POPULAÇÃO: A
MAIOR PREJUDICADA
Rodolfo Juarez
Para cuidar da
gestão dos interesses do Estado a sabedoria humana dividiu a administração em
poderes. Por isso se organizou a divisão da gestão estadual nos poderes:
Executivo, Legislativo, Judiciário.
Poderes
auxiliares e independentes mostraram-se necessários e foi assim que foram
criados e instalados o Ministério Público e o Tribunal de Contas, além da
Defensoria Pública, que no Estado do Amapá ainda não está na lista dos poderes
independentes e harmônicos.
A forma de
escolher os titulares desses órgãos estaduais não é a mesma. O Executivo
(governador) é pelo voto popular; o do Legislativo (presidente), pelos
deputados eleitos pelo povo, um entre eles; o do Judiciário (presidente) pelo
Colégio de Desembargadores e nomeado pelo governador; o do Ministério Público
(procurador-geral), pelos procuradores e promotores, nomeado pelo Governador; e
do Tribunal de Contas (presidente) eleito pelos conselheiros.
Tanto a
Constituição Federal como a Constituição Estadual determinam que os Poderes do
Estado sejam independentes e harmônicos entre si.
A
independência é administrativa e financeira. A harmonia é a condição para que
os resultados tenham um único objetivo: melhorar a qualidade de vida da população.
Desde quando
se imaginou que os Poderes do Estado teriam sua autonomia administrativa e
financeira sem a harmonia ordenada nas constituições, que começaram as
dificuldades do Estado que passou a ser o ente fragilizado dando oportunidade
para que a esperteza e o caos prosperassem.
A corrupção
foi favorecida, as dificuldades aumentaram, as responsabilidades não foram
distribuídas, prevalecendo o desgastes pela disputa e a ocupação para a
preservação da proposta original.
Enquanto havia
dúvida sobre a capacidade de comando de um ou de outro órgão estadual, cada um
deles buscava elementos para o seu próprio fortalecimento nos erros e no
arroubo dos outros, chegando ao ponto de um órgão do mesmo governo entender que
precisaria invadir o outro para obter comprovação de malfeitos.
Enquanto isso
algumas práticas foram se consolidando, interna e externamente em cada órgão, e
a aplicação das exceções virou regra.
Dentre essas
regras aquela centrada na proposta de que um órgão pode sobreviver sem o outro
e se entender que esse outro está dificultando as coisas, usa de seus
instrumentos para fragilizar como se, junto com o órgão atacado, também não
ficasse fragilizado, considerando que todos fazem parte do mesmo ambiente
administrativo.
A
administração estadual passou a ser medida pelo órgão que apresentava o pior
desempenho aos olhos da administração e os agentes públicos, de todos os
órgãos, passaram a merecer avaliação do patrão de todos – a população.
O caso
recente, criado pelo que ficou conhecido como antecipação de duodécimo, ou “as
pedaladas no orçamento” denunciado pelo Ministério Público, analisado pelo
Tribunal de Justiça e pelo Tribunal de Contas, trouxe um entrevero
administrativo entre o Executivo e o Legislativo patrocinando, até agora,
discussões áridas servindo de espetáculo para os outros órgãos que estão na
espera do desfecho do entrevero para entrar em campo como se fossem juízes de
contendas das quais não tivesse direto interesse.
A briga
verdadeira seria de todos os órgãos do Estado – Executivo, Legislativo,
Judiciário, Ministério Público e Tribunal de Contas -, contra as dificuldades
ocasionais advinda da alegada crise, mas foi entregue a dois dos cinco
protagonistas que, quando cansarem à estafa, serão “socorridos” com “injeções”
direcionadas a outros interesses que não os da população do Amapá.
Os dirigentes
estaduais, todos eles, precisam se acautelar para evitar prejuízos maiores para
o patrão de todos: a população.
Já se pode
dizer que, também por causa desse desentendimento, o ano de 2015 será um ano
perdido.
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