ENTREVISTA



" Nessa questão de partidos, eu posso garantir uma coisa, houve um problema com o PEN. O presidente nacional do PEN conversou com o doutor Moises Rivaldo e houve entendimento entre eles e nos vamos partir para outro partido e estamos conversando com outros dois partidos e iremos decidir este final de semana". Deputado Estadual Manoel Brasil (PEN).






Manoel Brasil exerce o mandato parlamentar desde a fundação da Assembléia Legislativa Amapaense, no momento da transformação do Amapá de Território Federal para o hoje Estado do Amapá. São quase duas décadas e meia de mandatos em favor do povo amapaense. Deputado constituinte é considerado membro da bancada da saúde na ALAP. Idealizador do Hospital do Câncer, hoje Metropolitano e agora tem nova bandeira a construção do Hospital da Santa Casa de Misericórdia de Macapá, na Zona Norte, acompanhe sua entrevista


Tribuna Amapaense - A grita é Grande com referencia a situação dos pacientes portadores de câncer no Estado do Amapá. É percebe-se que a Secretaria de Saúde do Estado não está preparada estruturalmente para prestar apoio e atendimento aos portadores dessa cruel doença, o senhor como vê essa situação, tanto como medico e parlamentar?
Deputado Estadual Manoel Brasil – Desde 1984, quando aqui cheguei que a medicina no Amapá teve um avanço muito grande. Na década de 80 não tinha Unidade de Terapia Intensiva (UTI), neurocirurgia, cirurgia cardíaca. Eu posso dizer eu tive oportunidade de trazer o primeiro nerocirurgão para o Amapá, o doutor Alerrando Caldeira. Montei a primeira UTI no Amapá (1985). No meu primeiro mandato como deputado estadual prometi que melhoraria a cirurgia cardíaca e de hemodinâmica. Não tínhamos tomografia, conversamos com então governador Annibal Barcellos e o convencemos a adquirir esse aparelho. Era um estado recém formado, temos vários profissionais e especialistas. Não tínhamos também Oncologia que era muito incipiente, era fraca por falta de profissionais. Porém hoje temos esses profissionais, são mais ou menos seis a sete oncologistas. Agora esse setor começa a dar uma vanguarda no tratamento dos portadores de câncer no Amapá.

TA – Qual é o caminho que o senhor vislumbra para que avance mais essa situação da Rede de Saúde do Estado?
MB – É preciso avançar muito mais, é preciso interagir com as prefeituras, disponibilizar das ações básicas, pois o que eu falei foi sobre a medicina curativa, mas temos de investir na medicina preventiva, esse que é o pilar da saúde prevenir. No tratamento moderno é a prevenção e ai que tem de ter essas parcerias com os municípios. As prefeituras têm que tomar atitude, tem que agir na suas ações básicas. É o caso do pré-natal, onde se previne as doenças que podem acometê-las. Assim evitamos a mortalidade infantil. 

TA - Uma obra que deu um ânimo aos amapaenses foi quando anunciada há 13 anos a construção de um Hospital de Câncer, que deveria se tornar referencia na Região Norte e até hoje se encontra em obras e sua destinação final ainda não foi decidida isso prejudica o atendimento medico local?
MB – Se as Unidades Básicas de Saúde (UBS), o Programa Saúde da Família (PSF) não funciona naturalmente uma drenagem muito grande para Pronto Socorro. Com referencia ao Hospital do Câncer, foi uma idéia minha e um mandato passado. Já discuti varias vezes a transformação dele em um Pronto Atendimento. Infelizmente por questões de burocracia e irregularidades está parado até hoje em quem está sofrendo é a população amapaense. Hoje, estamos consagrando mais uma idéia, de ser construído um hospital na Zona Norte e que possa ser referência e com uma arquitetura moderna. Quantas vezes foram questionadas por mim as reformas no Hospital Alberto Lima. As situações atuais do Hospital Metropolitano vêem com tristeza a situação e em 1990 ainda não tínhamos uma população tão grande quando temos agora.

