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sábado, 16 de março de 2013

Atleta do Passado – Joaquim da Silva Pereira, o Juca

"Perdemos a partida para o azulino, porém ganhei uma vaga no clube"

Por Reinaldo Coelho
  
Morador do Bairro do Pacoval batia "pelada" no campo do Kurru, juntos com amigos do bairro desde os 10 anos e sempre me destacava entre eles" é assim que começou a carreira no futebol amapaense de Joaquim da Silva Pereira, o Juca. O nosso atleta do passado desta semana  tem 37 anos de futebol no costado.

Sua carreira começou em uma partida amistosa na localidade de Ambé, sua cidade natal, contra a equipe do Esporte Macapá, e na ocasião o saudoso mestre Sacaca, massagista da equipe do Leão da Avenida FAB, que já tinha assistidos suas jogadas no Pacoval, gostou do que viu e o convidou para participar da equipe do Juvenil do clube, na época tinha 16 anos. "Perdemos a partida para o azulino, porém ganhei uma vaga no Clube", narra orgulhoso o nosso atleta.
 
O Juca destaca que começou como centro avante, nesse inicio vertiginoso de sua carreira, pois não demorou muito na equipe juvenil do azulino, que fazia um campeonato paralelo ao adulto. "O campeonato estadual já tinha começado e pelo o que realizei nos primeiros jogos na equipe juvenil fui alçado para a equipe adulta e disputei meu primeiro estadual e fui campeão".

Ele cita que os jogadores que compõem a equipe azulina naquela época e com que ele teve a honrar de dividir os gramados eram seus ídolos. "Tive a honra de começar minha carreira no futebol jogando com o Leo, Ademir França, João de Deus, Bandeirantes entre outros. E os admirava e escutava seus jogos pelo radio e de repente estava ali, lado a lado com esses craques do futebol amapaense. Destaco que tive como técnico o grande Roque Torres e Aluízio Augusto", emociona-se Juca.

Juca conta que em todos os clubes que passou em sua carreira futebolística conquistou títulos. "Após o Macapá cerrei fileiras no Independente, onde tive a honra de conquistar dois títulos de campeão, o do Estadual amapaense de 1982 e a Copa Norte (antigo Copão da Amazônia), dentro de Roraima contra o Ferroviário",

Retornando a capital amapaense, passou a vestir a camisa do tradicional Amapá Clube, onde foi campeão.  "Em 1985 defende o Amapá Clube, porém tenho tristes recordações dessa época, pois numa partida contra o Oratório, no começo estadual, tive uma fratura que me deixou de molho por três meses, foi um dos piores momentos da minha carreira. Só retornei nos últimos jogos. Nessa época eu estava fazendo gols de olhos fechados e a pressão foi grande para eu retornar aos gramados. Não joguei, porém o Amapá foi campeão ".

O centro-avante Juca iniciou
sua carreira no Esporte Clube Macapá
Após esse período no Zebra macapaense  Juca voltou para o Leão da Avenida FAB, clube do início da sua carreira passando ali mais cinco temporadas. "Neste retorno ao Macapá, tive como dirigente, uma pessoa que marcou muito na vida pessoal e profissional, Benedito Bittencourt e o Orlando Santana, pessoas que cumpriam a palavra dada. A minha maior felicidade como jogador foi à conquista do titulo do primeiro Campeonato de Futebol Profissional Amapaense".

Juca teve uma passagem pelo Clube da Torre, onde foi campeão, ele ressalta que o único clube que não conquistou um titulo foi no Atlético Cristal, "No Cristal eu fui contratado pelo Vovó Figueira, só  para disputar a Copa Norte, que infelizmente não trouxemos o titulo", destaca.

Em 1997 Juca encerrou a sua carreira nos gramados amapaenses, pelo motivo de qualquer craque: a idade. Estava com 37 anos. Hoje Joaquim da Silva Pereira atua como motorista de uma empresa privada é casado e tem filhos. "Chega um momento que temos de decidir e tomarmos um novo ruma na vida. Infelizmente o futebol não estava me dando condições financeiras de manter uma família e de estabilização".

Voltando o olhar para o atual futebol amapaense, o craque Juca diz que não está se repetindo a época de ouro dos grandes craques, tais como: Bira, Marco Antônio, Jason, Roberto Gato, entre outros. "Eu vejo com muita tristeza o futebol amapaense, não esta sendo investindo em equipe de base. Eu quando fui revelado as equipes tinha Juvenil e Juniores e foi ali que nasci e cresci como jogador. Se fosse hoje eu não seria o considerado craque do futebol, pois não temos as categorias de base. Os clubes trazem jogadores de fora que aqui chegam, e não mostram nada nas jogadas que se dizem bons", relata.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Atleta do Passado - Antuzio


 "Eu me orgulho do futebol que fiz, me sinto muito feliz"

por Fabiana Figueiredo

O Atleta do Passado dessa semana foi do futebol amapaense, se orgulha de ter participado, do sucesso que fez, mas muito além do que isso, da companhia e instruções que teve do pai quando era jogador. Antonio Carlos Lopes Pinheiro, 43 anos, que ficou conhecido com o codinome Antuzio é o protagonista da editoria essa semana.

Quando era menor, já conquistava os campos de futebol da capital amapaense, e o sonho de se tornar jogador profissional nascia. Aos 16 anos, Antuzio e o irmão José Charles foram tentar jogar futebol em clubes melhores no Pará; nosso atleta jogou no Tuna Luso Brasileira e no Clube do Remo, mas por seu pai ter sofrido um derrame, largou tudo e voltou à cidade natal. Logo conseguiu um emprego e, ao mesmo tempo, jogava peladas com os amigos. 

Antuzio conta que na Copa do Mundo Marcílio Dias e nas peladas, os futuros amigos Maranhão e Nena, olheiros do Ypiranga Clube, fizeram o convite para que ele jogasse no time do bairro do Trem, em 1989. "O Amapá Clube queria me contratar na época, chegou a me oferecer uma fortuna. E o Ypiranga me ofereceu um trabalho, era pouco o salário. Aceitei a proposta do Amapá Clube. Meu pai, hoje falecido, me disse que 'o salário é pouco, mas se você pensar direito, o dinheiro vai e vem; você não fica com essas coisas'. Pensei bem, e fiquei com a proposta do Ypiranga", explica o ex-atleta.

