“Vivemos felizes aqui”
Maria de Jesus Pereira Vieira &
Iveto Rodrigues de Oliveira
Abinoan Santiago
Da Reportagem/Estagiário
Dona Maria e Seu Iveto, além de não serem amapaense, possuem outras coisas em comum, como as facetas artísticas. Maria é mais conhecida no abrigo São José pelo no apelido “Estrela”, pois além de possuir um olhar que brilha, a nossa sobrevivente canta, compõe e muito alegre ainda falou: “Coloca que também sou apresentadora” afirmou Estrela, afinal, ela apresenta algumas festinhas no abrigo. A Estrela lembra de um episódio interessante desse seu dom de cantar, “Lembro que estava cantando sozinha na frente da cidade de Macapá e de repente um fotógrafo tirou uma foto minha (...) Eu gostei e pedi para que ele me desse ela, mas o jornalista disse: ‘Não’, então eu retruquei: ‘Por que?’. Ele me respondeu que aquela foto rodaria o Brasil inteiro contando um pouco do seu talento e história”, lembrou Estrela.
Segundo dona Maria, na juventude não possuía a prática de cantar. Ela veio descobrir esse talento no abrigo, pois para não chorar no seu quarto preferia cantar e compor músicas. Afinal, assim não incomodaria os seus amigos com suas lágrimas e de quebra ainda proporcionava alguns minutos de uma boa música.
Já o seu Iveto também tem o seu lado artista, o que lhe rendeu um apelido carinhoso, todos (ou os mais íntimos) o chamam de “Poeta”. É claro que devemos imaginar o porquê desse apelido. Iveto gosta de escrever poemas a poesias no abrigo, os temas principais de suas obras são as várias cidades que ele passou antes de chegar ao Amapá. Enquanto fazíamos a reportagem o nosso poeta até recitou alguns versos, confira: “(...) De Tanto caminhar já me perdi/ De tanto que aprendi já não sei nada/ Ajuda a minha alma a descobrir o caminho certo que me leve a minha história (...)”, recitou seu Iveto. O mais interessante é que ele havia feito os versos um pouco antes de começar a entrevista.
Antes de chegar ao Amapá, posteriormente no Abrigo
Como Dona Maria não queria dar trabalho às professoras, resolveu partir para outro lugar, e o Abrigo São José foi uma saída para que a mesma pudesse ter um encontro de novo com a felicidade. E por incrível que pareça, a felicidade e Estrela se reencontraram.
Com seu Iveto foi um pouquinho diferente. O nosso poeta era jogador de futebol do Ceará, chegando a jogar em vários clubes, os mais importantes foram Fortaleza e Ceará, depois foi transferido para o Clube do Remo (PA), mas encerrou sua carreira ainda cedo, pois teve uma contusão muito séria.
Mas Iveto tinha um espírito aventureiro, segundo o nosso poeta, ele conheceu o Brasil de “Cabo a Rabo”, do Oiapoque ao Chuí. “Como eu tinha muitos parentes em várias cidades e regiões do país, fez com que eu me encorajasse para trilhar novos caminhos nesse mundão”, lembra Iveto.
O nosso sobrevivente andou tanto que veio parar aqui no nosso estado. “Quando eu cheguei aqui não tinha para onde ir, então me indicaram o abrigo”, disse.
Uma coisa em comum entre os dois me chamou muito a atenção, era o sorriso no rosto, a felicidade deles, mas não era só deles. A reportagem deu um passeio pelo o pátio da Abrigo São José e percebeu a felicidade de muitos ali. Aquele lugar serve como uma espécie de descoberta de talentos, pois para passar o tempo, muitos descobrem novas habilidades, como foi o caso de Estrela e Poeta.
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