“Essa disposição de nossa família em sermos seres políticos ativos
no Amapá, graças a Deus, a segunda geração dos Valentes/Gemaque está seguindo
fielmente, e sempre lutaremos pelo desenvolvimento da nossa terra, o Amapá”.
Azolfo Gemaque dos Santos – Administrador de Empresas – professor
universitário e funcionário público federal.
Reinaldo
Coelho
Esta semana a editoria do pioneirismo estará trazendo aos seus
leitores a história de um jovem pioneiro macapaense, filho de tradicional
família radicada no Amapá os Valentes/Gemaque. O casal fundador dessa
genealogia, José Valente dos Santos (funcionário público) e Germana Gemaque dos
Santos (dona de casa) constituíram sua família e construíram sua residência na
fronteira de três bairros – Perpetuo Socorro, Pacoval e Laguinho – na Rua São
José, no famoso Morro do Sapo.
Seu José e Dona Germana geraram 09 filhos, entre eles Azolfo
Gemaque dos Santos, 63 anos (29/05/54). “Meu
pai teve cinco filhos do seu primeiro casamento e nove no segundo. Sempre
moraram no Morro do Sapo e até hoje nossa residência familiar se encontra lá”.
Trajetória
de vida
A efervescência política, cultural e comportamental marcou as
décadas de 60/70. De indumentária despojada os jovens rebeldes da década de 60
se inspiravam nas ideias de Guy Debord, Jean Paul Sartre, no cinema da Nouvelle
Vague, na música dolorosa de Janis Joplin e nos ideais revolucionários marxistas.
De Norte a Sul do mundo jovens clamavam por liberdade, independência em relação
aos valores dominantes e igualdade. E nosso homenageado da semana, mesmo longe
dos centros turbulentos dos movimentos juvenis, junto com seus amigos e
colegas, foi um ativista na sua época.
Convidado a contar sua trajetória de vida, Azolfo relembra que
teve uma infância sadia e como os demais colegas, participava das brincadeiras
de rua, peladas, empinar papagaio e jogar peteca. “Mas não foi só brincar, tínhamos a obrigação de estudar e isso devia
ser a prioridade. Estudei na Escola Barão do Rio Branco, Escola São Benedito e
terminei o colegial no Colégio Comercial do Amapá, onde me formei em Técnico de
Contabilidade, profissão que pouco exercitei”.
A juventude foi vivida intensamente, porém, além dos estudos,
Azolfo Gemaque priorizou o trabalho. “Meus
pais nãos nos obrigavam a trabalhar, mas comecei aos 14 anos a ralar no
Comércio de uma tia”.
Movimento
estudantil
Na época em que o movimento estudantil incentivava a participação
da juventude nos protestos políticos no Brasil, o ano de 68 foi marcado pelo
recrudescimento da ditadura militar devido ao Ato Institucional n0 5 (AI-5),
durante o governo de Arthur da Costa e Silva.
Azolfo Gemaque relembra que muitos dos seus colegas ativistas
estudantis também tombaram no meio da
caminhada da vida, outros permaneceram na luta. Uma das lembranças
desagradáveis de nosso pioneiro é o período estudantil secundarista, quando a
Ditadura Militar tomava o poder brasileiro e reinava no então Território
Federal do Amapá. Um dos seus irmãos, o professor Nestlerino dos Santos Valente
era um dos líderes estudantis e ele participava desse movimento contra
ditadura. “Fui vítima de tortura
psicológica, pois vivíamos em constantes ameaças e tive os primeiros anos da
juventude monitorados pelo regime ditatorial. Muitos foram presos e ameaçados.
Foi uma época de muita dificuldade que repercutiu durante os anos na minha vida
profissional”.
Ele narra que muitos dos seus professores não aceitavam suas
posições ideológicas. “Na época começou o
mito do "engasga-engasga" que foi usado como mecanismo de controle
social durante a Ditadura Militar e que levou muitos dos meus colegas para o
cárcere. Fui preso oito vezes junto com o Fernando Canto, João de Deus”.
A volta
Nesse interim, concluído o ensino comercial, Azolfo Gemaque teve
de se mudar para Belém onde prestou vestibular e passou a frequentar a
Universidade Federal do Pará, onde se formou em Administração de Empresa. “Aqui não tínhamos ensino superior e meus
pais, que tinham a educação como prioridade para todos os filhos, tanto que os
meus irmãos são formados e graças a Deus vivem do que aprenderam. A regra era
estudar que eles bancariam nossos estudos, mas eu parti para trabalhar na
cidade de Belém”.
