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sexta-feira, 22 de março de 2013

Pioneirismo - Dona Diquinha



 “A grande riqueza que a minha mãe deixou pra nos foi à união e o respeito. Nós temos  um respeito muito grande um pelo outro. É isso  que eu vou  deixar para os meus filhos”.
                                                                    Raimunda do Rosário de Souza, Dona Diquinha



Iranilde Lobato
Da Reportagem


Carmo do Macacoari fica distante de Macapá 100 quilômetro. Essa é a nossa ultima instância no encontro de um resgate das tradições, costumes e integração da essência da cultura amapaense. Diversidade cultural, estórias e histórias de um povo. É de lá que veio a nossa pioneira desta semana, trazendo na sua bagagem toda essa cultura cantada nos ladrões do Marabaixo.

Raimunda do Rosário de Souza está com 75 anos, veio da localidade do Macacoari ainda menina pra ser empregada domestica. Filha de Joana Claudina do Rosário e João Afilhado; casada há 51 anos com Antônio de Souza, teve 9 filhos e  tem 14 netos e 1 bisneta.

Quem primeiro dar uma definição do caráter e da personalidade dessa brava mulher é seu filho Luis Carlos do Rosário Souza.   “A minha mãe não teve estudo, não teve oportunidade de estudar como a gente teve, mas o conhecimento que ela tem de vida é maior do que qualquer mestrado’’. A vida não se aprende na escola, tudo que temos, e tudo que estamos ainda construindo é graças a ela, porque sempre temos ela por trás. Graças a Deus temos ela ainda pra nos direcionar, e sempre que saímos do trilho ela está lá pra nos confortar. Somos muito unidos,  estamos sempre juntos e temos muito orgulho de tê-la como mãe. E isso é muito bom pra todos nós. Não temos sentimento de inveja,  Família é o mais importante”.

As raízes de Raimunda do Rosário começa pela sua mãe Joana, que foi parteira e dona de casa, quando morava no Macacoari,  fazia o parto de todas as mulheres de lá. Quando veio pra cidade continuou com a função de parteira. “aqui no laguinho tinha muita gente pobre, ela passou muitos anos fazendo parto, minha mãe morreu muito velhinha com mais de 100 anos. Eu não quis saber de ser parteira, cada geração que vem o mundo é outro, a pessoa vai mudando de vida, vai se conhecendo outras coisas”, conta nossa pioneira.

Conheceu o amor
Deixando as casas de família para ajudar sua irmã Luiza a tomar conta dos filhos que iam nascendo, viu Antonio que chegou de Alenquer, é foi morar numa casa bem em frente à de sua irmã, e os olhares começaram, Antonia bem novinha passeava, observava não só os sobrinhos brincarem na rua. ”ele trabalhava na CEA. Sempre nos víamos, mas foi num Arraial de São José que a gente se encontrou. Ele me convidou pra jantar e começamos a namorar isso resultou num casamento de 51 anos”. 

Raimunda mora com o esposo aposentado e um casal de filhos numa casa linda e aconchegante. ”Quando casei fui cuidar da casa e depois dos filhos. A vida foi melhorando meus filhos começaram a trabalhar, não casaram cedo e compravam as coisas pra casa. Ana Ruth voltou de Belém engenheira, e começaram a fazer a planta e construir a casa, não foi muito fácil, mais deu pra levantar. Antes era de madeira, foi derrubada e construímos em alvenaria. Sempre conversei muito com os meus filhos, e eu dizia: a nossa vida esta nas mãos de vocês, quando vocês crescerem eu não quero que falte nada pra vocês”.

Saudades do tempo de criança
Quando éramos criança na antiga Doca , onde hoje é  o Centro Comercial, alagava tudo, o Posto de Gasolina  dos Alcolumbre que  hoje fica em frente as Lojas Marisa,  tinha um pé de grumixameira,  quando a gente ia fazer “mandado” (fazer compras)  demorávamos muito, porque  subíamos  no pé da grumixameira e ficava esperando  a maré vazar para irmos embora.

“Aqui já tínhamos telefone que foi ligado na casa do Mestre Julião Ramos e  que era do governo do Território. A Feira funcionava em uma ponte,  nesse local  foram as primeiras pessoas a criarem porco branco aqui em Macapá, e eu tinha medo daqueles porcos. E eu dava uma volta imensa pra não passar por lá.”, narra seu causos Dono Diquinha.

Honestidade é o maior patrimônio
Lamenta não ter tido a oportunidade de conhecer seu pai, “ Ele morreu eu estava com dois anos de idade, mas eu sou muito feliz”. Quando eu me empregava nas casas de família, sempre mostrei confiança, hoje a honestidade está ficando muito difícil, as pessoas roubam, não existe respeito, antes o respeito era muito grande. Quando éramos criança se respeitava todo mundo.

Além da casa do Coronel Janary Nunes o primeiro governador do Amapá, Raimunda morou com outras famílias como a da professora Maria Cavalcante. “ Naquela época a vida era mais fácil todo mundo se conhecia, e mesmo as pessoas que não se conheciam, ajudavam a gente da mesma forma. Meus filhos todos estudaram e se formaram. E eu sai logo atrás de emprego pra eles, meu filho mais velho o Antônio Carlos foi o primeiro a se empregar, foi trabalhar na prefeitura como fiscal, ele  tinha 19 anos. Exerce essa função até hoje e  ele começou a ajudar na rende da casa e a criar os outros irmãos e colocar pra estudar, fora de Macapá”

Com referencia a ser empregada domestica não lhe passa em nenhum momento vergonha dos serviços. “Eu não me arrependo de não ter trabalhado fora de casa, eu consegui ser muito presente na vida dos meus filhos e conseguir fazer deles o que eu queria, são pessoas do bem, se eu fosse trabalhar fora talvez não tivesse conseguido criar do jeito que eu criei. Meus filhos são todos empregados, e tem a família deles, vivem uma vida bem correta”.

Continuando Raimunda conta que: “A grande riqueza que a minha mãe deixou pra nos foi à união e o respeito. A gente tem um respeito muito grande um pelo outro. É o que eu deixo pros meus filhos. Eles são adultos com família, mas quando eu vejo uma discussão e sei que não vai da certo eu os mando logo cala a boca”.

