As semanas anteriores à votação
foram marcados por intenso contato de Temer com deputados da base, que foram
agraciados com a liberação de dinheiro para obras, por me
io do empenho de
emendas parlamentares - quase R$ 1 bilhão em setembro e outubro - e uma série
de nomeações de aliados para cargos do segundo escalão.
io do empenho de
emendas parlamentares - quase R$ 1 bilhão em setembro e outubro - e uma série
de nomeações de aliados para cargos do segundo escalão.
Câmara livra Temer de segunda
denúncia
Em roteiro semelhante ao da
primeira denúncia, deputados rejeitam andamento de denúncia - que, caso fosse
aceita pelo STF, tiraria o presidente do cargo.
BBC BRASIL.com
Brasília - Embora ainda esteja em andamento,
a sessão da Câmara dos Deputados em que está sendo votada a segunda denúncia
contra o presidente Michel Temer já tem um veredicto: o pemedebista está livre
das acusações de obstrução de Justiça e formação de quadrilha feitas pela
Procuradoria-Geral da República ao Supremo Tribunal Federal.

Em pouco mais de uma hora e meia de
votação, Temer obteve 171 votos favoráveis. A oposição precisaria de 342 dos
513 deputados para afastar o presidente.
Vencida a denúncia, essa será a
nova prioridade do Palácio do Planalto, que argumenta que as mudanças nas
regras de aposentadoria são imprescindíveis para reverter o rombo bilionário
das contas públicas.
No cenário ideal do governo, a
reforma será aprovada em novembro na Câmara dos Deputados e até março no
Senado, onde precisa do apoio de 49 dos 81 senadores.
Depois disso, a fervura eleitoral
tende a inviabilizar qualquer pauta mais sensível, reconhecem políticos da
base. Eles admitem também que a reforma só será aprovada se o governo ceder em
pontos polêmicos, como a criação de uma idade mínima para aposentadoria, que
deseja fixar em 65 anos para homens e mulheres.
Votação à noite
Sem votos para aprovar o andamento
da denúncia, a oposição passou o dia tentando impedir que fosse atingido o
quórum necessário de 342 deputados para abertura da votação. Não conseguiu,
mas, com ajuda de alguns insatisfeitos da base governista, foi capaz de
empurrar a votação para a noite, quando supostamente mais pessoas poderiam
acompanhar a sessão de casa, gerando mais desgaste para os aliados de Temer.
Durante o dia, com um pequeno
caixote e um megafone, improvisaram um palanque do lado de fora do plenário,
onde se revezaram em ataques ao governo.
"Somos minoria aqui na Casa,
mas somos maioria na sociedade. Mais de 90% do povo brasileiro quer Temer fora
do governo. Essa casa, por força de manobras e da corrupção da compra de votos,
é a única instância em que esse governo tem maioria", discursou a deputada
Luiza Erundina (PSOL-SP).
Além da oposição, Temer também
recebeu ataques de parlamentares da base aliada. O partido que mais registrou
traições novamente foi o PSDB, cuja bancada voltou a votar rachada.
Deputados fiéis ao presidente, por
sua vez, lançaram novamente mão do discurso da "estabilidade",
argumentando que a continuidade do governo era fundamental para a recuperação
da economia.
"Deixe o homem
trabalhar", brandou da tribuna o polêmico deputado Wladimir Costa (SD-PA),
que na primeira denúncia fez uma tatuagem falsa com nome de Temer no ombro.
Além disso, aliados do presidente
repetiram o discurso contra a "inépcia" da denúncia apresentada pelo
ex-procurador-geral Rodrigo Janot - críticas que ganharam novo fôlego depois
que foram revelados no início de setembro indícios de ilegalidade na condução
da delação da JBS pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
"Essa denúncia é inepta, fruto
de uma armação sórdida para derrubar o presidente da República, o que seria uma
irresponsabilidade", defendeu o líder do PMDB, deputado paulista Baleia
Rossi.
Legado de Janot
Na segunda denúncia, Janot acusou o
presidente de ter tentado parar a Lava Jato. Ele teria feito isso ao dar o aval
para que o empresário Joesley Batista, do frigorífico JBS, "comprasse"
o silêncio do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e
do suposto operador do PMDB, o empresário Lúcio Funaro.
Além disso, Janot acusa Temer de
ser o chefe de um grupo criminoso, que seria formado por políticos do PMDB na
Câmara dos Deputados. Para a PGR, Temer era o braço político da suposta
quadrilha, responsável por viabilizar os interesses de empreiteiras e outras
empresas dentro do Congresso em troca de subornos.
Além da delação da JBS, o acordo de
delação de Lúcio Funaro também forneceu elementos para a nova denúncia.
Em sua defesa, Temer se diz vítima
de uma "conspiração" e cita os indícios de possíveis ilegalidades na
condução da delação da JBS pela Procuradoria. Informações reveladas em
setembro, a partir de gravações entre os delatores, indicaram que procuradores
podem ter orientado os delatores ilegalmente a gravar o presidente.
Com a decisão da Câmara, a denúncia
fica suspensa até que Temer conclua seu mandato. A Justiça poderá, no entanto,
julgá-lo quando ele deixar de ser presidente, caso considere as acusações
consistentes.

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