Como Antuzio era atacante, se machucava bastante, e a figura do pai, Clizório Vilhena Pinheiro, inspiração do jogador, estava sempre presente. "Quando eu chegava machucado em casa, ele saia correndo com gelo, preocupado. Ele foi um herói pra mim". As contusões que mais marcaram foram a do ano de 1990, onde parou por sete meses; e a que encerrou sua carreira no fim da década de 90, com 26 anos de idade.

Apesar de machucados, na época em que jogou no Ypiranga, Antuzio relata que foi onde se destacou, considerado o melhor jogador da época, e, claro, o melhor momento de sua carreira. "Acho que fazia 20 anos que o Ypiranga não havia sido campeão; fomos campeões em 1992", cujo título foi o segundo disputado pela categoria profissional.

Apesar de várias propostas de jogar em outros Estados e Países, Antuzio fora contratado para jogar no time do Cristal. "Tive várias propostas para sair daqui, mas pesava muito o lado familiar, sempre pesou isso, eu tinha um vínculo muito grande com ele [o pai]".

Cerca de 3 anos jogando no time do Santa Rita, Antuzio sofreu sua segunda contusão séria no tornozelo, o que fez terminar a profissão bem cedo.

Antúzio no amistoso do Clube do
Remo em Ypiranga, em festa realizada pelo
Amapá Clube, déc. 90
Ele agradece tudo o que o futebol lhe proporcionou: "O futebol me deu tudo. O que eu sou hoje, eu digo que devo ao futebol. Meu pai também foi muito importante nisso; eu me dedicava ao máximo no futebol [...] Eu me orgulho do futebol que fiz, me sinto muito feliz. O Ypiranga foi praticamente uma família pra mim".
Assim como muitos ex-jogadores, Antuzio lamenta-se de ver a atual situação do futebol amapaense, muito diferente do futebol de suas respectivas épocas: "Hoje a gente vê o futebol triste em Macapá. Antigamente, o futebol era uma inspiração pra cada jogador, era um esporte que dava gosto de jogar". E quando se tinha ídolos: "O Miranda foi um grande atacante pra mim".

Para Antuzio, as derrotas fazem parte da vida de cada um: "Você não vive sem derrota, porque é nela que você se enaltece"; e conclui: "Todo esporte deve ter uma dedicação. Se você realmente quer aquilo, você vai conseguir desde que você tenha pessoas no lado pra te ajudar. O futebol, ao mesmo tempo, é uma faca de dois gumes. Porque quando você cresce, a queda pode ser grande. Aconselho que os jovens se dediquem ao estudo e aos esportes".

segunda-feira, 4 de março de 2013

Atleta do Passado - Ramabi


"Por causa do futebol eu não seria o homem que sou hoje"

por Fabiana Figueiredo

Nossos atletas amapaenses que jogaram nos campos de futebol de seus bairros antigos, numa época em que jogar futebol não era considerado profissão e se esforçavam para fazer um belo espetáculo dentro de campo, hoje se orgulham de terem participado da considerada melhor fase do futebol amapaense. O atleta do passado desta semana comprova que é verdade e conta um pouco de sua história de sucesso com a bola nos pés.

Paulo Ramabi Ataíde, 56 anos, conhecido pela alcunha de Ramabi, é apaixonado pelo futebol desde criança: "desde criança eu jogava futebol. Com 12 anos, minha mãe brigava comigo porque eu não ficava no colégio, porque eu saia para o recreio, ia direto para o futebol de campo e não voltava para a escola, tanto que eu chegava com a camisa suada em casa", conta o ex-atleta.

Seu primeiro clube era, da segunda divisão do futebol amador, o Clube Atlético Cristal, quando começou aos 17 anos de idade. Ramabi atuou na posição lateral esquerda, e logo foi descoberto por Nanô, do bairro do trem. "Ele me viu jogando e veio me fazer um convite para ir jogar no Ypiranga Clube, em 1976". Ele foi contratado como reserva, e foi no mesmo ano que o time disputou o Torneio de Integração da Amazônia, mais conhecido como Copão da Amazônia. Jogou de 1977 até 1980 como titular, e declara: "Meu clube de coração é o Ypiranga".

Ramabi seguiu para o Trem Desportivo Clube, onde jogou por um ano; para o Amapá Clube, por seis meses; para o Esporte Clube Macapá, por dois anos; para o Independente Esporte Clube, por dois anos - onde viajou para Roraima e jogou no Copão da Amazônia; disputou e foi campeão do Campeonato Amapaense de 1983 -; e mais dois anos no Oratório Recreativo Clube, encerrando sua carreira de jogador, "porque eu sentia o corpo cansado já".

Quando ele estava jogando no Oratório, ele se relembra que ganhou responsabilidade e disciplina: "para participar dos jogos do time, tinha que ir à missa, era exigência do padre para participar das atividades desportivas. Me lembro que a primeira missa começava cinco e meia da manhã, era o Padre Raimundo. Isso tudo era uma cobrança e uma motivação, que contribuiu na minha vida não só na religião, mas eu como pessoa".

Nosso atleta do passado ressalta que as dificuldades não atrapalhavam o sonho de ser do mundo futebolístico. "Apesar de todas as dificuldades que tinha, mesmo assim a gente se dedicava. Nessa época, o futebol amador realmente dava prazer de jogar, porque havia uma dedicação maior, tanto por parte dos dirigentes quanto dos atletas". E o futebol pode lhe proporcionar grandes benefícios: "Eu tinha o prazer de jogar, isso aí eu trago desde criança; e tive a oportunidade do meu primeiro emprego, graças ao futebol. Quando fui contratado para jogar no Ypiranga, a única exigência que fiz foi um emprego, hoje sou aposentado da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros".

Um jogo marcante? Ele cita o que aconteceu com o Clube do Remo, quando ainda jogava no Independente: "Foi no Glicério [Marques]. Nessa época, eu joguei de quarto zagueiro, marquei o Mesquita, centro avante do Remo. Fiz uma belíssima apresentação, e até me convidaram para fazer um teste no Paysandu, foi por isso que me marcou. Mas, para minha sorte, eu optei em ficar por aqui".

