sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Editorial - Edição 338

Gostaria de ter certeza

Para alguns perdedores ser politicamente correto no comportamento exógeno é ser modesto. A aceitação silente é um dos predicados que sociedade (a banda perdedora) admira no homem (sentido literal). Principalmente os que têm poder de mando. Quem não gosta de um sujeito subserviente que tudo vê e nada fala? Ah! Nós cá do Tribuna não. Não nos apetece sermos politicamente corretos nesses moldes. Isso é papo de hipócrita. De gente que diz e que faz e não faz ou vice versa. Aqui nos erramos, assumimos erros. Acertamos bem mais, graças a Deus. Somos empreendedores e corajosos. É...mas essa impetuosidade "tribunense" está démodé no Amapá.

Nosso estado tem a cara e o jeito de quem quer ter apenas esperança. Uma esperança desesperançada de que seremos amanhã um estado próspero, desenvolvido e independente economicamente das verbas públicas (União). É; temos esperança, embora essa tal esperança esteja abstraída do contexto do mundo real, pois esperança é pra quem pode lançar mão de algo que está para acontecer. Como aquele que semeia, este pode ter esperança de uma boa colheita, mas o que não planta, pode ter esperança? O amapaense poderia esperar acontecer algo diferente em 2013 se algo com possibilidades concretas tivessem sido plantado em 2012, mas nada. O projeto que dá esperança precisa se apresentar exeqüível, palpável, maduro e não é o caso do Amapá.

O que nós do Tribuna gostaríamos de ter era certeza de que seremos, certeza de que podemos, certeza de que realizamos, certeza meus amigos e nunca esperança. Mas infelizmente no Amapá nem a esperança nós é possível.

Essa não é a melhor mensagem de um veículo de comunicação para o momento. Estamos à beira de virar mais um ano. Porém, felizmente, este jornal não trilhou e jamais trilhará o caminho da hipocrisia, da enganação. Poderíamos dizer que nossa certeza é de que o ano de 2013 será bem melhor do que o ano que finda, mas qual o horizonte que nos permite ter essa certeza?

Na realidade o que teremos por longos anos será uma dívida autorizada pela Assembléia Legislativa do Amapá para que o governo estadual pague o rombo que fizeram nas finanças da Companhia de Eletricidade do Amapá. Um empréstimo de R$ 1,4 bilhões pela qual pagaremos só de juros R$ 100 milhões mensalmente, ou seja, para quem já vive com uma economia combalida, dependente do Fundo de Participação dos Estados (FPE), contrair empréstimo para pagar dívida e cavar um buraco para tapar o outro.

O economista Jurandil Juarez não esconde sua decepção quando afirma que o Amapá agora também importa farinha de mandioca e que nossa pirâmide econômica está anômala, ou seja, está de ponta cabeça. O setor terciário gigantesco (comércio e serviço) representando 87% da riqueza que se produz e o setor primário, que deveria então ser o ápice da pirâmide, representando pífios 4%. Conclue-se que somos exportadores de dinheiro e importador de produtos acabados. Vamos ter certeza de que? Venha 2013, fazer o que!

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