O tempo foi passando eu sou muito feliz, Hoje as pessoas não são felizes porque elas não procuram ser feliz ela procuram só a infelicidade

Seus filhos
Antonio Carlos do Rosário Souza, Antonio Claudio do Rosário Souza, Ana Rubia do Rosário Souza, Ana  Claudia do Rosário Souza e Ana Ruth do Rosário Souza trabalha na saúde.

sábado, 16 de março de 2013

Pioneirismo - Manuel Felipe Meneses da Silva

"O engrandecimento da pessoa humana, não é só ter faculdade ou facilidade de você conversar digitando, não, não é o mais importante, só faz completar. Tudo isso era para estar acompanhado de amor, e sem o amor nada tem valor"

por Iranilde Lobato

Nascido nas matas do município de Santarém, Manuel Felipe Meneses da Silva  é um senhor tranquilo e decidido. Descendente do agricultor Eupidio Correa da Silva e a dona de casa Madalena Correa da Silva, teve uma infância comum aos ribeirinhos, mas tinha um detalhe, era muito apegado a religião. Levado pela fé, percebeu as oportunidades na vida e não desperdiçou nenhuma delas, agarrou-se a todas e vem sempre vencendo.

Casou-se com Lindaura Chagas da Silva, em 1963, pai de três filhos que são doutores do Direito, um deles é Promotor de Justiça, o Manuel Felipe Meneses da Silva Junior, além de Leda Chagas da Silva Carrera e Lena Chagas da Silva. Um vovô com sete netos. Centrado e inteligente.

Na juventude cumpriu as obrigações militares e foi servir tiro de guerra em Santarém. Estava ai uma encruzilhada, apegado as coisa da paz, estava numa instituição voltada para a Guerra, porém o lado do bem sobressaiu, e, no município cearense de São Francisco de Canindé, passou a estudar no Seminário Franciscanos para abraçar a carreira do sacerdócio. Nesse período percorreu alguns lugares como Ipoarana e Lagoa Seca (PB), e Recife (PE). Foi seminarista por pouco tempo. "Por motivo de saúde, precisando fazer três cirurgias ocular, numa época em que a medicina ainda era fraca. Com 25 anos retornei a minha cidade Natal", relembra Manuel.

Certeza de estar no lugar certo
Passou a dedicar-se ao comercio atacadista, vendendo secos e molhadas. Assim seu destino o encaminho para a Macapá. "O mais importante foi que cheguei aqui nas Festas de Reis, (06 de janeiro de 1960),  um colega me trouxe. A finalidade era fazer um trabalho de duas semanas e intui que não poderia mais retornar. Trabalhava numa empresas de vendas de objetos de decoração" - seu colega foi embora e ele ficou: conta nosso pioneiro: "sempre tinha a ideia que o Espírito Santo que nos move, e ai de repente eu disse: 'você vai embora e leva tudo e eu vou fica' ele me retrucou: 'não vou te deixar, nem que eu te leve amarrado'".

Para demonstrar que eu estava fazendo um negócio ruim ele me levou ao Mercado Central, que naquela época era o entreposto dos barqueiros e ribeirinhos que vinham vender na capital amapaense. não tinha nada só piçarra, Nos sábados acontecia uma feira,  era jacaré  amarrado com pau na boca, preguiça, tatu, vinha dos barcos ele disse: "É isso que tu vai comer? É isso que tu queres aqui?', Não adiantou seus argumentos: Fiquei!

Manuel Felipe Meneses da Silva, e sua esposa Lindaura Chagas da
Silva, seus filhos, Manuel Felipe Meneses da Silva Junior, Leda Chagas da
Silva Carrera e Lena Chagas da Silva
Com uma experiência de fotografo amador o nosso pioneiro começou atuar no ramo da fotografia, foram sete anos nessa profissão, mais começou a sentir os sinais de ter de mudar de empreendimento e veio a ideia de trabalhar com miudezas em geral. "Comecei a atuar no ramo de Armarinho, minha loja ficava ao lado da famosa Casa Ribamar, onde hoje funciona a Domestilar, em frente ao Bradesco", explica.

Porem os ventos econômicos começaram a sinalizar nova mudança, pois para qualquer empresário é um procedimento de inteligência, "porque você tem um negocio, está vendo que ele tá caindo, então precisa começar outro". Como nesse período já tinha reconhecimento dentro da Assocxiação Comercial e dos colegas e amigos empresários, foi nomeado em 1977, Juiz Classista do Trabalho e vinte anos depois (1997) se aposentou no cargo.

Vida atual
Hoje, mais uma vez a espiritualidade sobressaiu neste pioneiro e tendo sua cônjuge sido atingida por problema seriíssimo de saúde, passou a cuidar dela e paralelo atua como Ministro da Eucaristia da Paróquia Jesus de Nazaré e é voluntario do IJOMA (Instituto do Câncer Joel Magalhães), um senhor, paciente, culto e com uma energia singular.

"Minha esposa fez uma cirurgia no Hospital de Guadalupe em Belém, "E  como naquele tempo, quando era preciso transfusão de sangue era chamado os mendigos e alcóolatras que preambulavam pela Rua 15 de agosto para vender seu sangue, ela foi numa transfusão foi contaminada pelo vírus da Hepatite C; e que  demorou muito pra aparecer, tem 15 anos eu cuidando dela".

Turnê
O empresário Manuel Felipe aproveitou que estava aposentado e uniu o útil a o agradável, percorreu vários lugares do mundo atrás de ajuda para Lindaura sua esposa e conhecer os lugares sagrados. "Já estive na Espanha, na Terra Santa, Jerusalém e em Israel conheci Tel Aviv, já andei em todos esses lugares, procurando médicos para cura dela, mas ainda não consegui", lamenta. Ressalta que em Brasília tem uma clinica de tratamento alternativo que vem dando sustentáculo para ela se fortalecer, não fica boa, mas eu agradeço a Deus pela sua benignidade para comigo e minha família".

Solidário a vida toda, não cuida só de sua esposa, mas também de outras pessoas, neste mesmo instituto do câncer que em 2012 ganhou o premio de voluntario do ano no Ijoma. "Eu me sinto deveras mente satisfeito e feliz, ajudando as pessoas".