Ramabi fala da juventude de hoje: "É lamentável ver jovens perdidos através das drogas, bebidas, prostituição, de inúmeras coisas que não valem a pena; se puderem que procurem estudar, e procurar um meio de valorizar a vida. Praticando o esporte, não deixando o estudo de lado, com certeza, o esporte vai ajudar e muito, não só na saúde mas como pessoa".

Para Ramabi, o futebol do Amapá é parte de sua vida, e ele não se arrepende de ter feito nada, e faria de novo. "Por causa do futebol eu não seria o homem que sou hoje, realizado profissionalmente, tenho uma família maravilhosa, formada através do futebol", finaliza. 

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Atleta do Passado - Feliphe Lacerda

"Minha paixão é o basquete, não tem jeito"

por Fabiana Figueiredo

O atleta do passado desta edição possui uma bela e intensa história dentro do basquetebol amapaense e brasileiro, é um dos nomes de destaque em nosso Estado e é um exemplo de jogador para os que estão surgindo nas quadras de basquete. Feliphe José Serra Penafort Lacerda, 30 anos, mais conhecido Feliphe Lacerda, atua na posição de armador, sempre ganhando destaque nos jogos que participa, ele é o atleta do passado desta semana.

Feliphe conheceu o esporte dentro da própria família: "Foi através do meu pai e do meu padrinho, que trabalhavam no meio do basquete, um como jogador e outro como árbitro. Meu pai chegou a jogar todas as modalidades e eu aderi só ao basquetebol", conta o desportista. Seu pai, Guara Lacerda, também uma boa história para contar sobre sua vida dentro do esporte amapaense; e seu padrinho, Agostinho Lopes, hoje presidente da Federação Amapaense de Basquetebol, foi um dos incentivadores do pequeno aspirante. Aos 10 anos, Feliphe entrava para o Amapá Clube, e praticava no Ginásio Avertino Ramos, tendo como treinador seu padrinho. "Foi através deles que eu comecei a prática do basquete". Nosso atleta chegou a jogar, também, pelo rival da estrela solitária, o Esporte Clube Macapá.

Ascensão
Em 1997, aos 15 anos, Feliphe fazia parte da Seleção Amapaense e foi representar o Estado no Campeonato Brasileiro naquele ano: "fui o vice-cestinha do campeonato, e então, houve convites de algumas equipes para que eu pudesse jogar em São Paulo. No ano seguinte, fui jogar no São José do Rio Preto", lembra. Lacerda jogou durante 9 anos em SP, passando em mais quatro times: Club Athletico Paulistano, Bauru Basketball Team, Sociedade Esportiva Palmeiras [2 anos] e Sport Club Corinthians Paulista [3 anos]. Depois de São Paulo, Feliphe chegou a jogar no time do Paysandu Sport Club, no Pará, e uma rápida temporada pelo time da AABB. Aos 25 anos, Lacerda voltou à Macapá, para fazer o curso superior de Educação Física; ele também acabou entrando para a Sociedade Esportiva e Recreativa São José onde está há 5 anos como jogador e treinador.

Coletânea
O atleta é campeão de quatro Campeonatos Brasileiros; um Campeonato Paulista pelo time do Paulistano; um Campeonato Brasileiro pela Seleção Paulistana; é Vice-campeão Paulista pelo Corinthians; foi convocado duas vezes para a Seleção Brasileira, entretanto, não pôde ficar no time devido uma lesão. Feliphe acredita que ganhou sete vezes o Campeonato Amapaense: "três pelo São José, três pelo Macapá e um pelo Amapá Clube, se eu não me engano", diz.

Ultimamente, Feliphe trabalha na Secretaria de Estado de Desporto e Lazer, no Clube do São José, como professor de basquete voltado para o esporte de rendimento e competições mais fortes, e também como atleta, vai jogar na Copa Norte e Nordeste, "por gostar" como ele mesmo afirma, e não mais profissionalmente.

Empolgado, Feliphe fala sobre seu amor pelo basquete: "Eu adoro competir, isso está em mim. Eu gosto desse clima de competição. Sou muito perfeccionista, estou há 3 anos como técnico e está sendo maravilhoso, ver a evolução da crianças, e fazendo amizades com eles, não só como professor-aluno, mas fora das quadras. [...] Eu acho que gostar do esporte nasce com a pessoa. Minha paixão é o basquete, não tem jeito".

O desportista comenta que o basquete lhe fez uma referência no Estado: "Eu não consigo imaginar minha vida sem o esporte. Minha vida mudou em todos os aspectos. Sou referência como jogador de basquete, me ajudou no colégio e na faculdade com bolsa de estudos. Só na educação já é um benefício maravilhoso. Como eu tive a oportunidade de ser um jogador profissional, eu aprendi a ter regras no esporte que acabei levando para meu dia a dia".

A família também ajudou bastante na carreira: "Minha mãe nunca praticou esporte, mas sempre me deu apoio. [...] É fundamental ter o apoio da família no esporte, se não até você desanima". 

Finalizando, Feliphe Lacerda incentiva os atletas que estão ascendendo seja em qualquer esporte: "tem pessoas que se acham incapazes de conseguir um objetivo que, às vezes, está muito próximo. Que elas não deixem de tentar por omissão. Eu tive a honra de jogar em São Paulo, ter disputado o Campeonato Brasileiro pela seleção amapaense - que é muito mais fraca -, e tive a sorte de ser convidado entre tantos atletas. Que você tenha persistência e não omita seus objetivos".

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Atleta do Passado - Baraquinha



"O futebol significa tudo na minha vida"


por Fabiana Figueiredo

O passado do futebol amapaense guarda recordações de bons momentos e ótimos jogadores que, em sua época, mostraram as melhores técnicas com a bola, fizeram sucesso com a torcida de seus times e com os amigos de campo. A editoria Atletas do Passado desta semana contará a história de Adervani Costa de Oliveira, 53 anos, mais conhecido pelo codinome "Baraquinha", que marcou sua era, é memória viva, e contribui com o futebol do Amapá até hoje.

