segunda-feira, 11 de março de 2013

Atleta do Passado - Antuzio


 "Eu me orgulho do futebol que fiz, me sinto muito feliz"

por Fabiana Figueiredo

O Atleta do Passado dessa semana foi do futebol amapaense, se orgulha de ter participado, do sucesso que fez, mas muito além do que isso, da companhia e instruções que teve do pai quando era jogador. Antonio Carlos Lopes Pinheiro, 43 anos, que ficou conhecido com o codinome Antuzio é o protagonista da editoria essa semana.

Quando era menor, já conquistava os campos de futebol da capital amapaense, e o sonho de se tornar jogador profissional nascia. Aos 16 anos, Antuzio e o irmão José Charles foram tentar jogar futebol em clubes melhores no Pará; nosso atleta jogou no Tuna Luso Brasileira e no Clube do Remo, mas por seu pai ter sofrido um derrame, largou tudo e voltou à cidade natal. Logo conseguiu um emprego e, ao mesmo tempo, jogava peladas com os amigos. 

Antuzio conta que na Copa do Mundo Marcílio Dias e nas peladas, os futuros amigos Maranhão e Nena, olheiros do Ypiranga Clube, fizeram o convite para que ele jogasse no time do bairro do Trem, em 1989. "O Amapá Clube queria me contratar na época, chegou a me oferecer uma fortuna. E o Ypiranga me ofereceu um trabalho, era pouco o salário. Aceitei a proposta do Amapá Clube. Meu pai, hoje falecido, me disse que 'o salário é pouco, mas se você pensar direito, o dinheiro vai e vem; você não fica com essas coisas'. Pensei bem, e fiquei com a proposta do Ypiranga", explica o ex-atleta.

Como Antuzio era atacante, se machucava bastante, e a figura do pai, Clizório Vilhena Pinheiro, inspiração do jogador, estava sempre presente. "Quando eu chegava machucado em casa, ele saia correndo com gelo, preocupado. Ele foi um herói pra mim". As contusões que mais marcaram foram a do ano de 1990, onde parou por sete meses; e a que encerrou sua carreira no fim da década de 90, com 26 anos de idade.

Apesar de machucados, na época em que jogou no Ypiranga, Antuzio relata que foi onde se destacou, considerado o melhor jogador da época, e, claro, o melhor momento de sua carreira. "Acho que fazia 20 anos que o Ypiranga não havia sido campeão; fomos campeões em 1992", cujo título foi o segundo disputado pela categoria profissional.

Apesar de várias propostas de jogar em outros Estados e Países, Antuzio fora contratado para jogar no time do Cristal. "Tive várias propostas para sair daqui, mas pesava muito o lado familiar, sempre pesou isso, eu tinha um vínculo muito grande com ele [o pai]".

Cerca de 3 anos jogando no time do Santa Rita, Antuzio sofreu sua segunda contusão séria no tornozelo, o que fez terminar a profissão bem cedo.

Antúzio no amistoso do Clube do
Remo em Ypiranga, em festa realizada pelo
Amapá Clube, déc. 90
Ele agradece tudo o que o futebol lhe proporcionou: "O futebol me deu tudo. O que eu sou hoje, eu digo que devo ao futebol. Meu pai também foi muito importante nisso; eu me dedicava ao máximo no futebol [...] Eu me orgulho do futebol que fiz, me sinto muito feliz. O Ypiranga foi praticamente uma família pra mim".
Assim como muitos ex-jogadores, Antuzio lamenta-se de ver a atual situação do futebol amapaense, muito diferente do futebol de suas respectivas épocas: "Hoje a gente vê o futebol triste em Macapá. Antigamente, o futebol era uma inspiração pra cada jogador, era um esporte que dava gosto de jogar". E quando se tinha ídolos: "O Miranda foi um grande atacante pra mim".

Para Antuzio, as derrotas fazem parte da vida de cada um: "Você não vive sem derrota, porque é nela que você se enaltece"; e conclui: "Todo esporte deve ter uma dedicação. Se você realmente quer aquilo, você vai conseguir desde que você tenha pessoas no lado pra te ajudar. O futebol, ao mesmo tempo, é uma faca de dois gumes. Porque quando você cresce, a queda pode ser grande. Aconselho que os jovens se dediquem ao estudo e aos esportes".

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