O Jovem e sua carência de espiritualidade
Manuel Felipe com um sorriso sereno da um recado ao jovem. "Sabemos do afastamento do jovem hoje da vida espiritual, isso é inerente do tempo, hoje as pessoas Se falam através do celular, internet, redes sociais, não tem relacionamento pessoa a pessoa e isso que nos faz crescer, em todos os quadrantes da vida, se não tem essa troca de experiência, entra a droga, bebida, sexo, o resto vai só floreando o problema; o desenvolvimento com o mundo todo daqui, podemos falar com qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo, esta coisa não trás o melhor, "esse contato é o engrandecimento da pessoa humana, não é só ter faculdade, ou facilidade de você conversar digitando, não, não é o mais importante, só faz completar. Tudo isso era pra estar acompanhado de amor, e sem amor nada tem valor".

segunda-feira, 11 de março de 2013

Pioneirismo - Raimundo Figueira, o Vovô

“Hoje a minha vida é tranquila, apesar de não poder andar, estou com meus filhos empregados, o que eu podia deixar pra eles era isso; eu fui um homem pobre na minha vida, assim como meu pai que também era, mais trabalhadores”

 por Iranilde Lobato

"Era um tempo bom. Dá saudade", suspira o senhor de 73 anos, testemunha e personagem fundamental de toda a história do futebol amapaense do amadorismo ao profissionalismo, concretizando com a fundação do Clube Atlético Cristal. Esta é prefacio de uma grande historia de pioneirismo no Amapá, esta semana  estaremos  homenageando a veterano Raimundo da Silva Figueira, o Vovô, como é conhecido no meio esportivo.

Raimundo da Silva Figueira chegou à Macapá em 1940,  com os pais Julieta da Silva Figueira e Manoel da Costa Figueira Junior, vinda do interior do Pará, município de Afuá, com dois anos de idade, hoje com 73 anos relembra que naquela época se dormia com as janelas abertas. "Sou amapaense, um amante dos esportes, porem, minha paixão é o futebol". Ele conta que sempre foi um homem ativo que passeava em sua bicicleta, e caminhava todos os dias até o aeroporto. Gostava de dançar, pescava e tomar açaí, comer biju de tapioca e se deliciar com  um prato de feijão com mocotó. É amado por sua família, admirado pelos amigos, com um passado notável, e uma família acolhedora e educada. 

Como todos, nos primórdios da historia politica amapaense, quando da criação do Território Federal do Amapá,  era necessário recrutar mão de obras especializadas em outras unidades da federação, o então governador Janary Nunes convidou os pais de Figueira - que eram empresários do ramo madeireiro - para atuar nas obras da capital.

O Vovô Figueira relembrar que seus estudos começaram na pioneira escola Barão do Rio Branco e na Escola Industrial, hoje EE Antônio Cordeiro Pontes. A bucólica Macapá vem na narrativa desse pioneiro. "Quando cheguei aqui só tinha duas ruas, a Candido Mendes e Avenida FAB. Éramos sete irmãos. Fui para o Exercito, (antigo Tiro de Guerra), e depois pertenci aos quadros  da Guarda Territorial, quando o Amapá foi transformado em Estado ingressei aos quadros da Policia militar. Aposentei-me em 1987".

 Ainda militar, com 25 anos, Raimundo Figueira foi destacado para Jarilândia, hoje município do Laranjal do Jarí, em novembro de 1964. A chegada de um guarda novato em uma cidade pequena, com seus belos olhos verde causou uma grande impressão nas jovens do local, mas ele se encantou por Maria Iracy Lima, e não quis perder tempo, seis meses depois estavam casados. Em 10 de maio de 1965.'' Ele foi ver uma peça no colégio, e delegacia era perto. Nos conhecemos nesse dia'', conta Maria.  Dessa união nasceram: Manoel de Jesus, Maria Julieta, José Romeu e Rosa Maria Lima Figueira. Estão Casados há 48 anos, tem 4 filhos e 8 netos.

"Ele sempre foi uma pessoa séria, as brincadeiras só mesmo com os amigos do futebol, sempre  popular no esporte, ele só fala o necessário, é muito trabalhador e responsável, mesmo doente ia trabalhar, nem que os colegas o trouxessem de volta, mas ele ia, nunca faltou no serviço'', comenta sua esposa.

Sua vida na policia
Raimundo Figueira no exército “Tiro de Guerra”
Na sua época de policial, trabalhou mais de 10 anos na Divisão de Investigação e Captura (DIC). Ele conta que Macapá era um paraíso, briga só de vizinhos e roubo só de galinha. "Quando trabalhava na policia, a cidade era tranquila, na Civil tirava plantão, fazia patrulha na Policia Militar, mas, não tínhamos a violência que temos hoje. A cidade cresceu do dia pra noite, era uma cidade bacana", relembra. 

Para conseguir criar seus filhos e dar-lhes um maior conforto um passou 20 anos atuando no interior do Amapá. Naquela época o acesso era dificílimo, principalmente nesta época de chuvas. As estradas e ramais só se alcançavam de carro de tração nas quatro roldas e ficávamos isolados, comunicação era via radio. "Viajei há trabalho pelos municípios de Almeirim,  Lourenço, Calçoene, Amapá, Oiapoque. Tudo por ai eu trabalhei e para construir minha casa e dar dignidade a minha família".
Amor pelo time Cristal
Sempre amou o futebol. Ainda em Jarilândia tomou conta de Seleção local de futebol e jogava no Beiradão. Quando retornou a Macapá jogou como goleiro na Sociedade Esportiva e Recreativa São José. Seu irmão Ademir da Silva Figueira, outro amante do futebol tinha  fundado o Clube Atlético Cristal, e lhe convidou para trabalhar como treinador e ele foi campeão. Quando o futebol amapaense passou a ser profissional em 1991, ficou a frente da presidência Cristal. Virou presidente de honra do clube e ajudou todos os presidentes que passaram por lá.  "Época áurea do cristal em que conseguimos disputar dois títulos seguidos, 2007/ 2008 e fomos bicampeões".

Com muita emoção e orgulho conta que em 2007 recebeu da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) a Comenda João Havelange, no Rio de Janeiro, no Copacabana Palace. "No Estado do Amapá apenas quatro pessoas já receberam está condecoração".   

Até 2009, como presidente do Cristal, durante os campeonatos que o clube disputava frequentava e trabalhava no Estádio Glicério Marques para dar melhor assistência ao plantel, parou por conta do diabete. Além de presidente muito responsável, tomava conta de tudo, dos uniformes ao lanche, fazia tudo inclusive dava dinheiro. 

O DNA do esporte, principalmente do futebol passou a ser hereditário, chegou um tempo que a família Figueira era o Cristal e vice-versa. Raimundo Figueira na presidência de honra, Manoel Figueira na presidência e Romeu Figueira técnico. "Hoje se tem o nome Cristal como uma marca e isso se deve ao meu pai, foi um dos grandes feitos, um dos mais relevantes do futebol amapaense, era amor pelo Clube ele nunca largou o futebol, desde que começou em Jarilândia como policial, e levou o futebol para os vários municípios que trabalhou. Retornou pra Macapá, depois que se aposentou ficou definitivamente no Cristal", narra o filho Romeu. 