Baraquinha nasceu em 1959, e desde os primeiros dias de vida o futebol já fazia parte do seu cotidiano: "O meu futebol já vem de berço. Meu pai - o Setenta - quando chegou em Macapá, na criação da Vila, veio para trabalhar e jogar; ele jogou no Trem Desportivo Clube. Ele teve dois filhos que jogaram futebol: o Baraca e o Baraquinha. Era meu sonho de criança; já nasci com o dom e com vontade de jogar futebol", conta.

Aos 8 anos, Baraquinha começou a jogar no time do Guarany ..., na categoria dente de leite [primeira categoria, antes do infanto-juvenil], no ano de 1974. No ano seguinte, nosso atleta do passado foi para o Amapá Clube, time do coração e onde ganhou seu primeiro campeonato amapaense, aos 15 anos, no adulto. Na estrela solitária, Baraquinha mudou de categoria como se trocava roupa: foi para o time Infanto-Juvenil, Juvenil, Juniors e depois até jogou pelo time principal.

O jogador se recorda que chegou a jogar na Seleção Amapaense, categoria Juniors; e de um jogo em Roraima, no Campeonato Brasileiro da Região Norte, em 1979. "Foi à única seleção que representou bem o Amapá; tínhamos vários craques como Camecran, Paulinho, Birungueta, Walter Vieira, Bilico, Roberto Foguetinho, Taurys, Marcelino, Jason e o Eldo; Roberto Gato, Mário Sérgio, Palitinho, Jordan e Itamar", conta.

As lembranças são as melhores desta época: "Desse campeonato, seis jogadores receberam convite pra jogar no Remo: eu, Gato, Taurys, Marcelino, Itamar e Jason"; e eles foram. Baraquinha ficou dois anos no time paraense; e em 1981, foi jogar, junto com Zezinho Macapá, nos times Deportivo Quito e Independiente Del Valle, no Equador. Jogou também em Rondônia, durante quatro anos, nos times São Domingos Esporte Clube e Ferroviário.

Em 1986, jogou pelo Esporte Clube Macapá, e no ano seguinte, pelo Ypiranga Esporte Clube, onde encerrou a carreira naquele mesmo ano, aos 25 anos: "Eu encerrei minha carreira cedo, porque consegui um emprego na Prefeitura [de Macapá]; fiquei trabalhando e ajudando as categorias de base", conta o atleta do passado, que depois continuou a carreira de treinador, e assumiu a diretoria do Estádio Municipal Glicério de Souza Marques, o Glicerão; foi, também, membro da diretoria do Ypiranga, e hoje é da diretoria do Amapá Clube.

"Eu só tenho felicidades de ter participado de uma época áurea do futebol, e eu sempre converso com as pessoas da época. Sempre fui humilde, simples, sincero e honesto, e tenho certeza que contribuí muito para o desenvolvimento do esporte no Amapá, pela minha trajetória. Peguei muitos treinadores que me ensinaram um caminho de vida, como Chefe Humberto, Manga, João Oliveira e o Maranhão", afirma Baraquinha.

Nosso atleta do passado se orgulha muito em falar do futebol em sua vida, pois desde criança o acompanha e lhe proporcionou diversas oportunidades: "Hoje sou o que sou graças ao futebol, eu amo o futebol. [...] Ganhei muito no futebol amador, mas como profissional, não. Quem jogava no amador tinha emprego garantido, um carro, uma casa, uma bicicleta... Foi uma época de felicidade" - Baraquinha acrescentou que no futebol amador se pagava com benefícios, e quando ele jogou em time profissional, o salário não era tão bom como é hoje.

Além de benfeitorias materiais, exemplos de vida foram o que não faltou à Baraquinha: "O futebol significa tudo na minha vida, é o esporte que eu construí amizades, fiquei conhecido, foi através dele que eu amei mais a minha vida, aprendendo a conviver com as mais diferentes pessoas; aprendi um pouco de cada coisa".

Baraquinha quer que o futebol seja tratado com seriedade, e ainda crê que o futebol amapaense voltará a ser de ouro, como um dia foi em sua época. "O futebol tem que ser levado a sério, cumprir com seus direitos e obrigações ao contratar alguém, ao fazer uma tabela, ao fazer um campeonato. Aos jovens que estão iniciando no futebol, que trabalhem com dedicação, que tenham amor pelo que fazem; porque através do esporte você pode dar o primeiro passo para poder obter algo na vida, seja em qualquer modalidade. [...] Quero ver, um dia, o esporte amapaense galgando o lugar que ele já teve lá em cima do pódio", finaliza.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Atleta do Passado - Daniel Davis


"Me sinto realizado por ter chegado tão longe"

por Fabiana Figueiredo

O Atleta do Passado desta semana é um grandão de 2,07m do Basquetebol brasileiro: o Pivô Daniel Rachel Davis, com 38 anos de idade, hoje se orgulha da bela carreira que tem como jogador de basquete.

"Nasci na Guiana Francesa, mas sou filho de Macapá". Assim se define Daniel Davis, que veio morar na capital amapaense aos 2 anos, e aqui cresceu na pacata cidade pérola da Amazônia. Filho de Josefina Laplitior Davis, brasileira, e de Raphael Maurício Defrel, martinicano, de família tradicional em Macapá, Davis teve seu primeiro contato com os esportes aos 8 anos, quando jogava vôlei com o professor Alaor.

Quando tinha 11 anos, Davis conheceu o basquetebol e o handebol na antiga Escola GM onde estudava. Este foi seu passo inicial para, então, jogar em vários times: no Amapá Clube, com o prof. Ernesto; Esporte Clube Macapá; Guarany Esporte Clube; e São José.

Ao completar 15 anos, Davis foi disputar o Campeonato Brasileiro Juvenil de Basquete, no Estado do Espírito Santo; uma viagem inesquecível. "Eu estava participando do Campeonato. Lá, a Confederação constatou que eu tinha dupla nacionalidade, eles acharam que a minha documentação era falsa e eu tive que comprovar. Acabei não participando dos jogos, fiz apenas o aquecimento, e na raiva, eu comecei a cravar de todo jeito nos treinos, pulava de vários jeitos. Foi, então, que o técnico da Seleção Paulista acabou vendo e gostando do meu jeito, e me chamou para ir jogar em São Paulo; falamos com a minha mãe e fui", conta.

