sexta-feira, 6 de abril de 2018

SAÚDE EM FOCO



 
                    TUCUMÃ: FRUTA CABOCLA PARA A SAÚDE HUMANA
         As estatísticas dizem que a expectativa de vida aumentou nas últimas décadas, devido os bens do desenvolvimento e do avanço da Medicina.  Contrariando essa hipótese muitas pessoas longevas, tanto em países orientais quanto no Brasil, não desfrutaram dos cuidados da Medicina e nem do desenvolvimento e, no entanto, vivem com saúde às vezes por século.
       Ao escrever esse artigo veio a lembrança minha infância no interior do Pará (Curuçá). Vivia, brincava, corria no quintal, subia nas árvores frutíferas (coco, cupuaçu, cacau, acerola (ginja), abiu, manga, abacate). No fundo, próximo do mangue, tinha uma touceira de tucumanzeiros, que aguardávamos ansiosos as frutas. No período das chuvas, entre os espinhos, colhíamos os tucumãs alaranjados e suculentos.
       Essa palmeira amazônica (Astrocaryum aculeatum) nos dá uma fruta típica da região, o tucumã, que durante séculos é consumida pelos povos da floresta e aos poucos chegou na cidade, sendo, agora, estudada como contendo biativos nutracêuticos e medicamentosos.                      
       Conforme Garcia LFM (2012), o tucumã contém vários princípios ativos, como fibras, gorduras (ácidos graxos), vitaminas (A, C e E), sais minerais ( magnésio, potássio, cálcio), que atuam na nutrição humana. Mas também possui compostos que atuam farmacologicamente como medicamentos:  polifenóis, flavonoides e taninos, com maior composição na polpa. 
       Pela composição em betacaroteno (Provitamina A), rutina, quercetina, ácidos gálico, cafeico e clorogênico, possui alta atividade antioxidante, ou melhor, contra os radicais livres, que aceleram o envelhecimento, provocam inflamações, enrijecem e entopem os vasos (aterosclerose) e causam doenças crônico-degenerativas. Como vemos, uma simples fruta contém substâncias que se contrapõem ao envelhecimento e melhoram a saúde.  
       Mas vamos destacar o uso terapêutico dos biativos do fruto, que se mostra promissor no combate às enfermidades da terceira idade e que prolonga a expectativa de vida.
        O grupo dos flavonoides, de ampla distribuição no reino vegetal, possui entre as propriedades farmacológicas: ação sobre os capilares sanguíneos, ação em distúrbios cardíacos e circulatórios, ação antiespasmódica, diurética, estrogênica e até hipoglicemiantes. Melhora, portanto, a permeabilidade vascular, a função renal e circulação, impedindo enfartes, derrames e tromboses.
        Os polifenóis vão formar os taninos, que possuem ação adstringente, antidiarreicos, hemostáticos e cicatrizantes, ação vasoconstritora e antisséptica intestinal. Eles atuam nas mucosas, que se tornam mais densas e menos permeáveis, impedindo a ação de microrganismos e substâncias irritantes.
       O fruto se origina de uma planta carotenoide, pois contém betacaroteno, pigmento amarelo-laranja que dá cor ao tucumã. O ß-caroteno é precursor da vitamina A, sendo considerado um poderoso antioxidante, fotoprotetor e anticancerígeno. Essas proteções decorrem de sua atividade antioxidante, prevenindo a lesão oxidativa das células. 
       Outra característica é a riqueza em óleos (32 a 58%) em cuja composição predomina ácidos graxos poliinsaturados, como ácido oléico (46 –58 %), ácido linoléico (3 –26 %), ácido linolênico (0,9 –5 %), principalmente na espécie Tucumã do Amazonas (Astrocaryum aculeatum Meyer), conforme estudos feitos na UFPa (Bárbara ECV, 2010). 
       A alta concentração em ácidos graxos insaturados o faz atuar como importante agente antioxidante, prevenindo a formação de radicais peróxidos e radicais livres, apresentando ações anticarcinogênica, antimicrobianas, protetor da visão entre outras funções biológicas. Assim, quem mora no interior e consome o tucumã está cuidando da saúde e acrescentando anos de vida. 26.03.2018.





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