E esse amor e dedicação também teve um suporte essencial Dona Maria Iracy Figueira a matriarca da família, conta Romeu da Silva Figueira: "meu pai foi um cara que sempre batalhou e viajou muito e ate hoje luta pela família  e sempre teve o suporte de minha mãe que sempre cuidou dos filhos enquanto ele trabalhava. Ele ia tranquilo pois estávamos em boas mãos", narra.

Raimundo Figueira e seu filho Manoel
Orgulho filial
Seus filhos Manoel e Romeu Figueira sentem muito orgulho e emoção ao falar do pai: "Meu pai sempre foi moderno nunca precisou bater nos filhos, sempre preferiu conversar, direcionar. Encaminhou-me e meu irmão no futebol, uma pessoa muito boa, sempre ajudou as pessoas, inclusive os presos. Ele me levava com ele nas delegacias sempre vi isso, tanto que hoje sou policial civil, concursado. Sempre nos direcionou para o estudo e  futebol, esse é o legado que ele nos deixou que é a educação, nos construímos isso junto com ele e a nossa mãe".

Raimundo Figueira finaliza parte de sua historia, pois se fossemos detalhar esse jornal não teria espaço. "Hoje a minha vida é tranquila apesar de não poder andar, estou com meus filhos empregados, o que eu podia deixar pra eles era isso; eu fui um homem pobre na minha vida, assim como meu pai que também era,  mais trabalhadores. Aquele que puder se formar se forme, eu não pude fui logo me empregar". 

segunda-feira, 4 de março de 2013

Pioneirismo - Diva Dias Façanha

"Trabalhando foi como consegui criar meus filhos, que podem não estarem ricos, entretanto estão todos encaminhados com sucesso na vida, assim como meus netos estarão. Honestidade, perseverança e persistência são as medidas certas da formação de uma vida digna"

por Reinaldo Coelho


Ninguém saía incólume da casa de Diva Dias Façanha. Visitá-la significava provar as iguarias que ela preparava muito bem, que depois passou a ser uma atividade para conseguir recursos e ajudar na criação dos filhos. Esta será uma deliciosa história de nossa pioneira desta semana.

Paraense, nasceu em 4 de fevereiro 1920 em Belém,  era filha de Orcino Aureliano Dias e de Maria de Lurdes Castelo Branco Dias. A maior parte da infância de nossa pioneira foi passada no município de Tracuateua (PA), onde funcionava um Posto de Meteorologia do Ministério e era o local de trabalho de seu pai.

Diva Façanha perdeu sua genitora muito cedo, ficando da sua família apenas seu pai e o único irmão Djalma Dias (falecido). Porém, seu pai realizou um segundo casamento onde foram gerados mais dois irmãos, Dilermando, o Manguinho, grande jogador do Clube do Remo; e Delbanor Dias que foi  cantor e diretor da Radio Difusora de Macapá, criando o famoso Clube do Guri.

O segundo casamentou acabou com separação, e seu Orcino Dias e seus quatro filhos resolveram morar com a tia de Diva, que era viúva e mãe de dois garotos, sendo um deles outro grande pioneiro amapaense, o Chefe Humberto. Passaram então a residir no Curuzu, perto da sede do Payssandu Clube.

Com 15 a 16 anos de idade, conheceu o seu futuro esposo, Lourenço Borges Façanha, que era cabo do Exército. Casaram-se e, em 1939, tiveram sua primeira filha, Maria de Lourdes Dias Façanha. Ele veio servir em Clevelândia, no Oiapoque em 1940. Em 1941 transferiu-se para Macapá, quando deu baixa da corporação para aqui se radicar, dedicando-se à atividade comercial.

 Montou seu comércio de secos & molhados, denominado "Estado Novo", no prédio da residência dos padres da Paróquia São José, onde para pagar o aluguel, dona Diva passou a cozinhar para os religiosos. Nessa residência teve seu segundo filho, José Dias Façanha. Logo em seguida, transferiram-se para Rua Mario Cruz, onde hoje funciona a Top Internacional.

Nesse período, o dom de cozinheira e doceira aflorou com toda a força, e passou a ser requisitada como banqueteira para as festas de aniversários, casamentos e outros encontros sociais, sendo convidada para organizar esses encontros. Hoje essa atividade é realizada pelos buffer. "Foi assim que consegui arrecadar dinheiro para ajudar a criar os meus filhos e mantê-los nos estudos, tanto aqui como lá fora. Pois no Amapá naquela época não tinha curso superior", explana a pioneira. 

Além da atividade profissional, Diva Façanha ajudou também no social, fundando o Saci Club, composto pela fina flor da sociedade macapaense como opção de diversão na pequena Macapá.O Saci Clube funcionou onde, tempos depois, seria o Círculo Militar, atrás da Fortaleza. O concurso de Miss Macapá Verão 61 foi promovido pelo Saci Clube, e realizado na Piscina Territorial, a casa dos grandes espetáculos da época.
Muito religiosa, Diva foi uma das fundadoras do Apostolado da Oração, junto com Palmira Coutinho. 

Hoje está coroada pela vitória
Mais uma vez, o destino colocou Diva Dias em prova de superação e persistência, e ela demonstrou que, além disso, tem a coragem para ir em frente. Teve que se desdobrar, pois no início da década de 50, Lourenço Borges Façanha teve um AVC (Acidente Vascular Cerebral), e a vida ficou difícil.

Mas esta batalha contou com mais um soldado, o jovem José Dias Façanha, que com 12 anos ingressou na turma do Buraco, atividade do Governo do ex-Território para fazer a arborização de Macapá e ajudar os jovens estudantes desempregados. Quem também engrossou a fileira foi a filha mais velha do casal Façanha, Maria de Lourdes Façanha, que passou a exercer o cargo de professora auxiliar da mestra Amazonita Machado, na Fazendinha, que não tinha acesso fácil.

Nesse momento, Diva Façanha procurou o governador da época, Janary Nunes, que lhe deu um cargo nos quadro do Governo, em 1954, tornando-se assim Funcionária Pública Federal. Exerceu os cargos de Assessora e Chefe do Gabinete do Governador, e Tesoureira da Senava. Dona Diva, com sua eterna beleza, carinho e sapiência, transmite ternura, segurança e amor, como relata Alcinéa Cavalcante em uma homenagem a essa grande dama em seu blog.