Foi em São Paulo que Davis começou a destacar-se entre os meninos de sua idade, e de onde tem orgulho de ter jogado. Pelas categorias juvenil e adulto, Daniel Davis pode jogar durante um ano pelo Ravelli Franca Basquetebol; depois, mais um ano pelo Banespa/Jales; mais dois anos pelo time de Guarulhos, com o técnico Marcel, da Seleção Brasileira; e atuou também no Esporte Clube Pinheiros.

Surgiu, então, o convite para jogar na Europa, através de um Agente, espécie de "olheiro". Davis foi contratado por dois anos no time Fuenlabrada, na Espanha.

Depois retornou ao Brasil, e jogou durante um ano em Bauru-SP. Foi parar também na França, jogar meia temporada (seis meses). De volta ao Brasil, Davis jogou em Angra dos Reis-RJ, "foi meu último clube profissional, encerrei a carreira com 28 anos", ressaltou.

"Eu digo que não vou mais jogar, mas acabo contribuindo um pouco com o basquetebol. Até porque é bom passar um pouco dessa experiência que eu tive", comentou Davis. Realmente, ele não parou aos 28 anos. Jogou no time do São José durante vários anos, e depois atuou pelo time do CNPJ, E. C. Macapá, Santana Esporte Clube, e está há dois anos no Meta.

Conquistas
Davis foi Pentacampeão do Campeonato Paulista por diferentes times, nas categorias de base. Pela categoria adulta, foi Campeão Paulista por Franca; Campeão de Clubes e Vice-campeão paulista por Jales; Campeão do Campeonato Aberto e 3º lugar no Campeonato Paulista pelo time de Guarulhos. Jogou também nos Jogos Estudantis Brasileiros (JEB's) pela Seleção Paulista, campeões e vice-campeões em dois anos. Pela seleção Brasileira, ele se lembra de um título importante conquistado no Campeonato Sul-americano Juvenil, na Argentina. A Copa Norte também tem participação do nosso atleta: três títulos pelo São José; um pelo Santana, outro pelo CNPJ, um pelo Macapá, e segundo lugar pelo Meta - segundo o próprio jogador, este último campeonato é o que ele mais participa, até hoje.

O Basquetebol, "por ser um jogo de contato e de raciocínio rápido", acabou destacando Davis porque sempre foi um jogador de perfil desse tipo de esporte. "É um esporte que não transforma só um craque, ele também ajuda o homem e a mulher a se tornarem uma pessoa melhor, e percebi isso tanto no cenário nacional quanto no exterior".

Além do reconhecimento, o jogador pode ter também uma boa educação ao jogar em São Paulo. Não se esquecendo das raízes amapaenses, que sempre lhe ajudaram em sua carreira.

"Para o basquetebol não tem idade, tem em todas as categorias, desde o mirim até o máster. Se a pessoa tiver disposição, joga até 70 ou 80 anos. Quero dizer, que a nossa cultura converge para o futebol, mas peço que os jovens procurem os clubes e as escolinhas, jogar basquetebol para que a gente possa entrar no circuito nacional. E só entraremos se os jovens começarem a se interessar. Porque é da juventude que vamos colher bons frutos". 

"Eu vejo que o basquetebol na minha vida foi um sonho realizado. Me considero um vencedor, me sinto realizado por ter chegado tão longe", conclui.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Atleta do Passado - Papagaio

 "O futebol foi uma lição na minha vida"

por Fabiana Figueiredo
O futebol foi algo tão bom na vida de muitos garotos, que os salvou dos mais diversos percalços da vida, amadureceu-os, assim como os afastou de diversas situações ruins. Ou seja, foi uma lição e uma lembrança que levarão para o resto da vida. Como é o caso do nosso atleta do passado desta semana: Deoclides Alcides Monteiro, 70 anos, ex-zagueiro (4º zagueiro), ex-camisa cinco, que tem uma história triste e emocionante ao mesmo tempo.
Natural de Vigia, no Estado do Pará, o pequeno Deoclides teve seus primeiros contatos com o futebol no campinho perto de casa, por volta do ano de 1942. “Sempre tinha uma disputa entre os times do Flamengo e Vasco. Eu era vascaíno, e atuava como goleiro. Em um dia, chegou um ribeirinho, que encostou seu leme, e pegou meu lugar. Como eu jogava bem, fui convidado pra jogar pelo outro time”, e assim conta o atleta, da recordação de como começou a gostar do seu time do coração, o Flamengo.
Aos 10 anos de idade, Deoclides teve que ir morar na capital do seu Estado. Ele se recorda que foi morar no único bairro que tinha time próprio, o Sacramento Esporte Clube, que comemorava aniversário no dia 7 de setembro, “era um colosso”, diz ele.
Até que certo dia, o amigo Lelé (Corujinha) “foi quem me disse pra ir até Macapá, que meu futebol era muito bom, e eu iria ser aproveitado”. Nessa época, com 20 anos, seu apelido era Venenoso - segundo Seu Deoclides, por causa do cabelo que sempre foi “espetadinho”. A coragem e o sonho de jogador de futebol tomou conta do nosso atleta, e “houve um dia que meu pai se descuidou, peguei um short dele, e apanhei uma embarcação antiga do governo, o “Araguari”. Sai de lá em 25 de agosto de 1962, e cheguei aqui dia 28 de agosto em 1962. Fiquei doido para ficar na embarcação, mas me tiraram do barco”, conta.
Vagando pelas ruas, foi que conheceu o afilhado de seu pai, que o ajudou a se apresentar no Esporte Clube Macapá, e a estudar na Escola Industrial. “Ele me deixou dormir na Praça do Barão”, lembra-se da primeira noite na cidade desconhecida.
No outro dia, se “alistou” no time do E.C. Macapá, e, com ajuda de moradores, chegou ao Estádio Glicério Marques para treinar. “Tinha um cidadão, Heitor Picanço, de cadeira de rodas, que me deixou descansar na arquibancada do estádio antes que começasse os treinos. Eu estava cansado”.
E foi, então, que a carreira começou. O primeiro clube foi o Esporte Clube (seu time do coração); depois por influências de amizades, jogou pelo Trem Desportivo Clube, por volta de 1963; jogou também pelo Santana Esporte Clube; Independente e depois voltou para o Macapá, onde encerrou a carreira. “Aqui era amadorismo, a gente podia jogar um mês em um clube, depois em outro clube”. A Seleção Amapaense também foi composta por Papagaio, por quase 8 anos na década de 70.
Ele lembra-se: “Me levaram pra jogar no Santana, no Canário. Foi onde tive a oportunidade de jogar com refletores, no Estádio Augusto Antunes. [...] Jogar pelo Santana foi uma alegria e uma tristeza: fui Campeão Amapaense de 1968, em cima do Esporte Clube Macapá, meu time querido e que joguei por tantos anos”. Da escalação, ele recorda de Neném, Luiz, Otávio, Papagaio, João Ferreira, Aroldo Santos, Perereca, Doca, Timbó, Batista, Lelé e Percival.
A carreira terminou com 41 anos, “devido que eu já estava trabalhando demais, já estava estabilizado na minha vida”. Hoje, ele é aposentado pelo quadro federal, e por volta dos 30 anos, se formou em Educação Física, atuando como professor da área até os dias atuais.
Papagaio é um exemplo de superação; e para seus alunos ele repassa o que aprendeu: “Eu sempre oriento meus alunos: hoje vocês têm pais, cheguei aqui e dormi até na Praça do Barão antes de ir para a Escola Industrial. Digo sempre para colocar os estudos em primeiro lugar, colocar os ‘pés no chão’; a brincadeira é muito boa, mas com o tempo vão sentir dificuldades. Encontro ex-alunos que me agradecem bastante o que falei, meu conselho valeu a pena. Sempre tive essa atitude de ajudá-los e orientá-los”.
O atleta do passado finaliza: “o futebol foi uma lição na minha vida, que eu pude orientar muitos colegas. Essa minha fuga maravilhosa, apesar de eu ter deixado meus pais, valeu a pena. Não me arrependo de ter vindo pra cá”.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Atleta do Passado - João Oliveira


