15 de Agosto
Gilberto de Paula Pinheiro
A Amazônia, como o restante do país, possui suas datas
históricas relevantes. O 15 de agosto de 1823 é, para mim, a mais importante,
pois se trata da Adesão do Pará à Independência do Brasil.
Ouço críticas sobre o 15 de agosto em razão da tragédia do
brigue Palhaço, onde 252 pessoas morreram intoxicadas por cal a mando do
Oficial Joaquim Lúcio de Araújo. A minha discordância se prende ao fato de que
sem a adesão à Independência, hoje não faríamos parte do Brasil. Certamente
seríamos tratados pelo sul e sudeste como são os nossos irmãos bolivianos e,
precisaríamos de passaporte para nos deslocar até aquela região.
O grito de Independência em 7 de setembro de 1822 dado por D.
Pedro I, com apoio maciço da maçonaria, de várias classes sociais e contando
com a força imprescindível da nossa princesa Maria Leopoldina, uma referência
marcante naquele movimento para quebrar os laços com Portugal, eclodiu apenas
em algumas províncias do sul e sudeste do país.
O novo imperador teve que contratar os serviços do almirante
Lorde Thomas Alexander Cochrane e do capitão Grenfell, para comandar a nossa
gloriosa marinha objetivando a unificação do país.
Ao chegar ao Maranhão, o capitão Grenfell aplicou um “blefe”
afirmando que possuía uma forte armada, impondo condições para a adesão, salvo
contrário, atacaria a cidade de São Luis. O ardil deu resultado.
Em seguida, dirigiu-se a Belém, último bastião dos lusitanos
que era fortemente defendido pelo General Moura, comandante das Armas, com 600
homens. O capitão aplicou o mesmo engodo, tendo o oficial português recusado a
proposta. O impasse se fez presente e a destacada atuação do bispo D. Romualdo
de Souza Coelho foi decisiva, pois presidia a Junta que governava a Província, informando
ao militar que iria reunir o Conselho para deliberar a questão.
O general a todo custo se opôs à ideia, porém, no dia 11 de
agosto de 1823, às 19h, iniciou-se a sessão para deliberar a questão que
somente terminou às 23h, com o povo nas ruas exigindo a adesão. A Junta reunida
no Palácio do Governo decidiu em favor da unidade do Brasil. Assim, entre os
historiadores há divergência sobre essa data.
Em 15 de agosto de 1823, foi devidamente formalizado o ato de
adesão da Província do Pará à independência do Brasil, com salva de vinte e um
tiros que foram dadas pelo brigue do capitão Grenfell e respondida pela
Fortaleza da Barra, com o povo nas ruas comemorando.
Passada a euforia, o blefe de Grenfell fora descoberto, tendo
ele, contra a vontade dos brasileiros, instalado uma nova Junta, mantendo, no
entanto, o poder nas mãos dos portugueses. Houve saques em vários
estabelecimentos comerciais lusitanos, como represália.
Acusado de agitador, o Cônego Batista Campos foi amarrado à
boca de um canhão com estopim aceso, por ordem do oficial inglês e graças à
interferência dos membros da Junta Provisória que intercederam, não foi
executado, sendo, no entanto, recomendada sua transferência para o Rio de
Janeiro a fim de ser julgado O comandante não tendo outra saída colocou em
liberdade aquele grande líder.
O capitão Grenfell, sob alegação de manter a ordem, executou
cinco manifestantes e aprisionou 256 homens suspeitos por tempo indeterminado
no porão do brigue Palhaço. Não havendo espaço para respirar, os presos pediram
água e como resposta os soldados jogaram cal virgem, ceifando a vida de 252
prisioneiros. Esse episódio ficou conhecido como a tragédia do brigue Palhaço.
Evidentemente que não existe justificativa para a morte de
uma pessoa, quanto mais de centenas ou milhares, porém, é impossível numa
guerra não ocorrer derramamento de sangue e injustiça. Isso ocorreu na
unificação da Alemanha, Itália, Rússia, China, Oriente Médio, Índia,
independência dos Estados Unidos e da América Espanhola, por exemplo, onde
milhares de vidas foram ceifadas.
O 15 de agosto, para mim é, de todos os feriados da Amazônia,
o mais importante, pois na realidade sem ele, importância nenhuma teria o 7 de
setembro para nós amazônidas.

Nenhum comentário:
Postar um comentário