Os filhos
O casal Lourenço e Diva gerou, educou e formou quatro filhos: Maria de Lourdes Façanha (professora e bibliotecária), José Dias Façanha (engenheiro-agrônomo), no momento atua como Chefe de Gabinete na presidência do TJAP; Antônio Celso Façanha (engenheiro de minas); e Luís Guilherme (engenheiro florestal), que trabalha no IBAMA de Recife como Assessor da Presidência.

Em 1973, o prefeito de Amapá, Leonel Nascimento, prestou uma justa homenagem a este pioneiro, denominando de Lourenço Borges Façanha uma das escolas do município.

Por essas duas histórias de vida de Lourenço e Diva, que se entrelaçaram para constituir uma bela família e gerar filhos e cidadãos úteis ao Brasil, dando exemplo de amor à terra generosa que os acolheu. Loureço Borges Façanha já cumpriu sua missão (falecido). Diva hoje, aos 93 anos de idade, está colhendo o que plantou com a maior dedicação: carinho e amor dos filhos, dos 14 netos, e de 6 bisnetos, além do respeito e admiração da sociedade amapaense. 

Quem foi Lourenço Borges Façanha
Ele nasceu no município de Tefé, no Estado do Amazonas, em 8 de janeiro de 1910, onde permaneceu até aos 17 anos de idade; foi para Belém do Pará, alistando-se no 26º Batalhão de Caçadores do Exército, sendo destacado para servir no Amapá, em Clevelândia, Oiapoque, em 1939. Em 1941, deu baixa da corporação para se radicar em Macapá, dedicando-se à atividade comercial.

Lourenço Borges Façanha participou dos embates da revolução constitucionalista de 1932, como soldado do exército brasileiro. Foi Prefeito do Município de Amapá, de 1954 a 1957, e funcionário público até seu falecimento em 1973; fundou o Rotary Clube de Macapá, o Esporte Clube Macapá e Associação Comercial e Industrial do Amapá. 


sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Pioneirismo - Antônio Pereira da Silva

"Onde doutor entra, eu também entro"

por Iranilde Lobato

A editoria Pioneirismo desta semana irá contar a história de um casal de desbravadores, que não tiveram temor de batalhar. Mesmo com profissões humildes, acreditaram no futuro, venceram e são exemplos de força e perseverança para os dez filhos, netos e bisnetos. Eles são: Antônio Pereira da Silva e Josefa Barbosa da Silva.

Com 54 anos de casados dona Josefa comenta:
"Ele é um homem muito importante na minha vida"
Contudo, infelizmente, há treze anos Antônio sofreu de AVC (Acidente Vascular Cerebral), popularmente conhecido como "derrame", e a narrativa de sua história foi contada por Josefa e a filha Girlene.

O início de tudo
A vida de Antônio e Josefa se cruzou em uma festa em São Pedro dos Bois (comunidade na Zona Rural), quando eles começaram a namorar. Porém a alegria do encontro teve um obstáculo, o genitor de Josefa adoeceu, e ela teve acompanhá-lo até Macapá. Mas a linha do destino dos dois já tinha começado a ser entrelaçada, e eles se reencontraram na capital e reataram o namoro, ficaram noivos e em 1958 se casaram. Estava fechado o primeiro ciclo de uma vida de luta e perseverança.

Um homem sábio
Antônio Pereira da Silva, 78 anos, nasceu na localidade de Maruanum em 1934. Um homem simples, mas com valores intensos que carrega até hoje em sua vida. Foi sinaleiro de trem, pedreiro, vigilante e se aposentou como Agente de Portaria do Governo do ex-Território Federal do Amapá. Ganhou prêmio e portaria de elogio na época do Coronel Janary Nunes, por ser um homem que nunca deixou de cumprir o que lhe era determinado. Pessoa honesta e trabalhadora, não se intimidava por não ser "doutor", e ensinou aos seus filhos exemplo inesquecível: "Onde doutor entra, eu também entro". 

 Veio para Macapá com sua mãe, Apolônia, depois de ter ficado viúva de Prudêncio, pai de Antônio. Foram morar próximo ao vilarejo do Curiaú.  Pereira estudou pouco, mas como bom filho, ajudou sua genitora a criar seus irmãos menores trabalhando na roça, fazendo farinha e carvão. Até conseguir emprego na Indústria e Comercio de Minérios S/A (ICOMI), na construção da Estrada de Ferro que transportaria o minério de Manganês até o Porto de Santana, na época distrito de Macapá. "Seu serviço era contar os números de vagões que chegavam", comentou Josefa.

Seu Antônio saiu da ICOMI e passou a fazer "bico" (pequenos serviços), sempre querendo voltar para interior, mas não decidia mais sozinho, já estava casado e sua esposa nunca quis retornar. A roça para ela só a passeio. "Já que não pude realizar meus sonhos estudando, meus filhos iriam estudar. Eu não estudei, mas a família que estávamos construindo iria frequentar a escola. Eu queria dar para eles a oportunidade que não tivemos, então decidi que nós não íamos voltar para o interior", explica Josefa.

Antônio depois que se aposentou voltou para onde mais amava: o roçado. Este sempre foi seu sonho, ali tinha criação de animais, como bois, porco, etc. Ficava muito tempo no interior, um homem forte, conhecido por ser contador de causos. Sempre que tinha uma oportunidade narrava suas estórias de caboclo, num de seus contos chegou até a se agarrar com uma onça. Era o herói e o protagonista. Mas não era falante, "se ele pudesse ficar de boca fechada o dia inteiro, ele ficava. Meu pai era feliz no mato", disse a filha Girlene. 

Uma mulher guerreira
Josefa Barbosa da Silva, 75 anos. Veio a Macapá para cuidar de seu pai, que estava acamado, na casa de uma irmã. Não teve oportunidade de estudar e para ajudar na renda de casa começou a fazer serviços de lavadeira. Determinada a viver na cidade, ela, que desde os cinco anos de idade fazia vestidinho de boneca, em São Pedro dos Bois, fez da brincadeira sua profissão. "Sempre costurei muito bem, me dediquei nessa área, tenho um ateliê, que costuro até hoje", relembra.

Antes de ter a sua casa, morou com a sogra: "Foi uma pessoa maravilhosa, muito boa para mim. Ela cuidava da cozinha e eu costurava, e até hoje eu não sei cozinhar, eu odeio cozinha. Eu tive uma sogra de ouro, quando eu saí da casa dela eu já podia pagar uma empregada. Foi a minha sogra que conseguiu o terreno que eu moro agora".

