
19 de Março - Dia de São José, o Padroeiro do Estado do Amapá e de Macapá.
Para nós que professamos a religião Católica, os Santos têm significado especial se analisados por vários ângulos, dentre os quais saliento os seguintes: a imagem representa o físico, isto é, na concepção da crença religiosa de que é preciso ver para crer, segundo Tomé, o Apóstolo. Viu as chagas e tocou-as, então, acreditou que Cristo havia ressuscitado. Como nós, pobres mortais, não tivemos essa oportunidade, transferimos para as imagens a realidade bíblica e os gestos de Tomé. A imagem representa o que não vimos ou o que perdemos e continuamos vendo, seja pela fotografia, pelos retratos pintados ou desenhados. Ai a imagem assemelha-se aos entes queridos que, mesmo longe fisicamente, continuam presentes em nossas vidas. Nós não cultuamos a estátua, a peça artística esculpida, mas a imagem que ela representa em nossa fé; em segundo plano vem a espiritualidade que a imagem representa para nós, em razão de que todo símbolo traduz uma mensagem, que é interpretada segundo nossa convicção e fé no que cremos e acreditamos.
Então, por essas duas óticas, reverenciamos São José, na representação de pai (de Jesus), de esposo (de Maria), de operário (carpinteiro), de patrono da família. As manifestações que se processarão ao longo desse dia, são a expressão de fé de que acreditamos pelos olhos da fé e muito amor no coração.
Retorna, neste ano, o arraial popular que até antes da construção do Teatro das Bacabeiras funcionava naquela área, e muitos mais anos atrás, tínhamos o prazer de ouvir a " furiosa ", que era a banda de música da Guarda Territorial, tocar no coreto partituras de canções militares, de música popular, como as famosas " guarânias " de então. A população acorria de suas localidades interioranas do Amapá, das ilhas Caviana, Mechiana, Afuá e dos chamados "furos" (rios que atravessam ou cortam - no linguajar caboclo, as matas que circundam essas localidades.
A "fatiota" nova dos jovens e os vestidos coloridos das moças davam o brilho especial à festa, como também eram adereços de conquista do coração das moçoilas amapaenses. O encontro geralmente dava-se nas chamadas barracas, onde vendia-se da água à cerveja, pinga, e outros tipos.
De comidas típicas tinha-se o tacacá, a maniçoba, o caruru, pato no tucupi, peixe, bolos de variados tipos de frutas, sorvetes, sucos, e por ai afora, como dizia o saudoso Comandante Barcellos.
Quanto as brincadeiras lembro-me da roda gigante, do escorrega bunda, das pescarias, tiro no alvo com espingarda de ar comprimido ou atirar bolas de pano em objetos estáticos ou em movimento, em latinhas empilhadas. Era uma farra, no bom sentido.
O lado espiritual da festa em louvor ao Santo padroeiro, sempre foi realizado na Catedral de São José, onde primeiro rezava-se a ladainha, depois o terço e em seguida o Padre celebrava a Santa Missa. Como sempre, a rapaziada passava ao largo dessas celebrações, para passear no largo, como chama-se o arraial em algumas localidades.
Dessas lembranças queridas e gostosas, lembro-me de que quando alguém vestia o "terno" de linho, muitas vezes branco e super engomado, chapéu de palha ou de panamá, a gozação corria solta na frase - "vais pro arraial, casar ou votar ".
Àquela época e em pleno sucesso do linho e da pomada para cabelo de homens, chamada "glostora" , que dava firmeza e brilho aos cabelos masculinos, de penteado cheio ou "cortado" lateralmente de um lado, jogando o volume maior para o outro lado. Tudo era charme para um processo de conquista amorosa.
A praça do arraial pronta e os frequentadores à postos, iniciava-se o "desfile" dando voltas à praça, num processo de inda e vinda, pra lá e pra cá. As moças de braços dados umas as outras e os rapazes em grupos, talvez porque sozinhos a confiança era menor. Risos e risadas alegravam o ambiente e a música das aparelhagens instaladas nas barracas completavam a zoeira geral.
Salve, salve, querido São José, nosso Padroeiro, neste dia rogamos que intercedas ao Pai para que Ele abençoe nosso Estado e dê a nossos governantes as luzes necessárias para guiarem nosso povo à terra prometida.
Para reflexão semanal - "Nem tudo que brilha é ouro, diz o ditado popular. Nem toda a alegria trazida pelo arraial é felicidade. Não esqueçamos de louvar o Santo padroeiro do Amapá, de Macapá e dos amapaenses e macapaenses.
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