria trazer à publico como mensagem angustiante de LIBERDADE. O título é AÇUM PRETO, e traduzo na íntegra agora - Existe nos sertões nordestino, marcado pela seca e castigado pela natureza, um pássaro que ao anoitecer, quando tudo escurece e foge à luz, canta um canto triste que comove e emociona. O açum preto, pássaro nordestino, transmite no canto desesperado e sofrido a tristeza e o lamento angustiante dos que, cegos e indefesos, enfrentam a escuridão sem um raio de luz que os guie e oriente. Então os homens, bondosos homens, insatisfeitos com  o cantar do açum preto apenas ao anoitecer, furam-lhe os olhos para que ele cego, não vendo a luz, cante de dor. Pela vida afora tenho encontrado açuns pretos bem longe do Nordeste, que cantam seu lamento de uma forma diferente, mas nem por isso menos triste e menos bela. E tenho aprendido muita coisa na grandiosidade dos que sofrem com dignidade e fazem do seu sofrimento uma forma de manifestação que encanta e enternece. Desses tenho aprendido uma lição que por certo há de ficar bem guardada dentro de mim : enquanto alguns se desesperam inutilmente, outros fazem da sua tristeza, uma forma sublime de doação, cantando cegos de dor, para alegrar aqueles que lhes furam os olhos. E aprendi também que não existe momento melhor para começar alguma coisa, do que quando tudo está perdido, porque não há nada melhor para ensinar o caminho da vitória, do que uma derrota desastrosa. E assim passei a ver olhos novos, o exemplo do açum preto : é  nos momentos de crise que os espíritos iluminados se revelam; é nas batalhas mais cruéis que surgem os heróis; é no momento agudo da tristeza que o artista aflora sua sensibilidade; é no desespero que o homem descobre  a fé e se liberta.Então passei a conhecer melhor o canto do açum preto, mas ainda não aprendi nada sobre os homens que furam seus olhos para que ele cante melhor. Nota: a assinatura deste texto é uma rubrica, de modo que por essa razão não constará o nome do autor.
Para reflexão semanal : O " gigante pela própria natureza " ( Hino Nacional ), despertou e seu brado de LIBERDADE ecoou Brasil afora. Que a estrofe da canção LIBERDADE, LIBERDADE, abre as asas sobre nós ... seja nosso estandarte neste novo grito de LIBERDADE.

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