Dona Barbosa conseguiu com que todos os seus filhos se formassem. "Gostaria muito de ter estudado, se eu pudesse buscar tudo o que ficou pra trás eu buscaria, mas infelizmente é uma coisa que não se pode fazer", conta.

Uma História linda! 
Antônio Pereira  acompanhado da filha
Girlene e do genro Ney
Dona Barbosa e seu Pereira moravam numa casa pequena, tinha uma cozinha, sala e um quarto. Nesse espaço acomodavam os dez filhos. Josefa pensou em vender a casa, mesmo lavando e costurando para fora, a vida era muito difícil.  Sua filha Girlene, quando saiu do primeiro emprego, usou a indenização para investir em um atelier para a mãe. Com as duas trabalhando juntas, os negócios prosperaram. "Era muito trabalho, em época de festa isso era uma loucura. Então para construir a casa passamos dois anos juntando material, quando levantamos a casa foi de uma vez", recorda Josefa.

Ela se emocionou ao falar de sua filha e parceira, Girlene. A cumplicidade entre as duas aconteceu desde a amamentação. "Quando eu dava mama, ela colocava o dedo na minha boca e olhava nos meus olhos, e a sensação que eu tinha que ela me dizia: 'mamãe quando eu crescer eu vou lhe dar tudo que deseja'. Eu sonhava em ter uma casa grande, a minha energia passava para ela e a minha necessidade de vencer. Tudo que eu tenho , isso aqui foi ela que fez, está aqui a prova".

Com 54 anos de casados dona Josefa comenta: "Ele é um homem muito importante na minha vida, um esposo que sempre me deu valor, ele dizia eu era mulher da sua vida, hoje eu cuido dele". Para Girlene o seu amor pelos pais é muito grande, "Tenho um carinho em especial pelo meu pai, a mamãe é ciumenta, mas é uma mulher muito especial, muito abençoada, uma matriarca". 

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Pioneirismo - Cilas França

"Aos meus ex-alunos tenho um carinho especial por  hoje estarem formados em varias profissões (engenheiros, médicos, advogados, tudo que é serviço) quando eles encontram comigo é aquele abraço e aquele carinho"

por Iranilde Lobato


Um legado para filhos e netos...
Aos dez anos de idade Cila França Trindade chegou a Macapá, para uma vida de emoções, de educadora a presidente de escola de samba e mãe de dez filhos é uma mulher realizada. A pioneira que chegou aqui no inicia do Extinto Território Federal do Amapá, vinda de Belém com os pais, filha de Maria Rodrigues França e Benedito Pereira França, com 73 anos conta sua história. Meu irmão trabalhava pilotando uma lancha do Município de Afuá, e nos visitava com frequência, meu pai vinha sempre ver uma irmã de criação que morava num terreno perto do Anajás, e tinham outros familiares aqui. Esse irmão convenceu meu pai a se mudar, aqui poderíamos estudar, ele ficou animado e ai ele trouxe definitivamente toda a família. Fomos morar no Bairro do Trem, numa casa atrás da Escola Hildemar Maia.

Um currículo de vida e experiências 
Em Belém, estudou bem pouco. Ao chegar em Macapá estava apenas alfabetizada. Seus pais foram logo procurar uma escola, e  na Escola Alexandre Vaz Tavares, iniciou seus estudos , cursando o Ensino Primário (hoje Ensino Fundamental). Porém retornou à Belém, pois ainda tinha um irmão que ali residia. Ficou por dois anos e retornou pra continuar os estudos agora no Colégio Comercial do Amapá (CCA) hoje Escola Gabriel Almeida Café. Parou os estudos no Ginasial ao que equivaliam seus estudos na 6ª serie. Precisava trabalhar e conseguiu seu primeiro emprego no comercio. 

  Ficando empregada por dois anos com vendas, saiu para casar. E a pedido de seu marido voltou a estudar. Completando o ginasial,  passou a estudar a Escola Normal era o caminho pra sua profissão como educadora. Aos 28 anos foi pra faculdade, comenta Cila "A UNIFAP estava sendo criada, fiz o curso de Artes Industriais no Núcleo de Educação da Universidade Federal do Pará, em Macapá, o embrião da nossa Universidade". 

Submeteu-se então ao concurso publico no governo, sendo aprovada e designada a trabalhar na Ilha de Santana, sua 1ª escola, "Fazia o trecho Macapá/ Santana todos os dias e, além disso, tinha que pegar um barco e atravessar pra chegar à Ilha. Essas idas e vindas para o local de trabalho não deixava de ser uma aventura e muita força de vontade, foram quatro anos de idas e vindas", lembra a professora Cila`` na época assinar contrato como professora tinha que ser para trabalhar no interior. Tinha que pegar experiência, depois vinha pra Capital``. 

Uma de suas maiores dificuldades foi de trabalhar nas séries inicias de 1ª a 4ªserie: ``era muito desgastante, eram duas turmas, uma pela manhã e outra pela tarde, eu não me sentia bem como professora desse ensino, ai fui fazendo cursos e começai a lecionar Educação para o Lar, que esta dentro da área de artes e ai, eu me encontrei como professora". Especializada em outra área já pode trabalhar com 5ª e 8ª serie: "fui designada para a Escola Sebastiana Lenir , onde atuei por quinze anos e assumi a gestão da instituição por dois anos", narra Cila França.

De professora a carnavalesca 
E assim sua vida profissional foi se desenhando assumindo cargos entre uma escola e outra, por fim volta ao seu educandário do coração, Sebastiana lenir. Filha de musico fundou a Banda Marcial da escola, e um de seus prazeres foi ter deixado essa banda de música campeã. Durante vinte e cinco anos tem o sentimento que sua missão foi cumprida e sente muito orgulho disso. Em 1989 se aposentou como educadora. "Aos meus ex- alunos tenho um carinho especial por velos hoje formados em varias profissões (engenheiros, médicos, advogados, tudo que é serviço) quando eles encontram comigo é aquele abraço aquele carinho".

 Não esquecendo sua vida no comércio abriu uma lojinha de aluguel de roupas de festas para noivas e aniversários de quinze anos. Que tem ate hoje.