"Conseguimos dar sangue, suor e lágrima, mas sempre honrando o Futebol do Amapá"

por Fabiana Figueiredo

O protagonista da editoria desta semana passou por vários clubes de futebol do Estado, deixando sua marca em cada um deles. Seu nome é João Ferreira de Oliveira, 60 anos, que contribuiu bastante com o futebol amapaense nas décadas de 60 à 90.

João Oliveira começou a praticar o futebol aos 12 anos, em meados de 1965, quando jogava em um time comandado por Leopoldo, ex-presidiário, que ajudava garotos a entrarem no mundo do futebol: "jogávamos no bairro do Beirol. Era um timinho que recrutava garotos, formava o time dele, e os mandava para os clubes". Um tempo depois, João foi enviado pelo primeiro técnico para o time do Santana Esporte Clube. "Eu já estava jogando no Estádio Glicério Marques com 12 anos de idade, foi muito importante pra mim. O primeiro jogo foi contra a seleção do mangueirão, a Seleção de Belém".

João Oliveira iniciou jogando como lateral direita, mas logo mudou de posição, se tornando zagueiro de alguns times. Sim, ele coleciona times, que, segundo ele, só não jogou pela Sociedade Esportiva e Recreativa São José e pelo Esporte Clube Macapá: já atuou no Santana E.C., Guarany Atlético Clube, Independente Esporte Clube, Amapá Clube, encerrando a carreira no Trem Desportivo Clube.

"O último jogo foi contra o flamengo, quando eles vieram aqui", diz o atleta do passado. Com quase 40 anos de idade, João Oliveira fez seu último jogo representando o time do Trem, e encerrando a carreira como jogador de futebol. A causa? "Porque estava na época, já tinha a idade de parar. Tem o momento que a gente começa, e que a gente termina. E o meu chegou naquela época", afirmou.

João Oliveira revelou que também coleciona cinco títulos de campeão do Copão da Amazônia: Um pelo Independente e quatro pelo Trem (1987, 88, 89 e 90). As saudades ficam...

"O amador era bem melhor que o profissional de hoje. Não é saudosismo, mas o futebol da época passada era totalmente diferente, era bem melhor. Se fosse naquela época, nesses campeonatos brasileiros de hoje, até chegaríamos a ser campeões", comentou João.

Time do Ypiranga Clube, no Estádio Glicério Marques
Do Futebol, ele guarda até hoje boas lembranças, das grandes amizades: "as lembranças são as melhores possíveis. Fiz grandes amigos, como o Miranda, Maneca, Fanta, Zé Maria, Dida e muitos outros; viajávamos muito, mas viajávamos com responsabilidade, de sair daqui e representar bem o Estado do Amapá, como sempre representamos; conseguimos dar sangue, suor e lágrima, mas sempre honrando o Futebol do Amapá, colocando-o sempre em cima".

Nosso Atleta do Passado não gosta de ver o estado atual do futebol amapaense: "Não sei por que os dirigentes dos clubes não investem nos jogadores daqui. Tem tanto jogador bom, no Amapá, Calçoene, Laranjal do Jari, no interior; jogadores que, com certeza, iriam suprir a necessidade. Não precisa buscar esses jogadores de Belém, sucateados, que vêm só pra ganhar dinheiro, e depois fazem feio".

João Oliveira se orgulha do futebol que fez, entretanto finaliza aconselhando os diretores dos times do Amapá: "Que eles procurem investir nos jogadores 'prata da casa', que eles deem condições para os amapaenses do mesmo jeito que são para os que vêm de fora. Com certeza, eles irão ver que o fruto será bem melhor".

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Atleta do Passado - Tovica


"Só bato bola porque é a minha grande paixão"

Fabiana Figueiredo


Além do Amapá, Belém do Pará também foi o berço de muitos jogadores de futebol que se destacaram nos gramados amapaenses e pelo país; nomes como Manoel Maria, Cristovão Sena, Acari, Caveirinha e o internacional Afonso são ícones do futebol paraense. Um deles é Cristóvão Tertuliano de Almeida Lins, o Tovica - irmão de Afonso, já falecido -, 66 anos, que teve carreira curta, mas bastante intensa.

