O Santos Futebol Clube, o Peixe da Amazônia do presidente Luciano Marba foi a Copa São Paulo de Futebol Junior e caiu na chave do Clube de Regatas Flamengo. Na segunda partida da competição enfrentou o time da Gávea e perdeu de 7x0.
Uma vergonha para o futebol amapaense? Muito mais que considerarmos o resultado uma vergonha, primeiro ele é indicativo de que precisamos levar mais a sério as divisões de base do nosso futebol; segundo, que precisamos nos desarmar e discutir com seriedade e responsabilidade os destinos do futebol profissional amapaense e, por derradeiro, entendermos que a supremacia do Flamengo é ululante. Inquestionável e por razões óbvias. Creio ser desnecessária a enumeração delas.
O que fez o Santos na partida? Jogou com aguerrimento, porém, logo no inicio sofreu um revés. Dois jogadores da equipe amapaense foram expulsos. Embora esses fatos sejam corriqueiros no futebol mundial, porém não naturais; parte da imprensa esportiva local tratou o fato como algo sobrenatural, uma vergonha imperdoável. Percebeu-se que analisaram o jogo olhando apenas para os 90 minutos jogados, jamais o contexto. A partida em si é o núcleo do fato, mas a periferia do fato influencia no resultado do núcleo, ou seja, o jogo. Aliás, este é um defeito grave para quem se arvora a analisar acontecimentos em qualquer quadrante da vida. Ler a Bíblia sem analisar o contexto pode ser um desastre, por isso recomendo: leia a bíblica com ajuda de um teólogo.
Num outro giro, até parece que isso nunca aconteceu no futebol mundial. Já imaginou um jogador agredir o outro? Que absurdo. É absurdo, mas está no contexto. Veja, o futebol é um esporte de contato e como tal com cenas de violência física casual e proposital. Acrescente a isso a paixão que o esporte desperta na maioria dos brasileiros. Mexe com a emoção de torcedores e atletas. E no calor da peleja (disputa) alguns jogadores não conseguem conter o ímpeto e acabam perdendo o controle e se comportam de forma inadequada para os padrões desportivos do Barão de Coubertin, responsável pela criação dos jogos Olímpicos da era moderna onde, segundo o Barão, o mais importante não é vencer e sim participar. Vai explicar isso para a torcida do Coríntias. Meta isso na cabeça de um jovem de 18 anos que está numa competição da magnitude da Copa São Paulo de Juniores, que pode ser a solução para a sua vida? Missão quase impossível, principalmente quando do outro lado do campo está o...FLAMENGO meu.
Na verdade essa avalanche de comentários e críticas ácidas ao Santos é de uma hipocrisia que provoca repulsa. Não há nesses fatos praticados pelos atletas do Santos nada de inusitado que ainda não tenha acontecido no futebol mundial. Zinedine Zidane, craque marroquino da seleção francesa deu uma cabeçada em Materazzi do selecionado italiano em plena Copa do Mundo de 2006. Tigres da Argentina e São Paulo na decisão da Mercosul não tiveram o segundo tempo da partida em função de uma verdadeira batalha campal travada após o fim do primeiro tempo que acabou no vestiário. Se fossemos relatar fatos semelhantes e até muito mais grave ocorridos em partidas de futebol pelo mundo esse espaço seria insuficiente.
Quer saber, na real. Isso tudo é frescura, "ciricutico" desses hipócritas que criticaram o Santos apenas para atingir o presidente Luciano Marba. Não há nada de "hediondo" nos acontecimentos do jogo que possam condenar os atletas a pena de morte e tão pouco no placar, aliás, que o Santos, apesar de jogar a maior parte dos 90 minutos com apenas oito jogadores tomou sete goles, dois no segundo tempo. O Flamengo senhores é uma das maiores equipes de futebol do mundo. É um dos clubes que mais investe nas suas divisões de base, aliás, os grandes do Brasil há muito descobriram que é por aí que se chega as "Índias" se é que me entendem. São as divisões de base do Mengão responsáveis pela revelação de Marcelinho Carioca, Djalminha, Moser, Zico, Geraldo Garguelo, Adílio e etc. Não sei porque do espanto em função do elástico placar. Anormal seria o inverso, ou não? Não entro no mérito de que seria bom pra o Amapá, mas no futebol Zebra não dá igual chuchu na serra meus amigos, dá sempre a lógica. E no caso em tela a lógica estava do lado dos cariocas.
Mas o contexto da partida não inicia e termina nos 90 minutos regulamentares do jogo. Não! Inicia fora de campo. O árbitro foi parcial sim e, lógico, foi em parte o fator responsável pelo destempero dos garotos do Santos. De cara expulsou o goleiro Clemir da equipe amapaense que fechou o gol na primeira partida contra o América de São Paulo e depois o zagueiro Raylan que agrediu um adversário e foi expulso. Bem! É importante dizer que por coincidência ou não a Rede Record havia comprado o direito de transmissão dos jogos do Flamengo na Copinha por alguns milhões e evidentemente que a empresa não gostaria de ver o Flamengo fora da competição ainda na primeira fase. Claro que não! Mas se o Flamengo ao menos empatasse aquela partida estaria fora. Este sim um fato inusitado na Copa, pois a lógica é que os grandes do Brasil avancem na competição. Bem...aqui no Amapá o mundo veio abaixo pelos fatos que aconteceram na partida. Foi um festival de sandices, de pessoas crucificando o Santos e sua diretoria, parecia até que os fatos são incomuns no mundo.
Quem jogou futebol e já não xingou a mãe do árbitro ou já deu um pontapé no adversário que jogue a primeira pedra. A pedreira vai ficar intacta a não ser que os hipócritas dêem mais uma vez o primeiro passo, ou melhor, a pedrada da demagogia.
Quem investe no futebol com dinheiro do próprio bolso deve ser incentivado a permanecer e não a se retirar por vias obliquas.

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