Familia
Ano passado completou bodas de ouro, (50 anos de casamento), com o senhor Marinho Trindade, tiveram dez filhos, criou oito, quatro homens e quatro mulheres e sua maior satisfação na vida e ver seus filhos criados, formados e casados, as filhas seguiram a carreira da mãe seus filhos são da policia militar, uma mulher católica que agradece a Deus todos os dias tudo que tem na vida, família, amigos e a comunidade que trabalha, Dona Cila diz: ``A minha família é um prazer só, hoje é eu e o meu marido, mas não ficamos sós, sempre no café da manhã tem dois filhos, três no almoço, netos no domingo então se reúnem todos aqui e fazem a festa deles, a feijoada e o churrasco. Ver os meus filhos juntos e unidos é o maior prazer da minha vida".

De professora a carnavalesca a pessoa certa
50 anos de casamento
A história de Cila no carnaval começou com uma visita despretensiosa que veio acompanhado de seu sobrinho França, este senhor era o Carnavalesco  Filomeno Araújo, se reuniram no pátio de sua casa, apesar deu não ter despertado ainda pro carnaval - Cila brincou com o carnavalesco dizendo: "eu acho que você veio com a pessoa errada, eu não gosto de carnaval" ele bateu no meu ombro dela e disse: Professora  o dia que a senhora entrar numa escola de samba, não sai nunca mais, responde: Será?

Neste mesmo dia a Escola Unidos do Buritizal foi fundada, pronta pra registrar em cartório. O carnaval era na Avenida FAB. Alguns meses depois ela assumiu a presidência da escola por quatro anos. Em 1996 foi homenageada. Cila fala que:  "como presidente é muito trabalhoso, tomar conta de uma escola que representa a comunidade não é fácil não, aqui é trabalho mesmo. Mas a gente esquece todas as dificuldades na hora em que escola entra na avenida. E a cada ano que passa, a cada carnaval a emoção é a mesma", finaliza Cila França. 


sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Pioneirismo - Maria da Silva Picanço



"Minha vida foi sempre tomar conta dos filhos, cozinhar, lavar e passar roupa"

por Inaildo Lobato

Dona Maricota, com 84 anos, é uma senhora afetuosa e alegre

A pioneira dessa semana, Maria da Silva Picanço, carinhosamente chamada de Maricota, com 84 anos, é uma senhora afetuosa e alegre. Veio para a capital muito jovem, da comunidade de Maruanum, distante 80 km de Macapá, para ajudar no sustento de sua família. Ainda hoje, a localidade sobrevive da agricultura de subsistência. 

Maricota é filha de Prudêncio Rodrigues da Silva e Apolônia Pereira da Silva. Estando na confiança de uma prima já falecida, que era quem procurava emprego para Maricota, e ficava na responsabilidade a família que a recebia para trabalhar e morar. Até os 21 anos, sua profissão foi de empregada doméstica. Lembra com saudade e orgulho de todas as casas que trabalhou, mas o patrão que ela recorda com maior afeto é o ex-Governador do antigo Território, Coronel Janary Gentil Nunes. "Governador que nem ele não tem outro", completa Dona Maricota.

Ela conta um pouco de sua vida como empregada doméstica naquele tempo. "Eu fazia de tudo. Tomava conta de criança, varria casa e quando eu estava desocupada ainda ia embainhar roupa para a legião (LBA), para as mulheres gestantes. Não tinha hora para ir deitar, quando tinha os chás em casa, ficava acordada 10h, 11h e, às vezes, até meia noite. Hoje, as empregadas domésticas têm direitos, folgas e hora extra. Faz só o que é de uma empregada doméstica", relembra.

Uma história de amor
Dona Maria e Benedito, seu esposo, tinham histórias de vida que se coincidiam. Assim como ela, ele também morava com outra família e seus pais eram fazendeiros no Igarapé do Lago. Ela o viu em uma das famosas festas de Marabaixo do Mestre Julião Ramos, e por força do destino, o jovem foi morar perto da casa de dona Maricota.

Conheceram-se, começaram o namoro, e um casamento que durou 48 anos. "Não foi só conhecer e casar, não. Ele teve que ir onde minha mãe morava e pedir pra namorar; ela gostou dele e aprovou", relata Maricota. E ainda continua: "Me casei com a pessoa certa, a pessoa que eu gostava. Ele só gostava do que eu gostava, quando eu não gostava de alguma coisa eu nem dizia. Ele gostava muito de ouvir música". Faz 15 anos que está viúva de Benedito, mas ela ainda lembra aquela festa de Marabaixo em que viu seu amor pela primeira vez. Tiveram oito filhos, e sente uma tristeza ao falar de três filhos que já estão falecidos.

Sua Vida na Serra do Navio
Dona Maricota e seu esposo Benedito
Picanço uma história de vida
Maricota casou-se com Benedito Aurélio Picanço e deixou de ser empregada doméstica. Seu marido recebeu uma proposta para trabalhar na ICOMI, em Serra do Navio, e ela foi acompanhá-lo, na época tinham dois filhos. "Minha vida foi sempre tomar conta dos filhos, cozinhar, lavar e passar roupa". Voltou a Macapá para os descendentes estudarem.  Benedito só voltou definitivamente para Macapá, quando se aposentou em 1982. Segundo Maricota, o seu marido trabalhou na empresa durante trinta e cinco anos, seis meses e dezesseis dias.

Em seu retorno à capital morena, Maricota ganhou de um primo um terreno na Avenida Padre Manoel da Nóbrega. A área era o campo de aviação que ia ser transferido e o local seria loteado; e para construir a casa, Maricota teve que trabalhar muito, fazendo doces para casamentos e aniversários. Ela lembra com detalhes de como era o local antes de ser habitado: "A minha casa era bem pequena e o avião aterrissava aqui do lado; o hangar era aqui onde ficam as Secretarias de Estado".

Atualmente
Dona Maricota hoje está aposentada, e apesar das doenças próprias de sua idade, como reumatismo, perdeu uma das visões, que, segundo ela, foi por negligencia médica. 

E mesmo brigando para que não tire a sua foto, ela sonha em encontrar um dos filhos de seu patrão Janary Nunes, o Janarizinho. "Quero mostrar a fotografia que eu tenho do pai dele, quando estava na Serra do Navio".

Sempre cercada pelo carinho dos filhos, netos e amigos, que não a deixam sozinha nem mesmo para tirar uma foto. Não que ela goste: "Não quero viver em 'boca de Candinha', hoje a gente não pode se mexer que já estão batendo fotos da gente", diz.

