por Reinaldo Coelho
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| O acesso aos canais e igarapés de Macapá só acontece com a maré cheia |
Há mais de um ano este periódico publicava uma matéria na editoria de Meio Ambiente, referente ao assoreamento dos Canais e Igarapés de Macapá (Edição 267 - 13 a 19 de agosto de 2011), e de lá para cá, a coisa não mudou; quer dizer, mudou sim, para pior.
Neste período de verão, a forte estiagem, comum nesta época do ano na região amazônica, vem reduzindo o volume das águas do rio Amazonas e somando-se aos assoreamentos dos igarapés de Macapá. É grande a dificuldade do acesso de embarcações nos ancoradouros da frente da cidade, principalmente durante a baixa da maré.
A natureza é responsável por uma parte do assoreamento, pois através da correnteza, junto com a maresia, vai aterrando essa área onde os barcos ficam, porém é o lixo que é arremessado pelos embarcadiços e moradores que ajuda aterrar os igarapés. É comum encontrar (quando a maré está seca), no leito do rio, bagaços de cana-de-açúcar, madeira e todo o lixo que os ambulantes e moradores jogam no local. Ou seja, a área está aos poucos virando uma lixeira pública. Já dá para perceber a diferença: antes, o ramal tinha aproximadamente nove metros de profundidade, hoje não passa dos seis metros.
| Igarapé das Mulheres, Bairro Perpétuo Socorro |
Antes, na baixa maré as embarcações adentravam ao ancoradouro do Igarapé das Mulheres. Com o assoreamento, os barcos ficam na praia esperando a maré encher. Isso pode gerar problema econômico para a capital, porque, pela entrada do Canal do Jandiá, no Igarapé das Mulheres, no Santa Inês, é que são escoados vários produtos como frutas, verduras, pescados. Esses locais, com pouca profundidade, permitem a entrada apenas de barcos de pequeno porte.
A Secretária Estadual de Transporte (Setrap) informou a reportagem que a empresa contratada para realizar a limpeza do leito do Igarapé das Mulheres deveria ter começado os serviços no início de novembro, porém devido a burocracia, a previsão é para esta semana. "A empresa, para iniciar o trabalho de limpeza, tem que percorrer um longo caminho burocrático: IMAP, PMM, Capitania dos Portos, isso para conseguir a Licença de Execução. É necessários que esses órgãos fiscalizem o local das obras e, posteriormente, autorize o início da dragagem. O equipamento está aqui aguardando esse tramite", informa o diretor de Serviços aguaviários da Setrap.
Canal do Jandiá
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| O lixo lançado pelos moradores ajudam ao assoreamento do canal do Igarapé das Mulheres |
No caso do Jandiá, o assoreamento está causando o estreitamento do canal e a diminuição do nível da água. Isto possibilita apenas a passagem de catraias, embarcações pequenas e prejudica outras. Segundo informações de moradores, a Prefeitura e a Secretaria Estadual de Transportes executaram escavações no lugar no início de 2000, ou seja, há doze anos que nada é feito. Os moradores informam que antes as embarcações podiam entrar no canal mesmo com a maré vazante, agora, é preciso deixar a maré encher para ter acesso ao canal.
Píer do Santa Inês
Diariamente é grande o fluxo de embarcações de médio e pequeno portes que atracam na rampa do Santa Inês. Além de que ali embarcam e desembarcam cargas e passageiros oriundos de vários municípios amapaenses e das ilhas do Pará. Porém está sendo difícil a realização de manobras para aportar no local que está na mesma situação dos demais locais. Os proprietários de embarcação de grande calado são as mais prejudicadas, pois o canal que dá acesso à rampa está assoreado.
Para superar esse problema e diminuir o prejuízo, as embarcações de maior porte antes de atracarem na orla transferem os passageiros para pequenas embarcações que as trazem até a rampa para desembarque.
Canais
Uma das preocupações na Zona Urbana da Capital é com referência aos alagamentos da cidade quanto começar o "Inverno amazônico". Isto se deve também ao assoreamento dos canais que cortam Macapá. A cidade é cortada por seis grandes canais que recebem as águas pluviais e as devolvem as grandes ressacas ou ao Rio Amazonas. Os canais do Perpétuo Socorro; Mendonça Júnior; Beirol; Nova Esperança; Santa Inês e Jandiá estão todos assoreados e causando poluição, pois os moradores de seus arredores os transformam em lixeiras públicas.
O Canal da Mendonça Júnior, o principal de Macapá que recebe a maioria das águas pluviais e que deságua direto no Rio Amazonas, está no seu limite. Totalmente assoreado, e o pior com obras de urbanização paralisada há mais de três anos e sem perspectiva de continuidade.
No caso do Canal do Beirol, que inicia no Canal das Pedrinhas, o acúmulo de lixo por toda a sua extremidade é absurdamente inadmissível, muitas vezes jogado pelos próprios moradores e outras por pessoas que ao passarem na área contribuem com a sujeira.
Desde que assumiu sua cadeira no parlamento estadual, a deputada Maria Góes (PDT) vem cobrando do governo providência para que seja realizada a drenagem nestes locais. "Sabemos das dificuldades que todos encontram para ter acesso ao Igarapé das Mulheres, o assoreamento não atrapalha apenas quem chega a Macapá, mas também os próprios pescadores que não conseguem desembarcar os produtos e, com isso, em algumas ocasiões, acabam acumulando prejuízos", explica a deputada.