Tovica, quando morava na terra natal Monte Alegre (PA), aos 15 anos começou a jogar nos times principais da localidade. "Fui estudar em Santarém, no Colégio Dom Amando, em regime de internato; o nosso time jogava com os times São Francisco, São Raimundo e América, que são times que estão até hoje no futebol santareno", lembra o atleta do passado. Aos 16 anos, saiu do internato para jogar no time São Francisco Futebol Clube; tendo como primeiro jogo contra o Rio Negro, de Manaus. "Daí não tive mais jeito. Morando em hotel, comecei minha vida de jogador de futebol", cita. Ele também se lembra de como foi parar no Paysandu Sport Club: "os times de Belém faziam excursão e passavam por Santarém. Nessas idas e vindas, o Paysandu me levou pra Belém. Lá, eu só joguei um ano como jogador profissional, porque passei no vestibular de Agronomia, e eu não podia conciliar futebol e estudos, naquele tempo era reprovado por falta".

Cristóvão chegou a visitar o Amapá quando ainda jogava no azulão, e de onde tem boas lembranças. "Vim jogar várias vezes em Macapá, pelo Paysandu, em 1969. O [estádio] Glicério Marques não tinha nem grama ainda. Jogamos no município de Santana, contra o Santana Esporte Clube, eu fiz o primeiro gol de 5". O Atleta do Passado também pertenceu à seleção paraense, segundo ele, durante os anos de 1965 até 1970.

No ano de 1970, ao passar na Escola de Agronomia, Tovica teve que tomar uma decisão que mudaria sua vida: o futebol ou os estudos. "O diretor da Escola de Agronomia, Elias Seffer, abonava minhas faltas; e ele me disse 'ou tu joga futebol, ou tu estudas', e eu preferi estudar". Assim terminava a carreira do ponta-esquerda. Dentre os craques, ele se lembra do irmão Afonso, já falecido: "Ele realmente foi jogador de futebol porque trancou a matrícula da escola de agronomia para jogar futebol".

Hoje, ele é engenheiro agrônomo, trabalhou durante 30 anos no município de Laranjal do Jari, e está há 10 anos em Macapá, administrando uma empresa própria. Mesmo assim, ele não abandonou o futebol: "até hoje eu jogo futebol, no meio de pessoas que jogaram aqui, como o Ponga, Chicola, Carlinhos Madureira, Aldo, grandes figuras, no time do formigueiro. Só bato bola porque é a minha grande paixão", finaliza.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Atleta do Passado - Thiago Diniz

O medalhista que desistiu do Karatê amapaense
"Tinha vontade de estar [no esporte] até hoje, mas não tinha como, pois eu não tinha o suporte necessário"

por Fabiana Figueiredo
  
Quando um esporte precisa crescer, é necessário incentivo para que muitos atletas possam continuar praticando e competindo na modalidade que escolheram; seja ele do empresariado ou do Estado. Têm-se vários exemplos de unidades federadas que oferecem bolsa-atleta aos esportistas que se destacaram durante o ano, como forma de apoio, para que permaneçam no desporto.

No Amapá, a bolsa-atleta é desejada por muitos apaixonados pelo esporte, pois precisam adquirir elementos que os tornem atletas de ponta. Na editoria Atletas do Passado desta semana, vamos contar a história do jovem medalhista Thiago Diniz Viana, 23 anos, que sempre quis ter uma bolsa-atleta, mas pela falta dela e entre outros alguns fatores, teve de desistir das competições e se dedicar à vida profissional.
 
Thiago Diniz lembra que, aos 10 anos, quando estudava na Escola Estadual Deuzolina Sales Farias, em 1999, o professor Ubirajara começou a dar aulas de Karatê para os alunos da escola, inclusive para nosso Atleta do Passado. Como era um esporte diferente, chamou bastante atenção dos alunos; se tornando, então, o pontapé inicial para nosso medalhista.
 
Ele se recorda do treinador Júlio Bernardes, do Clube Lee no início da carreira, e do atleta Carlos Nelson, que inspirou bastante nosso Atleta do Passado.

Thiago teve bastante destaque nas competições que participou: ele coleciona vários títulos do Campeonato Amapaense (2000 - sua primeira competição -, 02, 03, 04, 06, 07, 08 e 09), todos de campeão, nas categorias Mirim até o Adulto; Copa Norte (2008, 09, 10 - sua última competição); Open da Venezuela (2008); e reúne várias outras medalhas de competições interclubes e interestaduais.


Apesar das muitas competições que participou, Thiago sentiu falta do incentivo por meio da bolsa-atleta, além de conseguir bolsa para estudar em faculdade particular. "Chegou um tempo na minha vida que eu não via retorno. Precisava estudar pra ter um futuro. Até pra estudar era difícil, porque as faculdades não disponibilizavam bolsas. Outro fator foram os poucos torneios. De 2009 pra cá, não houve mais Campeonatos Amapaenses. Como atleta, não tendo o reconhecimento e nem o retorno financeiro, como é que se vai treinar?! Para o treinamento de alto rendimento, precisa-se de suplemento, de estrutura, de apoio financeiro. Muito disso foi me afastando. Tinha vontade de estar [no esporte] até hoje, mas não tinha como, pois eu não tinha o suporte necessário", explica Thiago Diniz.

O jovem medalhista se formou em Educação Física em 2012, e está à procura de novas oportunidades no mundo do esporte e profissional. Ele se afastou das competições, mas tem a esperança - assim como muitos outros que, também, deixaram o desporto por falta de incentivo - de um dia poder voltar à prática do Karatê, se as chances forem oferecidas aos atletas.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Atleta do Passado - Currú


“Eu era um dos melhores jogadores que tinha em Macapá”

Por Fabiana Figueiredo

Orlando Cardoso de Almeida, hoje com 67 anos, o Currú, deixou sua marca na história do futebol amapaense, como tantos outros que também presentearam o Estado do Amapá com suas histórias. Esta semana, ele é o protagonista da editoria Atletas do Passado.