É uma senhora muito agradável de conversar, quem vai visitá-la se perde no tempo ouvindo suas histórias. Com certeza, Dona Maricota é uma das pioneiras desta Macapá, que, apesar da idade, não se esquece de momentos valiosos para esta cidade, são memórias e tradições que devem ser relembradas pelas próximas gerações.


quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Pioneirismo - Raimundo de Azevedo Costa



O município de Macapá completa 255 anos nesta semana, e a coluna Pioneirismo 
conta um pouco da história do homem que não apenas viu nossa cidade crescer,
mas também ajudou a construí-la.

por Bárbara de Azevedo Costa

Semente boa
Raimundo de Azevedo Costa, o primeiro prefeito eleito do município de Macapá, nasceu na localidade do Matapi em 30 de Agosto de 1938, quando o Estado era ainda Território Federal. Filho de José Duarte de Azevedo e Tereza de Azevedo Costa, a Lili, nosso jovem cresceu ao lado de sete irmãos - três mulheres e quatro homens. Um desses, inclusive, era gêmeo de Raimundo, e foi batizado Antônio, mais conhecido pela alcunha de "Pai Faca".
Com seus irmãos, Azevedo viveu ali no Matapi até os seis anos. O pai, agricultor, aventurou-se também no ofício de garimpeiro e mais tarde tornou-se funcionário público. A mãe fazia farinha e amassava açaí.

No ano de 1944, a família toda se mudou para o Formigueiro, logo atrás da Igreja de São José. E no dia 9 de Janeiro de 1957, após terminar o serviço militar, o rapaz conheceu Maria de Nazaré, uma mocinha de 17 anos, natural de Breves, com quem veio a se casar e teve oito filhos, e destes vieram mais de 20 netos.

Como se vê, Azevedo Costa brotou de origem muito simples. A terra, no entanto, era de qualidade excelente, e as raízes bem profundas. Assim, logo a trajetória do rapaz começou a brilhar.

Solo político
Após completar o primário no grupo escolar Barão do Rio Branco e cursar o segundo grau no Colégio Comercial do Amapá,(CCA) formando-se técnico em contabilidade, Azevedo Costa foi convidado pelo Sr. Binga Uchôa para fundar o MDB (Movimento Democrático Brasileiro) no Amapá.

"No ano de 1970, elegemos o deputado Antônio Cordeiro Pontes", conta Azevedo, "tomando o mandato do capitão Janary Gentil Nunes, que já fora governador do Amapá anteriormente".

Raimundo de Azevedo Costa, nesse ínterim, trabalhava como uma espécie de "office boy" da prefeitura de Macapá. Então ganhou uma bolsa para fazer parte do grupo que ficou conhecido como "A Turma do Buraco", e tinha a função de cavar e plantar árvores pela cidade.

Então, já se alargavam os passos políticos de Azevedo, que se mostrava um líder com personalidade e força de vontade inspiradora, até que no ano de 1972 foi eleito vereador pelo MDB no município de Macapá. Em 1974, foi reeleito. No ano seguinte, fez um curso para lecionar inglês. Daí então ser chamado, até os dias de hoje, de "professor Azevedo Costa".

Em 1985 foi eleito prefeito de Macapá pelo PMDB. (Partido do Movimento Democrático Brasileiro), Sagrou-se como o primeiro escolhido pelo voto popular, já que até então nunca houvera eleições efetivamente democráticas no município. Foi o mais votado do grupo de cinco candidatos a disputarem o pleito. Além do próprio Azevedo, concorriam Jarbas Gato (PFL), Júlio Pereira (PDT), Geovani Borges (PMN) e Braga (PT). Azevedo recebeu 52% dos votos, e foi o candidato mais votado do país (respeitando-se a proporcionalidade eleitoral dos municípios brasileiros).

O ex-prefeito relembra os tempos de campanha: "Eu havia conhecido o Ulysses [Guimarães] em 1970. Ele era presidente do diretório nacional do PMDB. Tornamos-nos grandes amigos... Ele veio à minha campanha em 1985, quando concorri à prefeitura, e fui eleito com o seu apoio. Que saudades daquele tempo!".

Posse do prefeito Raimundo de
Azevedo Costa no dia 1º de Janeiro de 1986
Azevedo prossegue com as reminiscências: "Em 1990, após sair de meu mandato, convidei o presidente José Sarney, que estava também saindo do seu, para ser candidato ao Senado Federal pelo Estado do Amapá... E nós conseguimos elegê-lo".

Assim, as experiências políticas do professor foram muitas, bem como os desafios. Diplomaram-no prefeito num momento em que Macapá possuía mais que o triplo do tamanho geográfico que tem hoje - antes de se desmembrarem os municípios de Santana, Ferreira Gomes, Porto Grande, Serra do Navio, Itaubal do Piririm e etc -, e infraestrutura quase nula. Tudo foi praticamente construído do zero. A população não tinha nem mesmo aspectos mínimos para sobrevivência. Era necessário ainda, a abertura de estradas, construções de casas, organização de bairros, saneamento básico, e tudo isso se fez.

Frutos eternos
Hoje, no ano em que completa 75 anos de idade, e seu município querido comemora 255, o professor e prefeito Raimundo de Azevedo Costa carrega consigo uma bagagem inigualável. Além das experiências da vida pública, hoje ainda atuando como conselheiro político, sempre presente, o homem desfruta ainda das alegrias dos admiradores, amigos e familiares lhe proporcionam. Família esta que, por sinal, não poupa palavras de admiração e orgulho na hora de falar sobre o patriarca.

"Meu pai se preocupa muito com o bem-estar dos outros", conta Solange, uma das filhas. "É um homem incrível. Não fala mal de ninguém, não apedreja, não aponta defeitos... Um verdadeiro cavalheiro. E nunca briga, sempre conversa, mas tem tamanha autoridade, que cala qualquer um".

Representando a nova geração, Clara, uma das netas de Azevedo, acrescenta: "Meu avô é muito especial. Ele é sábio, determinado, amoroso, e divertido também. Conta muitas histórias engraçadas e interessantes, quase sempre políticas... É um homem que zela pelo direito de cada um ser como é e expressar o que pensa, e eu sempre aprendo muito com ele... Não consigo descrever o tesouro que o meu avô é e o que ele faz por todos que precisam dele!".

Enfim, este é o homem. Raimundo de Azevedo Costa. Mais uma estrela nascida no seio de nossa Macapá. Um virtuoso. Um sonhador. Um fazedor. Um político como há muito não se vê. E, nas horas vagas, também um herói.  

ARTIGO DO GATO - Amapá no protagonismo

 Amapá no protagonismo Por Roberto Gato  Desde sua criação em 1988, o Amapá nunca esteve tão bem colocado no cenário político nacional. Arri...