segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Artigo do Gato - O poder custa caro para a sociedade


O poder fascina o homem. A possibilidade real e concreta de mandar, de impor vontade sobre as demais pessoas é algo que mexe com o ego do ser humano. Tamanha é a ambição pelo poder que o homem prende homem e mata homem.

A relação da sociedade com o poder é natural num contexto civilizatório onde a necessidade do estabelecimento de um regramento de convivência é imperiosa. Na relação coletiva, respeitar limites, saber seus direitos e seus deveres é capital, mas, a disputa pelo poder é que destrói todas as concepções ideológicas de urbanidade e edilidade na coabitação em sociedade.

A corrida que os grupos antagônicos travam nessa disputa que a democracia permite é que derruba toda áurea de candura das eleições. Tudo deveria acontecer através de um debate limpo, com propostas de solução para os problemas que afligem a sociedade, mas infelizmente não é assim que acontece. O poder é usado de forma distorcida e a autoridade vira autoritarismo; democracia vira "democradura". 

Assim agiu o Estado numa ação que beira as raias do absurdo. Funcionários do  município de Macapá, que trabalhavam numa área da zona norte da capital fazendo terraplanagem, foram presos por policiais do Batalhão Ambiental, acusados de estarem cometendo crime contra o meio ambiente, que seria a movimentação de terra numa área de ressaca ou próximo dela.

O Amapá é um Estado insular, e Macapá uma região cortada por igarapés e composta de lagos e uma boa extensão de área de várzea ou ressacas. Como se deu o processo de urbanização de Macapá? Aterrando. Na frente da cidade o bairro do Perpétuo Socorro, antigo Igarapé das Mulheres, etc. foram áreas que foram aterradas. Diria alguém: “mas não podemos cometer os erros do passado”. Nosso clima é quente e precisamos das aeras de resfriamento natural para manter nossa cidade mais arejada. Correto, mas, então me mostrem qual ressaca nesta urbe não está ocupada e, perguntem para os moradores qual o sonho de consumo deles. Eles responderão que é morar no teso, portanto, não pestanejam em jogar aterro nos quintais alagados e fétidos. 

Tem uma região nobre desta cidade, com certeza uma das mais belas vistas panorâmicas de Macapá, que é a Lagoa dos Índios. Aquele bioma teve boa parte de sua área criminosamente aterrado pelo empresário Odilon, que lá construiu muro de arrimo, realizou várias edificações adentrando a área da Lagoa dos Índios, que é uma Área de Preservação Ambiental (APA); ainda assim, o Batalhão Ambiental, Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Secretaria Municipal do Meio Ambiente nunca passaram de umas multas risíveis contra esse criminoso ambiental.

A atitude da Polícia Ambiental denota de forma clara e inequívoca que a ação foi mais uma retaliação aos serviços da Prefeitura. É a distorção do processo democrático, onde o PODER deve ser exercido em prol de quem em tese o detém, pois na expressão grega "democracia"  significa “poder de povo”. No entanto, o poder transferido através do voto para um grupo que se propôs a participar desse processo para governar para o povo usa-o de forma arbitrária para prejudicar o próprio e impedir que um serviço capital para a coletividade seja levado a termo.

As autoridades amapaenses precisam evoluir dentro da compreensão de democracia e as ações dos poderes locais devem ser direcionadas a atender os interesses da coletividade. As disputas não podem fugir do campo ideológico e nunca ser confundido como uma oportunidade para um festival de mentiras e de troca de acusação. Fica o eleitor amapaense atento aos mentirosos e as exarcebações da lei, que usam o poder do povo contra o próprio povo. 

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