Natural de Breves (PA), ele veio aos 10 anos para Macapá, junto com a família toda, em busca de melhores condições de vida. O primeiro contato como futebol foi aos 18 anos, no Campo do América, hoje Praça Chico Noé, Laguinho, onde o Atleta do Passado ainda reside.

Tudo era brincadeira, até quando, aos 19 anos, entrou para o time do 7 de Setembro. Depois de certo tempo, Currú recebeu um convite do chefe Humberto, conhecido treinador, para atuar pela Sociedade Esportiva e Recreativa São José. Sua estreia no time titular foi contra o Santana Esporte Clube; e, mais tarde, conquistou o título de campeão amapaense de 1970, e, nos dois anos seguintes, garantiu o tricampeonato (70, 71 e 72) para o São José. Ele se lembra do jogo que marcou sua vida: contra o Ypiranga Clube, na decisão do Campeonato Amapaense de 1971.

Em 1972, Currú foi jogar pelo Azulino Esporte Clube Macapá, onde foi vice-campeão amapaense de 1973, ao lado de Nariz, Zé Domingos, Haroldo Santos, Castelo, Guara Lacerda, Léo, Olivar, entre outros. No ano seguinte, recebeu convite e atuou no Trem Desportivo Clube.

Time do São José, no Campeonato Amapaense de 1971
Currú também chegou a compor a Seleção Amapaense de Futebol na década de 70, ao lado de Zé Roberto, Paulo Rodolfo, Alceu, Bandeirante, Castelo, Orlando Torres, Haroldo Santos, Piraca, Haroldo Pinto, Antônio Trevizani (um craque para ele) e Moacir Banhos.

Aos 27 anos, Currú parou de jogar futebol pelos times, mas sempre batia uma bola ali e acolá. "Eu parei porque tinha que trabalhar, cuidar da mulher e dos filhos, e não dava mais pra ficar no futebol."

Ele também recorda das lembranças que tem: "Eu era um dos melhores jogadores que tinha em Macapá, sou respeitado até hoje pelos amigos que fiz no futebol. Eu casei quando comecei a jogar, e foram só alegrias".

Currú se orgulha de dizer que trouxe a família para o mundo do futebol. Seus filhos e netos também atuaram dentro de quatro linhas, entre eles estão o Flávio, o Vinícius e o João Victor, que foi campeão amapaense de futsal Sub-11 neste ano.

Atualmente, o ex-zagueiro Currú não joga mais o futebol, por questões de saúde, mas contribui bastante como conselheiro da diretoria do São José.

"Tudo o que eu consegui no futebol, eu adoro. Eu nunca fui esquecido", finaliza o atleta do passado.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Atleta do Passado - Cazé

"O esporte é um caminho de educação. Acredito que o treinador deve incentivar o atleta para o esporte e orientá-lo pra vida"

por Fabiana Figueiredo

O bairro central foi a região de onde a cidade de Macapá começou a crescer, participando do "pontapé inicial" da história da capital morena e de muitos macapaenses. Esse bairro também, mais precisamente no "Formigueiro" (importante local histórico da cidade), guarda o início da vida de um jogador amapaense "da gema". Carlos José Menezes Nery, o Cazé, 61 anos, que é o personagem principal da editoria Atletas do Passado desta semana.

Quando ainda criança por volta dos 9 anos, Cazé jogava bola com os garotos de sua idade, no time do Formigueiro. "Esse time, por sinal, era muito bom. Praticamente todos os jogadores do Formigueiro saíram pra diversos clubes de Macapá. Eu fui pro São José, com 14 anos", lembra nosso ex-atleta.

Na Sociedade Esportiva e Recreativa São José, Cazé foi Campeão Amapaense por duas vezes pela categoria Juvenil. Também em 1969, foi vice-campeão no time dos adultos São José. Depois, jogou no Santana Esporte Clube e se consagrou campeão amapaense de 1972. 

Cazé também jogou diversas vezes pela Seleção Amapaense, inclusive lembra-se do jogo contra a Seleção Olímpica, na década de 70, na inauguração dos refletores do Estádio Glicério Marques; ele também recorda que jogou pela seleção nos campos da Guiana Francesa, ao lado de Alceu e Antônio Trevizani.

Durante sua carreira, recebeu convites para atuar na capital paraense, nos times do Paysandu Sport Club, Clube do Remo e Tuna Luso Brasileira. Segundo ele, já tinha um emprego no Amapá, uma história construída, e a qualidade do esporte onde jogava era muito melhor que outros times.

Aos 28 anos, Cazé suspendeu o futebol de sua vida porque se sentia bastante cansado pelos esforços que tinha. Entretanto, aos 33 anos, voltou a jogar no São José. E depois de três temporadas, concluiu definitivamente a carreira de jogador de futebol.

"São lembranças muito boas. Principalmente das amizades que eu consegui no futebol amapaense, tive grandes amigos e boas recordações. Eu não digo das vitórias, é muito mais pelas amizades porque é muito bom jogar e ter amizade com vários jogadores de outros times", destaca.

Largo de Santo Antonio, depois praça Veiga Cabral,
hoje Teatro das Bacabeiras. Cazé no detalhe

Dos colegas, ele lembra de Alceu, Zé Roberto, Antoninho Costa, "Canhoto", Orlando Torres, Sabará, Aroldo Pinto, Antoninho Amaral, Aroldo Santos, Zé Elson, Praxedes, Nego Trevizani, Antônio Trevizani, Bigu, Mareco, Perereca e muitos outros companheiros.

Sobre o novo futebol amapaense, ele acredita que os jovens devem se dedicar mais a esporte que escolheram, "acho muito importante a dedicação. Sem esquecer do futuro, tem também que cuidar da educação. [...] Vejo garotos que estão arrebentando no futebol, que de repente começam a beber e não levam a sério o que fazem. O esporte é um caminho de educação. Acredito que o treinador deve incentivar o atleta para o esporte e orientá-lo pra vida", finaliza.

ARTIGO DO GATO - Amapá no protagonismo

 Amapá no protagonismo Por Roberto Gato  Desde sua criação em 1988, o Amapá nunca esteve tão bem colocado no cenário político nacional. Arri...