segunda-feira, 7 de agosto de 2017

PIONEIRISMO







“Essa disposição de nossa família em sermos seres políticos ativos no Amapá, graças a Deus, a segunda geração dos Valentes/Gemaque está seguindo fielmente, e sempre lutaremos pelo desenvolvimento da nossa terra, o Amapá”.

 
Azolfo Gemaque dos Santos – Administrador de Empresas – professor universitário e funcionário público federal.

Reinaldo Coelho

Esta semana a editoria do pioneirismo estará trazendo aos seus leitores a história de um jovem pioneiro macapaense, filho de tradicional família radicada no Amapá os Valentes/Gemaque. O casal fundador dessa genealogia, José Valente dos Santos (funcionário público) e Germana Gemaque dos Santos (dona de casa) constituíram sua família e construíram sua residência na fronteira de três bairros – Perpetuo Socorro, Pacoval e Laguinho – na Rua São José, no famoso Morro do Sapo.
Seu José e Dona Germana geraram 09 filhos, entre eles Azolfo Gemaque dos Santos, 63 anos (29/05/54). “Meu pai teve cinco filhos do seu primeiro casamento e nove no segundo. Sempre moraram no Morro do Sapo e até hoje nossa residência familiar se encontra lá”.

Trajetória de vida

A efervescência política, cultural e comportamental marcou as décadas de 60/70. De indumentária despojada os jovens rebeldes da década de 60 se inspiravam nas ideias de Guy Debord, Jean Paul Sartre, no cinema da Nouvelle Vague, na música dolorosa de Janis Joplin e nos ideais revolucionários marxistas. De Norte a Sul do mundo jovens clamavam por liberdade, independência em relação aos valores dominantes e igualdade. E nosso homenageado da semana, mesmo longe dos centros turbulentos dos movimentos juvenis, junto com seus amigos e colegas, foi um ativista na sua época.
Convidado a contar sua trajetória de vida, Azolfo relembra que teve uma infância sadia e como os demais colegas, participava das brincadeiras de rua, peladas, empinar papagaio e jogar peteca. “Mas não foi só brincar, tínhamos a obrigação de estudar e isso devia ser a prioridade. Estudei na Escola Barão do Rio Branco, Escola São Benedito e terminei o colegial no Colégio Comercial do Amapá, onde me formei em Técnico de Contabilidade, profissão que pouco exercitei”.
A juventude foi vivida intensamente, porém, além dos estudos, Azolfo Gemaque priorizou o trabalho. “Meus pais nãos nos obrigavam a trabalhar, mas comecei aos 14 anos a ralar no Comércio de uma tia”.

Movimento estudantil

Na época em que o movimento estudantil incentivava a participação da juventude nos protestos políticos no Brasil, o ano de 68 foi marcado pelo recrudescimento da ditadura militar devido ao Ato Institucional n0 5 (AI-5), durante o governo de Arthur da Costa e Silva.
Azolfo Gemaque relembra que muitos dos seus colegas ativistas estudantis  também tombaram no meio da caminhada da vida, outros permaneceram na luta. Uma das lembranças desagradáveis de nosso pioneiro é o período estudantil secundarista, quando a Ditadura Militar tomava o poder brasileiro e reinava no então Território Federal do Amapá. Um dos seus irmãos, o professor Nestlerino dos Santos Valente era um dos líderes estudantis e ele participava desse movimento contra ditadura. “Fui vítima de tortura psicológica, pois vivíamos em constantes ameaças e tive os primeiros anos da juventude monitorados pelo regime ditatorial. Muitos foram presos e ameaçados. Foi uma época de muita dificuldade que repercutiu durante os anos na minha vida profissional”.
Ele narra que muitos dos seus professores não aceitavam suas posições ideológicas. “Na época começou o mito do "engasga-engasga" que foi usado como mecanismo de controle social durante a Ditadura Militar e que levou muitos dos meus colegas para o cárcere. Fui preso oito vezes junto com o Fernando Canto, João de Deus”.

