sábado, 19 de agosto de 2017

PIONEIRISMO

Eliezer Moisés Levy




DA EDITORIA

Esta semana vamos destacar um personagem da história do Brasil e da Região Norte, principalmente do Grã Pará, com influência na história do Amapá, onde foi Intendente de Macapá.  Este personagem é Eliezer Moisés Levy, mas conhecido como Major Eliezer Levy.

Eliezer Levy, nasceu em 29 de novembro de 1877, e descendia de uma tradicional família sefaradita, que por parte da mãe incluía a dinastia rabínica dos Dabela (D'avila) entre eles o Rabi Eliezer Dabela, cognominado a Luz do Ocidente (Ner ha-Maarabí). Viveram em Casablanca e em Rabat, Marrocos, antes de emigrarem para Belém do Pará, em 1870.

Eliezer Levy fez seus primeiros estudos em Gurupá, onde seu pai Moisés Isaac Levy, atuava no comércio. Em 21 de março de 1900, casou-se em Cametá, com Esther Levy Benoliel, filha de David e Belizia Benoliel, de família ilustre do Marrocos. Ainda muito jovem, estabeleceu-se no comércio participando como titular da firma E. Levy & Cia. – Comissões e Consignações e, a partir de 1910, fez parte da diretoria da Maju Ruber Company, presidida pelo Comodoro Benedit. Gerenciou ainda a firma italiana de navegação C. B. Merlin.
 
Foto -Vista aérea da frente de Macapá-Foto Galeria

Eliezer Levy ingressou na Guarda Nacional e chegou ao posto de coronel, ainda que fosse sempre conhecido como major Levy. Advogado, foi ativo na política local, sendo prefeito três vezes: do município de Macapá, Afuá (no Pará) e novamente de Macapá.

Entre 1918 e 1926, Eliezer Levy atuou como advogado no escritório de Francisco Jucá Filho, Procurador Geral da República e Álvaro Adolfo de Silveira, deputado estadual e chefe do Partido Conservador. Ainda que ele mesmo pertencesse ao Partido Republicano Federal desde a sua fundação. Apesar das divergências políticas, sua amizade com os colegas de trabalho teria futuramente importância decisiva na posição brasileira durante a votação na ONU para a criação do Estado de Israel. Foi ainda membro da Maçonaria, onde alcançou o grau 33 e foi elevado a Grande Benemérito da sua Ordem.

Segundo a sua filha, a escritora Sultuna Levy Rosenblatt, o jornal sionista que Levy fundou em 1918, o "Kol Israel" (A Voz de Israel), assim como os serviços de dagtilografia das instituições da comunidade judaica, eram realizados sempre naquele movimentado escritório de advocacia, colocando, portanto, os problemas do nacionalismo judaico e do movimento sionista na pauta das discussões daqueles advogados.

Politico
Foi um político e ativista comunitário judeu da região amazônica. Filho de imigrantes de Casablanca, Marrocos, sua infância foi passada em Gurupá, PA, onde seu pai, Moysés Isaac Levy, atuava no comércio. O casal teve 13 filhos, dos quais a mais nova morreu ainda na infância (Falbel, N: Judeus no Brasil: estudos e notas, Editora Humanitas).
Intendente de Macapá

Politicamente, o Major Eliezer Levy tornou-se amigo e correligionário de Magalhães Barata, que por décadas dominou a política paraense. Por conta desta amizade, Eliezer Levy foi nomeado intendente de Macapá (então ainda parte do estado do Pará), onde governou até 1936, quando tomou posse o primeiro prefeito eleito da cidade, Francisco Alves Soares.
Um segundo mandato de Prefeito de Macapá ocorreu entre 1942 e 1944. Durante sua gestão foi o responsável por obras de saneamento da febre amarela, pela reforma do antigo prédio da Intendência de Macapá, pela construção do trapiche que recebeu seu nome e que foi essencial para facilitar o acesso fluvial à cidade, e da capela do cemitério central.
Também teve início, em sua administração, a construção da Rodovia BR-156 (Macapá-Clevelândia). O Major Eliezer Levy foi ainda importante membro da Grande Loja Maçônica do Pará, chegando ao grau 33 e sendo nomeado Grande Benemérito da Ordem.


Apesar de pertencer ao Partido Republicano, o Major Eliezer Levy desenvolveu grande amizade com seus colegas de trabalho, tendo instruindo-os sobre os princípios do Sionismo, causa que advogava a volta dos judeus às terras da Palestina e a fundação de um lar nacional judaico. Anos depois, Álvaro Adolfo da Silveira fez parte da delegação brasileira junto à ONU, dirigida por Oswaldo Aranha.

Conta-se que foi Álvaro Adolfo, influenciado pelo Major Eliezer Levy, quem manobrou para que a votação sobre a partilha da Palestina em 1948 fosse atrasada por uns dias, a fim de que se conseguisse um número suficiente de votos que garantisse sua aprovação. Em sua atuação comunitária judaica paraense, o Major Eliezer Levy desenvolveu grande atividade pró-sionismo. Fundou o jornal Kol Israel, em 1918, destinado a divulgar o ideal do estabelecimento do lar nacional judaico nas terras da Palestina e a divulgar informativos da comunidade judaica, como casamentos, nascimentos, aniversários, etc.

 O Kol Israel foi aparentemente editado até 1926 (Falbel, N) Em dezembro de 1918, em comemoração ao fim da Primeira Grande Guerra e à fundação da Liga das Nações, o major Eliezer Levy fez participar do desfile nas ruas de Belém um carro alegórico intitulado "Viva a Palestina Livre", em cima do qual sentava em um majestoso trono sua filha mais velha, Halia, empunhando em sua mão direita uma bandeira azul e branca com a Estrela de David e portando em seus punhos algemas rompidas, representando a libertação final do povo judeu. (Falbel, N) O Major Eliezer Levy fundou ainda o Comitê "Ahavat Sion" (Amor a Sião) coincidindo com o armistício que pôs fim à Primeira Guerra, em 11 de Novembro de 1918; o Comitê foi a primeira associação sionista no norte do Brasil.

 Fundou ainda em 1919 o Externato Misto Chaim Weitzmann e o Grêmio Literário e Recreativo Theodoro Herzl. Em 1923 fundou a biblioteca Max Nordau, "lugar onde a mocidade poderá obter conhecimentos sobre sua origem e orgulhar-se de pertencer a uma raça altiva e tenaz, que tem dado ao mundo uma prova de civismo e que, com seu profundo conhecimento nas ciências, artes e letras, tem concorrido para o progresso da civilização", segundo seu discurso de inauguração.


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