sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Carnaval 2013: Blocos sem Ritmo

Fabiana Figueiredo

Bloco Unidos do Cabralzinho foi o Campeão 2012 pela Liba
Como fora anunciado na terça-feira (8) e na edição 340 do Tribuna Amapaense, as Ligas dos Blocos Carnavalescos do Amapá não receberam o repasse dos recursos que seriam destinados à realização do Desfile dos Blocos no Carnaval 2013, nos dias 10 e 11 de fevereiro deste ano. O Jornal Tribuna Amapaense explica o que aconteceu:

O Governo do Estado do Amapá definiu, desde novembro, que as entidades teriam que se organizar e mostrar os respectivos projetos; determinou, também, que o repasse aconteceria de acordo com a opinião popular e avaliação dos eventos
 da última festa carnavalesca, ou seja, tem que dar retorno social e econômico, além de valorizar a participação e envolvimento do público. O coordenador de eventos do GEA, principal mediador, Jean Alex, afirma que o modelo das ligas não condiz com os conceitos adotados para a distribuição dos recursos, ressaltando que nos dias em que os blocos se apresentam não há tanta participação pública, tem fraca movimentação econômica e geração de renda e emprego, e a venda de abadás que particulariza a participação popular. "Estamos dispostos a dar infraestrutura para os blocos desfilarem, mas o valor do repasse depende de um acordo coletivo. Em nossa opinião, não faz sentido A Banda, que atrai uma multidão e é de graça, receber menos recursos que os blocos, onde o brincante tem que pagar para sair e assistir. O modelo tem que ser rediscutido", afirmou. Outra determinação foi o desfile ser deslocado para a Orla da cidade, a fim de atrair um maior número de brincantes - as decisões não foram atendidas pelas Ligas. "Esperamos que em 2014 possamos contar com um novo modelo de desfile de blocos, como os que acontecem em outros Estados", afirmou Jean Alex.
Jean Alex Nunes, coordenador
de eventos do GEA

Liba
O TA procurou o presidente da Liga Independente dos Blocos do Amapá (Liba), Agostinho Lopes, para falar do acontecido e sua opinião sobre o assunto. De acordo com o presidente, os blocos não têm condições de realizar os desfiles no sambódromo, pois não têm recursos para confecção de todas as fantasias. "Nunca deixamos de participar do carnaval, pela primeira vez nós vamos ficar fora do desfile. Acreditamos que o Governo deveria repassar os recursos, mesmo que fosse o mesmo quantitativo do ano passado. Sabemos que sem o recurso não temos condições de fazer os desfiles só com a estrutura do sambódromo, tem toda uma logística de custo; que até as Escolas de Samba não teriam condições se o Governo oferecesse só a estrutura que hoje ele está oferecendo pra gente", disse Agostinho. (A estrutura do Sambódromo está a disposição dos blocos carnavalescos, se estes quiserem realizar desfiles, nos dias 10 e 11)
Agostinho Lopes, presidente da Liba

Ele também revelou que o GEA quer "sentar" com as Ligas dos blocos após o carnaval deste ano, para tentar organizar o Carnaval 2014. "Chegando próximo o carnaval, ele [Jean Alex] disse que o Governo realmente não iria repassar os recursos para os blocos; haja vista que a decisão é baseada na ideia que os blocos não levam público para o sambódromo, ele até tem razão, mas a promessa de sentar depois do carnaval e não fazermos o desfile deste ano é inaceitável. Acreditamos que ele deveria ter feito essa reunião no final do carnaval 2012, para que tivéssemos hoje algo programado junto ao Governo para poder fazer o que ele quer em 2014. Sabemos que tem que mudar alguma coisa dentro do desfile, mas não vai resolver nos punindo de fazer o evento", afirmou.

Agostinho pede para que seja enviado ofício por parte do GEA, confirmando o corte dos recursos; "para que a gente possa enviar um documento dizendo que não vamos participar do desfile só com a estrutura, até para o governo não ter gastos em dois dias no sambódromo sem necessidade".

Enquete
O não repasse dos recursos logo teve reação na população.
Ana Lima: “Eu sou a favor do não repasse. Acho que esse dinheiro poderia ser investido em outras coisas e a gente sabe se divertir muito mais não sendo ‘preso’ ao que acontece só no Sambódromo. Aqui em Macapá deveria ser que nem no Rio de Janeiro, onde os blocos de rua ninguém precisa pagar para se divertir”.

Taylane Paiva: “O dinheiro que eles gastariam com o Carnaval, deveria ser investido em outros setores, como, por exemplo, a educação, a saúde, que são muito deficitários no Amapá”.

Núbia Côrtes: “Concordo não repassar investimentos para os blocos. Na pediatria do hospital de Santana faltam remédios básicos. Os internados sequer têm leitos. Investimento na saúde? Nada. Mas a ‘Cidade do Samba’ está pronta. Nada contra a cultura ou mesmo ao Governo, porém há prioridades”.

S.F.: “Toda forma de expressar a beleza e a cultura em nosso Estado é uma forma de garantir o lazer e a subsistência de muitos, que deverá ter esse direito garantido, buscando formas de atender isso na própria entidade carnavalesca; não de maneira arbitrária e sem precedentes como foi desta vez. Garantia de direitos é dever do Estado e da sociedade em prol da coletividade”. 



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