“A grande riqueza que a minha mãe deixou pra nos foi à união e
o respeito. Nós temos um respeito muito
grande um pelo outro. É isso que eu vou deixar para os meus filhos”.
Raimunda do Rosário de Souza, Dona Diquinha
Iranilde Lobato
Da Reportagem
Da Reportagem
Carmo do Macacoari fica distante de Macapá 100 quilômetro. Essa é a
nossa ultima instância no encontro de um resgate das tradições, costumes e
integração da essência da cultura amapaense. Diversidade cultural, estórias e
histórias de um povo. É de lá que veio a nossa pioneira desta semana, trazendo
na sua bagagem toda essa cultura cantada nos ladrões do Marabaixo.
Raimunda do Rosário de Souza está com 75 anos,
veio da localidade do Macacoari ainda menina pra ser empregada domestica. Filha
de Joana Claudina do Rosário e João Afilhado; casada há 51 anos com Antônio de
Souza, teve 9 filhos e tem 14 netos e 1
bisneta.
Quem primeiro dar uma definição
do caráter e da personalidade dessa brava mulher é seu filho Luis Carlos do
Rosário Souza. “A minha mãe não teve
estudo, não teve oportunidade de estudar como a gente teve, mas o conhecimento
que ela tem de vida é maior do que qualquer mestrado’’. A vida não se aprende
na escola, tudo que temos, e tudo que estamos ainda construindo é graças a ela,
porque sempre temos ela por trás. Graças a Deus temos ela ainda pra nos
direcionar, e sempre que saímos do trilho ela está lá pra nos confortar. Somos
muito unidos, estamos sempre juntos e
temos muito orgulho de tê-la como mãe. E isso é muito bom pra todos nós. Não
temos sentimento de inveja, Família é o
mais importante”.
As raízes de Raimunda do Rosário
começa pela sua mãe Joana, que foi parteira e dona de casa, quando morava no
Macacoari, fazia o parto de todas as
mulheres de lá. Quando veio pra cidade continuou com a função de parteira.
“aqui no laguinho tinha muita gente pobre, ela passou muitos anos fazendo
parto, minha mãe morreu muito velhinha com mais de 100 anos. Eu não quis saber
de ser parteira, cada geração que vem o mundo é outro, a pessoa vai mudando de
vida, vai se conhecendo outras coisas”, conta nossa pioneira.
Conheceu o amor
Deixando as casas de família para ajudar sua irmã
Luiza a tomar conta dos filhos que iam nascendo, viu Antonio que chegou de
Alenquer, é foi morar numa casa bem em frente à de sua irmã, e os olhares
começaram, Antonia bem novinha passeava, observava não só os sobrinhos
brincarem na rua. ”ele trabalhava na CEA. Sempre nos víamos, mas foi num Arraial
de São José que a gente se encontrou. Ele me convidou pra jantar e começamos a
namorar isso resultou num casamento de 51 anos”.
Raimunda mora com o esposo
aposentado e um casal de filhos numa casa linda e aconchegante. ”Quando casei
fui cuidar da casa e depois dos filhos. A vida foi melhorando meus filhos
começaram a trabalhar, não casaram cedo e compravam as coisas pra casa. Ana
Ruth voltou de Belém engenheira, e começaram a fazer a planta e construir a
casa, não foi muito fácil, mais deu pra levantar. Antes era de madeira, foi
derrubada e construímos em alvenaria. Sempre conversei muito com os meus
filhos, e eu dizia: a nossa vida esta nas mãos de vocês, quando vocês crescerem
eu não quero que falte nada pra vocês”.
Saudades do tempo de criança
Quando éramos criança na antiga
Doca , onde hoje é o Centro Comercial,
alagava tudo, o Posto de Gasolina dos
Alcolumbre que hoje fica em frente as
Lojas Marisa, tinha um pé de grumixameira, quando a gente ia fazer “mandado” (fazer
compras) demorávamos muito, porque subíamos no pé da grumixameira e ficava esperando a maré vazar para irmos embora.
“Aqui já tínhamos telefone que foi ligado na
casa do Mestre Julião Ramos e que era do
governo do Território. A Feira funcionava em uma ponte, nesse local
foram as primeiras pessoas a criarem porco branco aqui em Macapá, e eu
tinha medo daqueles porcos. E eu dava uma volta imensa pra não passar por lá.”,
narra seu causos Dono Diquinha.
Honestidade é o maior patrimônio
Lamenta não ter tido a
oportunidade de conhecer seu pai, “ Ele morreu eu estava com dois anos de idade,
mas eu sou muito feliz”. Quando eu me empregava nas casas de família, sempre
mostrei confiança, hoje a honestidade está ficando muito difícil, as pessoas
roubam, não existe respeito, antes o respeito era muito grande. Quando éramos
criança se respeitava todo mundo.
Além da casa do Coronel Janary
Nunes o primeiro governador do Amapá, Raimunda morou com outras famílias como a
da professora Maria Cavalcante. “ Naquela época a vida era mais fácil todo
mundo se conhecia, e mesmo as pessoas que não se conheciam, ajudavam a gente da
mesma forma. Meus filhos todos estudaram e se formaram. E eu sai logo atrás de
emprego pra eles, meu filho mais velho o Antônio Carlos foi o primeiro a se
empregar, foi trabalhar na prefeitura como fiscal, ele tinha 19 anos. Exerce essa função até hoje e ele começou a ajudar na rende da casa e a
criar os outros irmãos e colocar pra estudar, fora de Macapá”
Com referencia a ser empregada
domestica não lhe passa em nenhum momento vergonha dos serviços. “Eu não me
arrependo de não ter trabalhado fora de casa, eu consegui ser muito presente na
vida dos meus filhos e conseguir fazer deles o que eu queria, são pessoas do
bem, se eu fosse trabalhar fora talvez não tivesse conseguido criar do jeito
que eu criei. Meus filhos são todos empregados, e tem a família deles, vivem
uma vida bem correta”.
Continuando Raimunda conta que:
“A grande riqueza que a minha mãe deixou pra nos foi à união e o respeito. A
gente tem um respeito muito grande um pelo outro. É o que eu deixo pros meus
filhos. Eles são adultos com família, mas quando eu vejo uma discussão e sei
que não vai da certo eu os mando logo cala a boca”.
O tempo foi passando eu sou muito
feliz, Hoje as pessoas não são felizes porque elas não procuram ser feliz ela
procuram só a infelicidade
Seus filhos
Antonio Carlos do Rosário Souza,
Antonio Claudio do Rosário Souza, Ana Rubia do Rosário Souza, Ana Claudia do Rosário Souza e Ana Ruth do Rosário
Souza trabalha na saúde.

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