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segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Assoreamento dos Canais e Igarapés de Macapá


por Reinaldo Coelho

O acesso aos canais e igarapés de Macapá só acontece com a maré cheia
Há mais de um ano este periódico publicava uma matéria na editoria de Meio Ambiente, referente ao assoreamento dos Canais e Igarapés de Macapá (Edição 267 - 13 a 19 de agosto de 2011), e de lá para cá, a coisa não mudou; quer dizer, mudou sim, para pior.

Neste período de verão, a forte estiagem, comum nesta época do ano na região amazônica, vem reduzindo o volume das águas do rio Amazonas e somando-se aos assoreamentos dos igarapés de Macapá. É grande a dificuldade do acesso de embarcações nos ancoradouros da frente da cidade, principalmente durante a baixa da maré.

A natureza é responsável por uma parte do assoreamento, pois através da correnteza, junto com a maresia, vai aterrando essa área onde os barcos ficam, porém é o lixo que é arremessado pelos embarcadiços e moradores que ajuda aterrar os igarapés. É comum encontrar (quando a maré está seca), no leito do rio, bagaços de cana-de-açúcar, madeira e todo o lixo que os ambulantes e moradores jogam no local. Ou seja, a área está aos poucos virando uma lixeira pública. Já dá para perceber a diferença: antes, o ramal tinha aproximadamente nove metros de profundidade, hoje não passa dos seis metros.

Igarapé das Mulheres, Bairro Perpétuo Socorro
Antes, na baixa maré as embarcações adentravam ao ancoradouro do Igarapé das Mulheres. Com o assoreamento, os barcos ficam na praia esperando a maré encher. Isso pode gerar  problema econômico para a capital, porque, pela entrada do Canal do Jandiá, no Igarapé das Mulheres, no Santa Inês, é que são escoados vários produtos como frutas, verduras, pescados. Esses locais, com pouca profundidade, permitem a entrada apenas de barcos de pequeno porte.

A Secretária Estadual de Transporte (Setrap) informou a reportagem que a empresa contratada para realizar a limpeza do leito do Igarapé das Mulheres deveria ter começado os serviços no início de novembro, porém devido a burocracia, a previsão é para esta semana. "A empresa, para iniciar o trabalho de limpeza, tem que percorrer um longo caminho burocrático: IMAP, PMM, Capitania dos Portos, isso para conseguir a Licença de Execução. É necessários que esses órgãos fiscalizem o local das obras e, posteriormente, autorize o início da dragagem. O equipamento está aqui aguardando esse tramite", informa o diretor de Serviços aguaviários da Setrap.

Canal do Jandiá 
O lixo lançado pelos moradores ajudam ao assoreamento
do canal do Igarapé das Mulheres
No caso do Jandiá, o assoreamento está causando o estreitamento do canal e a diminuição do nível da água. Isto possibilita apenas a passagem de catraias, embarcações pequenas e prejudica outras. Segundo informações de moradores, a Prefeitura e a Secretaria Estadual de Transportes executaram escavações no lugar no início de 2000, ou seja, há doze anos que nada é feito. Os moradores informam que antes as embarcações podiam entrar no canal mesmo com a maré vazante, agora, é preciso deixar a maré encher para ter acesso ao canal.

Píer do Santa Inês 
Diariamente é grande o fluxo de embarcações de médio e pequeno portes que atracam na rampa do Santa Inês. Além de que ali embarcam e desembarcam cargas e passageiros oriundos de vários municípios amapaenses e das ilhas do Pará. Porém está sendo difícil a realização de manobras para aportar no local que está na mesma situação dos demais locais. Os proprietários de embarcação de grande calado são as mais prejudicadas, pois o canal que dá acesso à rampa está assoreado. 

Para superar esse problema e diminuir o prejuízo, as embarcações de maior porte antes de atracarem na orla transferem os passageiros para pequenas embarcações que as trazem até a rampa para desembarque.

Canais
Uma das preocupações na Zona Urbana da Capital é com referência aos alagamentos da cidade quanto começar o "Inverno amazônico". Isto se deve também ao assoreamento dos canais que cortam Macapá. A cidade é cortada por seis grandes canais que recebem as águas pluviais e as devolvem as grandes ressacas ou ao Rio Amazonas. Os canais do Perpétuo Socorro; Mendonça Júnior; Beirol; Nova Esperança; Santa Inês e Jandiá estão todos assoreados e causando poluição, pois os moradores de seus arredores os transformam em lixeiras públicas.

O Canal da Mendonça Júnior, o principal de Macapá que recebe a maioria das águas pluviais e que deságua direto no Rio Amazonas, está no seu limite. Totalmente assoreado, e o pior com obras de urbanização paralisada há mais de três anos e sem perspectiva de continuidade.

No caso do Canal do Beirol, que inicia no Canal das Pedrinhas, o acúmulo de lixo por toda a sua extremidade é absurdamente inadmissível,  muitas vezes jogado pelos próprios moradores e outras por pessoas que ao passarem na área contribuem com a sujeira.

Desde que assumiu sua cadeira no parlamento estadual, a  deputada Maria Góes (PDT) vem cobrando do governo providência para que seja realizada a drenagem nestes locais. "Sabemos das dificuldades que todos encontram para ter acesso ao Igarapé das Mulheres, o assoreamento não atrapalha apenas quem chega a Macapá, mas também os próprios pescadores que não conseguem desembarcar os produtos e, com isso, em algumas ocasiões, acabam acumulando prejuízos", explica a deputada.

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