TUCUMÃ: FRUTA CABOCLA PARA
A SAÚDE HUMANA
As estatísticas dizem que a
expectativa de vida aumentou nas últimas décadas, devido os bens do
desenvolvimento e do avanço da Medicina.
Contrariando essa hipótese muitas pessoas longevas, tanto em países
orientais quanto no Brasil, não desfrutaram dos cuidados da Medicina e nem do
desenvolvimento e, no entanto, vivem com saúde às vezes por século.
Ao escrever esse artigo veio a lembrança
minha infância no interior do Pará (Curuçá). Vivia, brincava, corria no
quintal, subia nas árvores frutíferas (coco, cupuaçu, cacau, acerola (ginja),
abiu, manga, abacate). No fundo, próximo do mangue, tinha uma touceira de
tucumanzeiros, que aguardávamos ansiosos as frutas. No período das chuvas, entre
os espinhos, colhíamos os tucumãs alaranjados e suculentos.
Essa
palmeira amazônica (Astrocaryum aculeatum)
nos dá uma fruta típica da região, o
tucumã, que durante séculos é consumida pelos povos da floresta e aos
poucos chegou na cidade, sendo, agora, estudada como contendo biativos
nutracêuticos e medicamentosos.
Conforme Garcia LFM (2012), o tucumã
contém vários princípios ativos, como fibras, gorduras (ácidos graxos),
vitaminas (A, C e E), sais minerais ( magnésio, potássio, cálcio), que atuam na
nutrição humana. Mas também possui compostos que atuam farmacologicamente como
medicamentos: polifenóis, flavonoides e
taninos, com maior composição na polpa.
Pela composição em betacaroteno (Provitamina
A), rutina, quercetina, ácidos gálico, cafeico e clorogênico, possui alta atividade antioxidante, ou melhor,
contra os radicais livres, que aceleram o envelhecimento, provocam inflamações,
enrijecem e entopem os vasos (aterosclerose) e causam doenças
crônico-degenerativas. Como vemos, uma simples fruta contém substâncias que se contrapõem ao envelhecimento e melhoram a
saúde.
Mas vamos destacar o uso terapêutico dos
biativos do fruto, que se mostra promissor no combate às enfermidades da
terceira idade e que prolonga a expectativa de vida.
O
grupo dos flavonoides, de ampla distribuição no reino vegetal, possui
entre as propriedades farmacológicas: ação sobre os capilares sanguíneos, ação
em distúrbios cardíacos e circulatórios, ação antiespasmódica, diurética,
estrogênica e até hipoglicemiantes. Melhora, portanto, a permeabilidade
vascular, a função renal e circulação, impedindo enfartes, derrames e
tromboses.
Os polifenóis
vão formar os taninos, que possuem ação adstringente,
antidiarreicos, hemostáticos e cicatrizantes, ação vasoconstritora e
antisséptica intestinal. Eles atuam nas mucosas, que se tornam mais densas e menos
permeáveis, impedindo a ação de microrganismos e substâncias irritantes.
O fruto se origina de uma planta carotenoide,
pois contém betacaroteno, pigmento amarelo-laranja que dá cor ao tucumã.
O ß-caroteno é precursor da vitamina A, sendo considerado um poderoso
antioxidante, fotoprotetor e anticancerígeno. Essas proteções decorrem de sua atividade
antioxidante, prevenindo a lesão oxidativa das células.
Outra
característica é a riqueza em óleos (32 a 58%) em cuja composição predomina ácidos
graxos poliinsaturados, como ácido oléico (46 –58 %), ácido linoléico (3 –26
%), ácido linolênico (0,9 –5 %), principalmente na espécie Tucumã do Amazonas (Astrocaryum aculeatum Meyer), conforme
estudos feitos na UFPa (Bárbara ECV, 2010).
A alta concentração em ácidos graxos
insaturados o faz atuar como importante agente antioxidante, prevenindo a
formação de radicais peróxidos e radicais livres, apresentando ações
anticarcinogênica, antimicrobianas, protetor da visão entre outras funções
biológicas. Assim, quem mora no interior e consome o tucumã está cuidando da saúde
e acrescentando anos de vida. 26.03.2018.
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