sábado, 22 de dezembro de 2018

ANÁLISE - ADRIMAURO GEMAQUE




Pagamento do 13º nos municípios: Um desafio para os prefeitos

A Lei nº 4.090/62, institui o pagamento do 13º salário o que corresponde a 1/12 avos da remuneração do trabalhador por mês trabalhado e que também ficou conhecida como gratificação natalina.
Com a chegada do final de ano agora, os prefeitos têm um desafio pela frente, que é o de pagar o 13º dos servidores públicos municipais. Os cofres dos municípios estão vazios. A crise econômica, a maior da história da república brasileira impactou diretamente na arrecadação dos municípios, este foi o primeiro problema e o segundo, é os prefeitos continuam aumentando o gasto com pessoal com isso a despesa só vem crescendo.
Considerando que a primeira parcela já foi paga, falta a segunda que nada mais é do que o montante residual, descontadas as contribuições previdenciárias e tributos, e deve ser paga no mês de dezembro.
Evidentemente, que o 13º salário ou gratificação natalina dobra o gasto com pessoal das prefeituras no final de cada exercício. Por outro lado, em sendo pagos os efeitos são consideráveis na economia do município. É mais dinheiro circulando.
Objetivando mensurar a realidade do pagamento do 13º salário pelos municípios, a Confederação Nacional de Municípios (CNM) realizou uma pesquisa nacional na busca de melhor entendimento sobre o assunto. A pesquisa foi realizada no período de 19 de novembro a 11 de dezembro de 2018 e divulgado no dia 17 do deste mês.
A estimativa era de abranger 5.568 municípios. Porém, somente 4.559 responderam a pesquisa, ou seja, 81,9%. Não responderam 1.009 cidades. No Rio Grande do Sul todas as prefeituras responderam a pesquisa. Roraima foi o estado com a menor participação das 15 prefeituras, apenas 5 participaram, ou seja, 33,3%. No Amapá, dos 16 municípios 11 responderam a pesquisa o que representou 68,8% de participação.
O estudo focou na crise financeira enfrentada pelos municípios nos últimos anos dentre eles como; repasse extra de 1% FPM, dimensionar a realidade do pagamento de salários do funcionalismo municipal para saber se os salários estão em dia, levantar se a prefeitura deixará Restos a Pagar para o próximo ano e por fim se será pago a gratificação natalina
O estudo destaca que base na Pesquisa de Informações Básicas Municipais (Munic) do IBGE e o Finanças do Brasil (FINBRA), o pagamento do 13º salário aos mais de 6 milhões de funcionários municipais irá representar uma injeção adicional de recursos na economia de R$ 22,8 bilhões nesse fim de ano. Esse montante irá aquecer a economia brasileira. A média de remuneração dos servidores municipais no país é de R$ 3.753.
Os municípios do estado de São Paulo terão o maior gasto total do país: R$ 5,7 bilhões. São no estado 996.874 servidores municipais com média salarial de R$ 5.733. Já o estado com o menor gasto é Roraima com R$ 49,3 milhões. Os municípios de Roraima possuem 17.337 servidores e a remuneração média é R$ 2.846. Os gasto dos municípios do Amapá serão de R$ 57,1 milhões com os 20.223 servidores e uma remuneração média de R$ 2.827.  
O estudo da CNM no que se refere à possibilidade de atraso dos salários do mês de dezembro de 2018, 3.491 (76,6%) municípios responderam que efetuarão o pagamento em dia e 705 (15,5%) atrasarão os pagamentos do funcionalismo público municipal. Veja o gráfico:

FOLHA DE PAGAMENTO DO MÊS DE DEZEMBRO DE 2018


         Fonte: Confederação Nacional dos Municípios – CNM

Com relação à gratificação natalina, o estudo aponta pode ser paga em parcela única ou em duas parcelas. Dos 4.559 municípios pesquisados, 51,7% declararam-se optantes do pagamento em parcela única e têm até o dia 20 de dezembro para fazê-lo. Outros 46,9% afirmaram que efetuarão o pagamento em duas parcelas: a primeira paga até 30 de novembro e a segunda até 20 de dezembro. Dos 2.358 municípios que responderam que fazem a opção do pagamento único, 19,8% disseram que já pagaram seus servidores, 71,0% realizarão o pagamento no dia 20, enquanto 7,9% declararam que terão dificuldades em honrar este compromisso. Os outros 1,3% não responderam a essa pergunta. Veja o gráfico:

PAGAMENTO DA PARCELA ÚNICA DO 13º SALÁRIO

            Fonte: Confederação Nacional dos Municípios – CNM
Neste contexto, vale destacar a série histórica ao se comparar os resultados da pesquisa de 2018 com os resultados obtidos nas pesquisas anteriores, constata-se um aumento no atraso do pagamento da parcela única do 13º salário em relação a 2017.

ATRASO NO PAGAMENTO DA PARCELA ÚNICA DO 13º SALÁRIO


       Fonte: Confederação Nacional dos Municípios – CNM

Das informações trazidas pelo estudo o que chama a atenção, é o crescimento do percentual de municípios que declararam que atrasarão o pagamento da gratificação natalina. Isso vai exigir que os gestores municipais busquem recursos e evitem o atraso do pagamento do 13º salário aos servidores municipais.
Em fevereiro deste ano escrevi um artigo “Responsabilidade Fiscal: Municípios ”fora da lei”, nele abordei que o gasto com pessoal era o grande entrave na gestão fiscal dos municípios, destacando que em 2016 as prefeituras comprometeram mais de 50% de seus orçamentos com a folha de pagamento.
Não resta dúvida de que a crise financeira foi generalizada e os municípios foram atingidos em cheio. Também o aumento das responsabilidades dos municípios, agregada à alta dependência financeira das transferências dos tributos federais tem colocado as prefeituras em dificuldade. Isso pode ter implicado diretamente no pagamento da gratificação natalina aos servidores públicos municipais. Os Prefeitos que são os responsáveis pela gestão das prefeituras e tem o dever da observância aos ditames legais, devem com isso garantir aos servidores municipais o pagamento do 13º salário.



Adrimauro Gemque, Analista do IBGE, Administrador e Articulista.

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