A volta

Nesse interim, concluído o ensino comercial, Azolfo Gemaque teve de se mudar para Belém onde prestou vestibular e passou a frequentar a Universidade Federal do Pará, onde se formou em Administração de Empresa. “Aqui não tínhamos ensino superior e meus pais, que tinham a educação como prioridade para todos os filhos, tanto que os meus irmãos são formados e graças a Deus vivem do que aprenderam. A regra era estudar que eles bancariam nossos estudos, mas eu parti para trabalhar na cidade de Belém”.
De acordo com Azolfo ele fez de tudo, do magistério ao emprego público. “Mesmo com a recomendação materna, e acostumado a ralar, pois aos 14 anos trabalhei na Fundação João Pinheiro, no Escritório de Contabilidade Paraibana e em Belém, não hesitei e comecei a trabalhar, fui professor, estagiei na Junta Comercial paraense, mas o tempo maior passei dando aula. Lecionei no Colégio Fênix Caixeiral Paraense, Instituto Brasil, Colégio Líder e assim fui sobrevivendo e alcancei minha meta, me formar”.
Essa experiência no magistério durou 29 anos, além de lecionar antes e durante o período acadêmico, Azolfo continuou a frequentar a sala de aula das universidades. “Além de Administrador de Empresa, tenho cinco pós-Graduação e sou professor Universitário, lecionei na UNIFAP, CEAP, FAMAP, Madre Teresa e INMES”.
Mas para chegar a esse status, Azolfo Gemaque, ainda com a fama de combatente da ditadura, ao retornar ao Amapá teve de esperar para assumir um cargo público. “Entrei na Aster/Amapá, através de prova de titulação, onde cheguei a chefiar o órgão e o atual governador Waldez Góes, pertencia ao quadro da empresa”.
E devido sua posição política, ele foi um dos servidores lotados ‘embaixo da Mangueira’. “Os servidores que frequentavam a mangueira em frente a secretaria de Administração do território eram os que não rezavam pela cartilha do governador Aníbal Barcellos. Somente assinávamos o ponto. Até que um dia o Chefe do RH, me comunicou que eu estava lotado em outro órgão federal no Acre. Era eu, Adalberto Alcântara, José de Arimatéia Verneth Cavalcante e Deisse Maria Nascimento. Dez dias depois não íamos mais para o Acre, estávamos lotados em outro órgão, o Centro Brasileiro para a Infância e Adolescência (CBIA) com sede no Rio de Janeiro e com uma representação no Amapá. Me apresentei mas o chefe local não sabia da minha lotação. Porém, lá fiquei. Quando o FHC assumiu a presidência extinguiu esse órgão que era do Ministério da Justiça e tivemos a opção de escolher entre FUNAI, Policia Rodoviária Federal e a Policia Federal, e optei pela PRF. Em 1996 fui colocado à disposição do governo Estadual até 2002, no governo de Camilo Capiberibe voltei ao Estado e, retornei PRF em 2015”.
Azolfo Gemaque nestes períodos que ficou à disposição do Governo do Estado do Amapá, foi para assumir cargos no governo João Alberto Capiberibe e de Camilo Capiberibe. “No governo do Capi fui diretor do Departamento de Fiscalização Tributária, fui assessor especial do governador por quatro vezes, fui diretor do Instituto de Saúde Dr. Alberto Lima. No governo Camilo fui diretor administrativo da CEA e secretário de Administração do Estado do Amapá”.
Hoje, Azolfo Gemaque está no Planejamento Estratégico da Polícia Rodoviária Federal. Com 37 anos de serviços prestados ao serviço público e 63 anos de amor a sua terra natal, ele verifica que estes anos o Amapá cresceu muito, porém o desenvolvimento está ainda devagar. Uma das situações que mais revolta é a falta de fiscalização e de ações estruturais pela prefeitura de Macapá. “Eu vejo como descaso da atual gestão, a situação em que se encontram os passeios públicos de Macapá, todos ocupados por vendedores ambulantes. Eles retiram ambulantes de locais que não existe problemas, como no Cais do Açaí, porém as calçadas do Chapéu de Palha, ninguém pode andar. Tem uma loja em alvenaria na calçada próximo ao Bradesco, na Padre Júlio que nenhum prefeito consegue tirar dali. Porque? Os bairros da periferia estão uma calamidade, era a lama e agora vem a poeira”.

Um detalhe, Azolfe Gemaque dos Santos é solteiro, tem uma filha, Alba Carolina Tavares dos Santos, psicóloga e com pós-Graduação em Sigmund Freud.

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