De acordo com Azolfo ele fez de tudo, do magistério ao emprego
público. “Mesmo com a recomendação
materna, e acostumado a ralar, pois aos 14 anos trabalhei na Fundação João
Pinheiro, no Escritório de Contabilidade Paraibana e em Belém, não hesitei e
comecei a trabalhar, fui professor, estagiei na Junta Comercial paraense, mas o
tempo maior passei dando aula. Lecionei no Colégio Fênix Caixeiral Paraense,
Instituto Brasil, Colégio Líder e assim fui sobrevivendo e alcancei minha meta,
me formar”.
Essa experiência no magistério durou 29 anos, além de lecionar
antes e durante o período acadêmico, Azolfo continuou a frequentar a sala de
aula das universidades. “Além de
Administrador de Empresa, tenho cinco pós-Graduação e sou professor
Universitário, lecionei na UNIFAP, CEAP, FAMAP, Madre Teresa e INMES”.
Mas para chegar a esse status, Azolfo Gemaque, ainda com a fama de
combatente da ditadura, ao retornar ao Amapá teve de esperar para assumir um
cargo público. “Entrei na Aster/Amapá,
através de prova de titulação, onde cheguei a chefiar o órgão e o atual
governador Waldez Góes, pertencia ao quadro da empresa”.
E devido sua posição política, ele foi um dos servidores lotados
‘embaixo da Mangueira’. “Os servidores
que frequentavam a mangueira em frente a secretaria de Administração do
território eram os que não rezavam pela cartilha do governador Aníbal
Barcellos. Somente assinávamos o ponto. Até que um dia o Chefe do RH, me
comunicou que eu estava lotado em outro órgão federal no Acre. Era eu,
Adalberto Alcântara, José de Arimatéia Verneth Cavalcante e Deisse Maria
Nascimento. Dez dias depois não íamos mais para o Acre, estávamos lotados em
outro órgão, o Centro Brasileiro para a Infância e Adolescência (CBIA) com sede
no Rio de Janeiro e com uma representação no Amapá. Me apresentei mas o chefe
local não sabia da minha lotação. Porém, lá fiquei. Quando o FHC assumiu a presidência
extinguiu esse órgão que era do Ministério da Justiça e tivemos a opção de
escolher entre FUNAI, Policia Rodoviária Federal e a Policia Federal, e optei
pela PRF. Em 1996 fui colocado à disposição do governo Estadual até 2002, no
governo de Camilo Capiberibe voltei ao Estado e, retornei PRF em 2015”.
Azolfo Gemaque nestes períodos que ficou à disposição do Governo
do Estado do Amapá, foi para assumir cargos no governo João Alberto Capiberibe
e de Camilo Capiberibe. “No governo do
Capi fui diretor do Departamento de Fiscalização Tributária, fui assessor
especial do governador por quatro vezes, fui diretor do Instituto de Saúde Dr.
Alberto Lima. No governo Camilo fui diretor administrativo da CEA e secretário
de Administração do Estado do Amapá”.
Hoje, Azolfo Gemaque está no Planejamento Estratégico da Polícia
Rodoviária Federal. Com 37 anos de serviços prestados ao serviço público e 63
anos de amor a sua terra natal, ele verifica que estes anos o Amapá cresceu
muito, porém o desenvolvimento está ainda devagar. Uma das situações que mais
revolta é a falta de fiscalização e de ações estruturais pela prefeitura de
Macapá. “Eu vejo como descaso da atual
gestão, a situação em que se encontram os passeios públicos de Macapá, todos
ocupados por vendedores ambulantes. Eles retiram ambulantes de locais que não
existe problemas, como no Cais do Açaí, porém as calçadas do Chapéu de Palha,
ninguém pode andar. Tem uma loja em alvenaria na calçada próximo ao Bradesco,
na Padre Júlio que nenhum prefeito consegue tirar dali. Porque? Os bairros da
periferia estão uma calamidade, era a lama e agora vem a poeira”.
Um detalhe, Azolfe Gemaque dos Santos é solteiro, tem uma filha,
Alba Carolina Tavares dos Santos, psicóloga e com pós-Graduação em Sigmund
Freud.

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