segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Antenados - Política Testamentária


Aproxima-se a votação de 2012, quando elegeremos, em todo o Brasil, prefeitos e vereadores a fim de gerir nossos municípios.  

Apesar de já lidarmos com esse sistema de escolha há muitos anos, não é raro encontrar indivíduos pouco familiarizados a conceitos como "eleições proporcionais", "eleições majoritárias", "coligações partidárias", "coeficiente eleitoral", e etc. 

A falta de clareza e de acesso às explicações desses mecanismos dificulta bastante a vida do cidadão, o qual, cegado, acaba enveredando-se pelo caminho da omissão, descaso, desprezo, comodismo.

Penso que, antes de quaisquer promessas e votos de felicidade, o que primeiro deveria fazer um candidato seria explicar como funciona a dinâmica por trás do voto que ele pede. Assim, ao menos, o eleitor já se veria livre de um dos maiores abismos eleitorais - a ignorância.

É, além de útil, também essencial estar munido de conhecimento. Os tempos são difíceis. Eu sei que nós, cidadãos, eleitores, ainda queremos mudanças... Queremos enfrentar o encargo do pleito com cabeças erguidas, com esperança de vitória, vitória coletiva, verdadeira, mas, infelizmente, as opções não são todas confiáveis.   

Pelos lugares aonde vou, em meio às conversas que escuto, bem como nos desabafos e opiniões que leio na internet, percebo que estamos cada vez mais enojados, cada vez mais antipatizantes e cansados dos processos eleitorais aos quais somos submetidos.

Não é que as pessoas tenham aberto mão de seus direitos, de suas utopias, de seus desejos de melhora, de triunfo. Não é que prefiram reclamar ao invés de questionar, investigar, imiscuir-se. O problema todo é que o eleitor está exaurido de ser ludibriado!... Desse modo, resta-nos a rabugice.

E sabe como é que somos enganados? Sempre que um homem se candidata com o intuito simples de satisfazer a seus interesses pessoais. Eclipsando, assim, a razão primária pela qual deveria estar disputando um cargo, que é a de lutar pelo bem-estar e pela dignidade sociais. O tal candidato, caso escolhido, será também beneficiado, e muito, se fizer uma boa gestão... Ele só não pode ser o único!

Fica o alerta: Dentre todos os males, um dos maiores crimes cometidos por algumas faces políticas é querer manter perpetuamente o cetro do poder nas mãos da parentela.

Não digo que seja errado um ente, com histórico familiar na vida pública, querer se candidatar... Muito pelo contrário! Acho interessante a opção de novas mentes atuando com o auxílio de mentes já experientes, calejadas. Não, não condeno, de modo algum, a carreira politica de um clã, quando encarada como uma missão, como dever de honra. Acho até que o tal "sentimento político" possa estar no sangue. 

Mas o que chateia mesmo, o que parece ser, de fato, um crime esfregado contra a cara do eleitor, são os sobrenomes que há décadas ininterruptas se arrastam pelos corredores do poder, injustiçando, escorraçando, ocupando os tronos, esquentando os bancos de veludo, com o único intento de engordar a herança.

Quem vota deveria se ligar em sobrenomes maciçamente recorrentes. Trazendo a discussão ao contexto exclusivo de Macapá, não faltam figurinhas que, não obstante comprarem votos, tomando-os em troca de tijolos, de garoupas, de circo, ainda planejam fazer da máquina pública o seu mordomo para a eternidade.    

Palavras como "monopólio", "espólio", "plutocracia" e "oligarquia" deveriam significar muito mais para nós do que meros conceitos amorfos, afinal, essas ideias se manifestam duramente em cada ano de eleição, se solidificam durante as gestões. 

Estejamos dispostos a dizer "não". Não nos sintamos tentados a escolher alguém que nos represente porcamente, simplesmente por que nos fizeram acreditar que, em meio às fezes, um flato já não conta.

Enfim, para encerrar, gostaria apenas de deixar um ensinamento pessoal: Meu avô, professor, pessoa que admiro muito, que amo, que respeito - e não sem razão -, homem que um dia já foi prefeito de Macapá, que vivenciou episódios gloriosos e tristes (conto-vos essa história outra hora), homem, enfim, muito experiente, mesmo quando não me diz uma palavra sequer, ainda assim me ensina à beça. 

Ensina, por exemplo, a buscar a retidão, a conduta direita e reta, não importando o passado, se o posicionamento atual for honesto. Então... Pense também nisso. E sejamos direitos na hora de questionar, na hora de votar, de escolher. Uma atitude reta traz, como retorno, a própria correção.

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