por Fabiana Figueiredo
Nossos atletas amapaenses que jogaram nos campos de futebol de seus bairros antigos, numa época em que jogar futebol não era considerado profissão e se esforçavam para fazer um belo espetáculo dentro de campo, hoje se orgulham de terem participado da considerada melhor fase do futebol amapaense. O atleta do passado desta semana comprova que é verdade e conta um pouco de sua história de sucesso com a bola nos pés.
Paulo Ramabi Ataíde, 56 anos, conhecido pela alcunha de Ramabi, é apaixonado pelo futebol desde criança: "desde criança eu jogava futebol. Com 12 anos, minha mãe brigava comigo porque eu não ficava no colégio, porque eu saia para o recreio, ia direto para o futebol de campo e não voltava para a escola, tanto que eu chegava com a camisa suada em casa", conta o ex-atleta.
Seu primeiro clube era, da segunda divisão do futebol amador, o Clube Atlético Cristal, quando começou aos 17 anos de idade. Ramabi atuou na posição lateral esquerda, e logo foi descoberto por Nanô, do bairro do trem. "Ele me viu jogando e veio me fazer um convite para ir jogar no Ypiranga Clube, em 1976". Ele foi contratado como reserva, e foi no mesmo ano que o time disputou o Torneio de Integração da Amazônia, mais conhecido como Copão da Amazônia. Jogou de 1977 até 1980 como titular, e declara: "Meu clube de coração é o Ypiranga".
Ramabi seguiu para o Trem Desportivo Clube, onde jogou por um ano; para o Amapá Clube, por seis meses; para o Esporte Clube Macapá, por dois anos; para o Independente Esporte Clube, por dois anos - onde viajou para Roraima e jogou no Copão da Amazônia; disputou e foi campeão do Campeonato Amapaense de 1983 -; e mais dois anos no Oratório Recreativo Clube, encerrando sua carreira de jogador, "porque eu sentia o corpo cansado já".
Quando ele estava jogando no Oratório, ele se relembra que ganhou responsabilidade e disciplina: "para participar dos jogos do time, tinha que ir à missa, era exigência do padre para participar das atividades desportivas. Me lembro que a primeira missa começava cinco e meia da manhã, era o Padre Raimundo. Isso tudo era uma cobrança e uma motivação, que contribuiu na minha vida não só na religião, mas eu como pessoa".
Nosso atleta do passado ressalta que as dificuldades não atrapalhavam o sonho de ser do mundo futebolístico. "Apesar de todas as dificuldades que tinha, mesmo assim a gente se dedicava. Nessa época, o futebol amador realmente dava prazer de jogar, porque havia uma dedicação maior, tanto por parte dos dirigentes quanto dos atletas". E o futebol pode lhe proporcionar grandes benefícios: "Eu tinha o prazer de jogar, isso aí eu trago desde criança; e tive a oportunidade do meu primeiro emprego, graças ao futebol. Quando fui contratado para jogar no Ypiranga, a única exigência que fiz foi um emprego, hoje sou aposentado da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros".
Um jogo marcante? Ele cita o que aconteceu com o Clube do Remo, quando ainda jogava no Independente: "Foi no Glicério [Marques]. Nessa época, eu joguei de quarto zagueiro, marquei o Mesquita, centro avante do Remo. Fiz uma belíssima apresentação, e até me convidaram para fazer um teste no Paysandu, foi por isso que me marcou. Mas, para minha sorte, eu optei em ficar por aqui".
Ramabi fala da juventude de hoje: "É lamentável ver jovens perdidos através das drogas, bebidas, prostituição, de inúmeras coisas que não valem a pena; se puderem que procurem estudar, e procurar um meio de valorizar a vida. Praticando o esporte, não deixando o estudo de lado, com certeza, o esporte vai ajudar e muito, não só na saúde mas como pessoa".
Para Ramabi, o futebol do Amapá é parte de sua vida, e ele não se arrepende de ter feito nada, e faria de novo. "Por causa do futebol eu não seria o homem que sou hoje, realizado profissionalmente, tenho uma família maravilhosa, formada através do futebol", finaliza.

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