DA EDITORIA
Esta semana vamos destacar um
personagem da história do Brasil e da Região Norte, principalmente do Grã Pará,
com influência na história do Amapá, onde foi Intendente de Macapá. Este personagem é Eliezer Moisés Levy, mas
conhecido como Major Eliezer Levy.
Eliezer Levy, nasceu em 29 de
novembro de 1877, e descendia de uma tradicional família sefaradita, que por
parte da mãe incluía a dinastia rabínica dos Dabela (D'avila) entre eles o Rabi
Eliezer Dabela, cognominado a Luz do Ocidente (Ner ha-Maarabí). Viveram em
Casablanca e em Rabat, Marrocos, antes de emigrarem para Belém do Pará, em
1870.
Eliezer Levy fez seus primeiros
estudos em Gurupá, onde seu pai Moisés Isaac Levy, atuava no comércio. Em 21 de
março de 1900, casou-se em Cametá, com Esther Levy Benoliel, filha de David e
Belizia Benoliel, de família ilustre do Marrocos. Ainda muito jovem,
estabeleceu-se no comércio participando como titular da firma E. Levy &
Cia. – Comissões e Consignações e, a partir de 1910, fez parte da diretoria da
Maju Ruber Company, presidida pelo Comodoro Benedit. Gerenciou ainda a firma
italiana de navegação C. B. Merlin.
Eliezer Levy ingressou na Guarda
Nacional e chegou ao posto de coronel, ainda que fosse sempre conhecido como
major Levy. Advogado, foi ativo na política local, sendo prefeito três vezes:
do município de Macapá, Afuá (no Pará) e novamente de Macapá.
Entre 1918 e 1926, Eliezer Levy atuou
como advogado no escritório de Francisco Jucá Filho, Procurador Geral da República
e Álvaro Adolfo de Silveira, deputado estadual e chefe do Partido Conservador.
Ainda que ele mesmo pertencesse ao Partido Republicano Federal desde a sua
fundação. Apesar das divergências políticas, sua amizade com os colegas de
trabalho teria futuramente importância decisiva na posição brasileira durante a
votação na ONU para a criação do Estado de Israel. Foi ainda membro da
Maçonaria, onde alcançou o grau 33 e foi elevado a Grande Benemérito da sua
Ordem.
Segundo a sua filha, a escritora
Sultuna Levy Rosenblatt, o jornal sionista que Levy fundou em 1918, o "Kol
Israel" (A Voz de Israel), assim como os serviços de dagtilografia das
instituições da comunidade judaica, eram realizados sempre naquele movimentado
escritório de advocacia, colocando, portanto, os problemas do nacionalismo
judaico e do movimento sionista na pauta das discussões daqueles advogados.
Politico
Foi um político e ativista
comunitário judeu da região amazônica. Filho de imigrantes de Casablanca,
Marrocos, sua infância foi passada em Gurupá, PA, onde seu pai, Moysés Isaac
Levy, atuava no comércio. O casal teve 13 filhos, dos quais a mais nova morreu
ainda na infância (Falbel, N: Judeus no Brasil: estudos e notas, Editora
Humanitas).
Intendente de Macapá
Politicamente, o Major Eliezer Levy
tornou-se amigo e correligionário de Magalhães Barata, que por décadas dominou
a política paraense. Por conta desta amizade, Eliezer Levy foi nomeado
intendente de Macapá (então ainda parte do estado do Pará), onde governou até
1936, quando tomou posse o primeiro prefeito eleito da cidade, Francisco Alves
Soares.
Um segundo mandato de Prefeito de
Macapá ocorreu entre 1942 e 1944. Durante sua gestão foi o responsável por
obras de saneamento da febre amarela, pela reforma do antigo prédio da Intendência
de Macapá, pela construção do trapiche que recebeu seu nome e que foi essencial
para facilitar o acesso fluvial à cidade, e da capela do cemitério central.
Também teve início, em sua
administração, a construção da Rodovia BR-156 (Macapá-Clevelândia). O Major
Eliezer Levy foi ainda importante membro da Grande Loja Maçônica do Pará,
chegando ao grau 33 e sendo nomeado Grande Benemérito da Ordem.
Apesar de pertencer ao Partido
Republicano, o Major Eliezer Levy desenvolveu grande amizade com seus colegas
de trabalho, tendo instruindo-os sobre os princípios do Sionismo, causa que
advogava a volta dos judeus às terras da Palestina e a fundação de um lar
nacional judaico. Anos depois, Álvaro Adolfo da Silveira fez parte da delegação
brasileira junto à ONU, dirigida por Oswaldo Aranha.
Conta-se que foi Álvaro Adolfo,
influenciado pelo Major Eliezer Levy, quem manobrou para que a votação sobre a
partilha da Palestina em 1948 fosse atrasada por uns dias, a fim de que se
conseguisse um número suficiente de votos que garantisse sua aprovação. Em sua
atuação comunitária judaica paraense, o Major Eliezer Levy desenvolveu grande
atividade pró-sionismo. Fundou o jornal Kol Israel, em 1918, destinado a
divulgar o ideal do estabelecimento do lar nacional judaico nas terras da
Palestina e a divulgar informativos da comunidade judaica, como casamentos,
nascimentos, aniversários, etc.
O Kol Israel foi aparentemente editado até
1926 (Falbel, N) Em dezembro de 1918, em comemoração ao fim da Primeira Grande
Guerra e à fundação da Liga das Nações, o major Eliezer Levy fez participar do
desfile nas ruas de Belém um carro alegórico intitulado "Viva a Palestina
Livre", em cima do qual sentava em um majestoso trono sua filha mais
velha, Halia, empunhando em sua mão direita uma bandeira azul e branca com a
Estrela de David e portando em seus punhos algemas rompidas, representando a
libertação final do povo judeu. (Falbel, N) O Major Eliezer Levy fundou ainda o
Comitê "Ahavat Sion" (Amor a Sião) coincidindo com o armistício que
pôs fim à Primeira Guerra, em 11 de Novembro de 1918; o Comitê foi a primeira
associação sionista no norte do Brasil.
Fundou ainda em 1919 o Externato Misto Chaim
Weitzmann e o Grêmio Literário e Recreativo Theodoro Herzl. Em 1923 fundou a
biblioteca Max Nordau, "lugar onde a mocidade poderá obter conhecimentos
sobre sua origem e orgulhar-se de pertencer a uma raça altiva e tenaz, que tem
dado ao mundo uma prova de civismo e que, com seu profundo conhecimento nas
ciências, artes e letras, tem concorrido para o progresso da civilização",
segundo seu discurso de inauguração.




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