TA – Como foi para o senhor e o deputado Jaci Amanajás chegarem a possibilidade da construção de uma Santa Casa de Misericórdia em Macapá?
MB -  Tudo começou com as visitas ao Hospital de Câncer de Barretos, quando visitamos o ex-deputado Gatinho e o deputado Jacy Amanajás e o Elpidio Amanajás. O Elpídio foi a ponte, pois pela amizade que ele tem com o doutor João Monteiro, esse paulista que está empenhado pela saúde no Amapá e que abriu as portas para nós. Foi quando começamos a discussão de um hospital. Fizemos uma Audiência Pública, trouxemos o Provedor da Santa Casa de Barretos e a providencias todas as documentações necessárias e hoje estamos com processo muito forte de articulação e estaremos indo a São Paulo para fazermos o Termo de Cooperação Técnica com a Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, para a construção da nossa Santa Casa. Teremos assim uma economia de recursos num montante de R$ 1, 500 milhão. Temos outras parcerias, o GEA concedeu na Rodovia Norte/Sul uma área espaçosa. Os profissionais de Oncologia amapaense que quiserem podem aderir a Santa Casa com referencia ao tratamento do Câncer. Pois queremos que ela tenha referencia em alguma especialidade, pode ser na Oncologia, Oftomologia ou Ortopedia. 
TA - Qual será o papel da Santa Casa de Barretos, em São Paulo, que  veio ao Amapá para apresentar o projeto da unidade no Amapá, ela será um apêndice da paulista ou terá autonomia?
MB – Não ela terá autonomia própria, por isso estamos correndo atrás. Tanto que estaremos visitando a Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo, por que temos a idéia a médio e alongo prazo em construir uma Faculdade que esteja associada a nossa Santa Casa. Estaremos conversando com o Padre Marcelo Rossi para realização de um Show beneficente e conseguirmos donativos para a construção dessa grande obra. A sociedade tem que participar. A banca federal estará contribuindo com Emendas Parlamentares para ajudar na obra. E o mais importante é que  trabalharemos com o SUS.

TA - Se na capital que tem a maior infraestrutura de atendimento de pequena, média e alta complexidade está ruim imagine nos municípios interioranos?
MB – A Saúde do interior do Amapá tem seus problemas e deficiências naturais. Nos diversos governos que passaram não foram realizados investimentos necessários para dar condições ao atendimento com eficiência. O que mais dificulta é a questão de logística dos profissionais, eles têm dificuldades em atuar em lugar insalubre, pois estão vindos de centros super equipados e ao chegarem ao interior amazônica se deparam com situações nunca imaginadas.

TA – Quanto ao Programa federal “Mais Médicos” vai ajudar?
MB – Foi uma idéia e temos de olhar esses médicos que estão chegando, principalmente aos Cubanos de uma maneira solidaria, pois eles estão vindos para ajudar. Não podemos deixar esse povo carente da saúde sem saída. Formar médico amapaense é um caminho, estamos trabalhando pela criação do curso na UEAP.
TA - DEPUTADO MANOEL BRASIL sua candidatura a reeleição em 2014 é certa a duvida está por qual partido, pois no PEN o senhor está pouco a vontade. É notório que o senhor vem procurando  outras legendas, mas ainda não escolheu novo endereço. Dizem que o PSB dos Capiberibe é o melhor caminho, é certo isso? 
MB -  Eu nunca pensei em ser deputado, eu sou mais médico. Em 1990 me convidaram para ser deputado estadual e eu perguntei -  Porque eu? Sai candidato para ser “bucha” e no primeiro discurso e não sabia o que dizer e então falei sobre Serra do Navio e sobre o Cateterismo, depois de umas cervejas. Então fui o quarto mais votado e nunca perdi uma eleição. Dividi meu tempo entre ser medido e ser deputado. Como político, realizei muitas coisas pelo Amapá, discuti o Linhão Tucurí, levei a ELETRONORTE para discutir sobre o linhão na ALAP, pois o que se gasta um ano em óleo diesel daria, quase R$ 100 milhões daria para trazer o linhão e não houve entendimento por parte de quem tinha a caneta. Outra foi a saída desse aeroporto do meio da nossa cidade e colocar para o KM 21, discutimos em uma Audiência Pública. Não fui ouvido. Pois muitos pensam que queremos ser governador, mais nunca pensei em ser governador do Amapá. Quero contribui com a economia amapaense, tirando o estado dessa dependência do FPE; vejo os jovens desempregados, temos faculdades mais cadê o emprego. Hoje discuto qualquer assunto.

TA – O senhor vai trocar de partido ou não?

MB – risos,  Essa questão de partidos, eu posso garantir uma coisa, houve um problema com o PEN. O presidente nacional do PEN conversou com o doutor Moises Rivaldo e houve entendimento entre eles e nos vamos partir para outro partido e estamos conversando com outros dois partidos e iremos decidir este final de semana.

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