sexta-feira, 24 de junho de 2011

Editorial da Edição 260 - 25 de junho a 1º de julho de 2011

Moto-táxi: um dilema

O transporte alternativo de motocicleta se tornou um dilema para os amapaenses. Se de um lado, resolve de forma paliativa o problema de locomoção, de outro, é responsável pelo excessivo número de acidentes de trânsito na capital.
Um transporte veloz e barato. Esses são os argumentos favoráveis para os que vendem motos. Para quem atua no setor saúde, os contra argumentos são: velozes e perigosos. Não há como negar: algo precisa ser feito para amenizar os transtornos causados pelos motoqueiros. Eles trafegam nas vias públicas como se tudo pudessem. Para eles, a sinalização parece mera decoração das ruas e avenidas.
A irresponsabilidade na condução desses verdadeiros “cavalos de aço”, está refletida na estatística dos acidentes de trânsito e nos prontuários do Hospital de Emergência. E também nos registros do Centro de Reabilitação do Amapá, onde, de cada dez pacientes em tratamento de traumas na Fisioterapia, pelo menos oito, são vítimas de motocicletas.
Além dos danos físicos, permanentes ou não, o erário se vê obrigado a empregar uma grande soma de recursos da saúde para atender vitimas de acidentes de motocicletas. É necessário que a Prefeitura de Macapá, via Empresa Municipal de Transportes Urbanos (EMTU), pense numa solução para esse problema que afeta toda à cidade.
Outro aspecto preocupante é a saúde dos passageiros que utilizam o serviço de moto-táxi. Por não possuírem automóveis, e sem dinheiro suficiente para circular de táxi, esses cidadãos são expostos ao contágio de doenças parasitárias, transmitidas por capacetes não higienizados de forma adequada. Trocando em miúdos: ao descerem da garupa, carregam em suas cabeças piolhos, lêndeas, caspas e micoses.
Por fim, é importante considerar o uso cada vez mais crescente da motocicleta por meliantes, que assaltam e roubam em Macapá. O capacete já é um capuz para o bandido, e a facilidade proporcionada durante a fuga, simplesmente transformaram a motocicleta no veículo preferido da bandidagem.
Não fazemos apologia para que o comércio de motocicletas em Macapá acabe. Seria essa intenção ridícula e absurda. Mas que deve haver algo a ser feito no trânsito da capital, para disciplinar a utilização das motos, isso é fato. Do contrário, vamos continuar à assistir, de forma natural, um carro sobre uma motocicleta em qualquer esquina da capital, como  tem sido ultimamente.

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