De norte a sul do Estado o problema persiste. São diversos pontos a serem analisados de forma coletiva ou individual, de acordo com a peculiaridade específica de cada município: planejamento e gestão ineficaz, reduzida aplicação de instrumentos norteadores de desenvolvimento urbano, são alguns. A maior parte de nossas cidades foram administradas de forma rotineira sem a preocupação com o futuro. Isso implicou na ocupação das terras por posseiros e latifundiários; parte destas áreas, é de duas a três vezes maiores que toda a extensão do núcleo urbano das cidades amapaenses.
O entrave da passagem das terras da União para o Estado e do Estado para os municípios foi e tem sido um processo lento, reflete a dificuldade por parte da gestão municipal em colocar em ação a definição de novos investimentos. Outro problema encontrado é o elevado número de áreas protegidas que abrangem grande parte do território do Amapá. Tais áreas foram criadas sem a mínima discussão com os gestores municipais. E os gestores, por sua vez, por uma visão limitada da abrangência de seu território, não esboçaram qualquer tipo de reação.
Os problemas das cidades são generalizados, está em Amapá, Calçoene, Laranjal do Jari, Oiapoque, Serra do Navio, Pedra Branca do Amapari. Laranjal do Jari, possui menos de 1% de todo o seu território; é um dos casos mais graves. Oiapoque tem neste momento a única vertente de crescimento ao longo da BR 156; em Serra do navio a situação ainda é caótica em função de que este município não possui quase nada de domínio fundiário; Calçoene está cercada por uma extensa área de latifundiários. Boa parte destas terras completamente ociosa; a cidade de Amapá está entre os limites definidos pela área da Base Aérea e pela área de fazendeiros.
As cidades do Amapá seguem o mesmo perfil das cidades amazônicas até 15 mil habitantes ainda são vistas como cidades humildes povoadas por pessoas simples que desenvolvem tarefas principalmente nos setores primário e secundário e que, portanto, parecem distantes de qualquer perspectiva de observar os espaços-ambientais dentro de uma qualidade de vida que possibilite a estas cidades, consideradas rurais ou periurbanas, os mesmos benefícios das grandes áreas urbanas.
A perspectiva de análise destas cidades estão particularmente relacionadas à qualidade ambiental e à qualidade de vida intraurbanas; e são, em última instância, determinadas pela complexa dinâmica do desenvolvimento histórico da sociedade. É preciso salientar que os critérios de criação de nossos municípios não foram econômicos, mas sim políticos. Diferente do contexto de décadas anteriores, não ter planejamento nos dias atuais tem resultado na perda de investimentos e na falta de financiamento, tanto público quanto privado. Deve-se observar também que todo o zoneamento atual das cidades amapaenses ocorreu de forma induzida pela pressão social de ocupação do espaço urbano.
Como entender a cidade através da ciência? Os estudos científicos elaborados permitiram compreender as transformações urbanas das cidades amapaenses na Faixa de Fronteira, inclusive definindo contrapontos entre os benefícios e dificuldades encontradas em um período de 15 anos. O objetivo da produção científica sempre foi buscar respostas para uma série de problemas enfrentados pelos municípios do Amapá e consequentemente amazônicos. É preciso reconhecer que nos últimos anos inúmeros trabalhos foram publicados nas mais diversas áreas, possibilitou-se avançar na análise sobre as pequenas cidades amapaenses, entre estes diversos trabalhos, destaco as dissertações produzidas a partir do ano de 2006 com a criação do Mestrado em Desenvolvimento Regional na linha de Planejamento Urbano Regional. O produto alcançado através destes trabalhos foi de grande valia e auxílio para compreender a formatação das transformações urbanas ocorridas nos últimos dez anos em nove cidades do Amapá.
As considerações obtidas não respondem somente aos princípios da indagação de como ocorreram às transformações urbanas nas cidades estudadas, mas revela algo preocupante em relação ao futuro do desenvolvimento em todo estado do Amapá. Além do material científico produzido, há diversos outros trabalhos elaborados e que também apoiaram outras reflexões, o Curso de Especialização em Gestão Urbana e o significativo trabalho de apoio para a construção de Planos Diretores iniciados em vários municípios como: Calçoene, Laranjal do Jari, Oiapoque, Serra do Navio e Pedra Branca do Amapari.
A discussão sobre pequenas e médias cidades na Amazônia vem sendo debatida nestes últimos cinco anos, foi e tem sido de grande valia para avançar na busca de outros parâmetros sobre a situação das cidades amazônicas. Entre os pontos mais relevantes desta discussão reside a ampliação de um estudo metodológico para melhor exemplificar a realidade da região em relação a uma estrutura que envolve uma diversidade muito grande como: dimensões do território; a biodiversidade; o conjunto de áreas protegidas; os grandes projetos agropecuários, florestais e minerais. As dificuldades de áreas de fronteiras, grandes latifúndios e terras improdutivas.
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