Embrapa Amapá
Abre inscrições para curso de manejo de
quelônios
Da Editoria
A Embrapa Amapá recebe inscrições, de 7
a 18 de agosto, para o curso “Manejo produtivo de quelônios de água doce em
cativeiro”, a ser realizado nos dias 22 e 23 de agosto de 2017, no auditório da
instituição de pesquisa, em Macapá (AP). O curso é gratuito e tem como
público-alvo extensionistas, agentes e líderes comunitários e aquicultores que
atuam ou têm interesse no cultivo de quelônios, com ênfase em tracajás. São
oferecidas 20 vagas.
De acordo com a coordenadora e
instrutora do curso, pesquisadora Jamile da Costa Araújo, o objetivo principal
é capacitar multiplicadores em manejo produtivo de quelônios de água doce
cultivos para fins comerciais.
A programação constará de apresentações
teóricas e procedimentos práticos, pela manhã e à tarde, abordando legislação,
espécies e suas características, contenção física, instalações, sistemas de
produção, bem-estar e comportamento animal, sanidade e controle produtivo. A
parte prática do curso será realizada na Unidade Demonstrativa instalada na
área da Embrapa Amapá.
O Curso
A oferta deste curso faz parte das
atividades do projeto “Produção de tracajá em
cativeiro como alternativa sustentável para o desenvolvimento amazônico”
(AmapaJá), financiado pelo Banco da Amazônia por meio de edital de seleção
pública publicado pelo banco para apoio financeiro, com o objetivo de apoiar
atividades de pesquisa científica e tecnológica que contemplam transferência de
tecnologias.
Desenvolvido pela Embrapa Amapá, o
projeto é voltado para sistema de produção comercial do tracajá (Podocnemis
unifilis) em cativeiro na Amazônia. A pesquisa desenvolve ações para
atender ao objetivo de estabelecer e aprimorar índices zootécnicos, desenvolver
tecnologias e capacitar multiplicadores para produção de tracajá em
cativeiro.
Para isso, envolve uma equipe técnica e
de apoio, e acadêmicos bolsistas, empenhados em estudos da produção e
aprimoramento de índices zootécnicos e avaliação de rendimento de carcaça de
tracajá; estratégias de comunicação e capacitação; implantação de Unidade Demonstrativa,
e estudo de mercado de produtos oriundos do tracajá.
“As atividades do projeto Amapajá estão sendo executadas em ritmo
acelerado. Atualmente, três experimentos estão em andamento, uma dissertação já
foi defendida, e acabamos de concluir a estrutura de uma Unidade Demonstrativa
(UD) de produção de tracajá em fase inicial. Temos previsão de instalar mais
duas UDs até o fim de 2018. Além disso, ainda este ano vamos realizar três
cursos e um seminário”, anunciou a pesquisadora Jamile Araújo.
O quelônio
O tracajá é uma das espécies mais
capturadas para consumo na Amazônia brasileira – integrando a lista de animais
vulneráveis à extinção -, segundo a União Internacional para a Conservação da
Natureza e a Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e
da Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção. Além de ser a espécie mais apreendida
pelo órgão fiscalizador de tráfico de animais silvestres, no Amapá (2005 a
2009), totalizando 35,55% das apreensões. Este fato demonstra o alto grau de
uso desta espécie pela população no estado, a qual consome a carne e ovos
destes animais de vida-livre, comprometendo de forma drástica a manutenção dos
estoques naturais.
Uma espécie com boa condição para
criação em cativeiro, o tracajá é de fácil adaptação às condições de manejo de
criação e de boa aceitação pelos consumidores. A produção comercial em
cativeiro pode ser uma alternativa para reduzir o tráfico, gerar renda para as
comunidades e contribuir para a preservação da identidade cultural das mesmas,
já que consumir esta espécie faz parte da cultura amazônica.
Entretanto, este hábito cultural encontra-se
ameaçado por conta das restrições legais de uso desse recurso natural, visando
sua proteção, pois apesar da produção comercial desta espécie ser autorizada,
não há dados que subsidiem o sistema de produção.
Visando contribuir para o
desenvolvimento do sistema de produção comercial de tracajá, o projeto da
Embrapa objetiva elucidar o comportamento de crescimento, densidade de
estocagem, manejo nutricional (exigência proteica e restrição alimentar) e
medidas de bem-estar animal na produção desta espécie, além de estudar o
potencial de comercialização dos produtos oriundos deste sistema de produção, e
do potencial econômico e nutricional.



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