por Roberto Gato
A calmaria do universo político amapaense, na realidade, empana uma meticulosa e intrincada engenharia de articulações patrocinadas pelas agremiações partidárias e seus respectivos líderes. Longe das vistas do eleitorado, contabilizam parceiros e "costuram" possíveis alianças para enfrentar a eleição que se avizinha.
Com um calendário que protagoniza eleição bienalmente, os políticos não podem se dar ao direito de férias. Praticamente saem de uma disputa eleitoral com o olhar voltado para a próxima. Não há sossego e muito menos tempo de colocar as pernas para o ar. O governador Camilo Capiberibe é um exemplo, ainda na convalescença da fragorosa derrota de Cristina Almeida, candidata do seu partido na eleição municipal, já está se desdobrando no planejamento da reeleição.
E se levarmos em consideração o desempenho de Cristina Almeida na eleição, o esforço do governador será intenso. Ela protagonizou, sem dúvida, a maior derrota do Partido Socialista Brasileiro nas urnas no tocante as eleições majoritárias para o executivo. Dos votos válidos, ela obteve apenas 21%. Se quisermos encontrar o aspecto positivo no desastre eleitoral, podemos considerar que o fiasco nas urnas foi um recado do povo sinalizando que as relações sociedade-GEA vão mal.
Mas Camilo foi forjado nos embates memoráveis do pai, que enfrentou com valentia e habilidade as sucessivas cassações de mandato e voltou ao senado. Essa fleuma de aguerrimento lhe possibilita levantar da queda, sacudir a poeira e tentar dar a volta por cima. Nem que para isso o preço a ser pago seja o loteamento do Governo peesebista. Na primeira mexida no primeiro escalão, tirou dois aliados da Assembleia, deputados Bruno Mineiro (PTdoB) e Cristina Almeida (PSB). Na vaga dos dois, entraram Jorge Salomão (DEM) e José Luiz Nogueira (PT), ou seja, ampliou seu poder de fogo no GEA e na ALAP.
Cristina Almeida foi cuidar do setor primário do Estado, assumindo a pasta da Secretaria de Desenvolvimento Rural; e de cara recebeu um significativo apoio financeiro através do Programa de Transferência de Renda para Agricultura Familiar (PROTAF), que são financiamentos feitos aos agricultores para que possam melhorar suas produções. Bruno Mineiro foi cuidar das estradas. Setores estratégicos que não estavam dando resposta ao governo e não se sabe se vão dar a partir das mudanças. Vamos aguardar.
Bem, estamos na ressaca das eleições municipais, com os prefeitos eleitos tomando conhecimento do imbróglio que herdaram e os reeleitos fazendo planos para dar continuidade nos projetos que não foram possíveis no primeiro mandato.
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No Amapá, além do candidato natural a reeleição, temos outros nomes que embora não tenham revelado publicamente suas candidaturas, são lideranças fortes para o Governo do Amapá. Lucas Barreto (PTB), Jorge Amanajás (PPS), Waldez Góes (PDT) e Francisca Favacho ou Gilvan Borges, ambos do PMDB, aparecem com possibilidades concretas de vir disputar com a cadeira de Camilo Capiberibe. Esses, com certeza, irão apimentar a disputa pelo governo estadual amapaense.
Epa! Faltou um nome que inclusive goza de um enorme prestígio junto ao Ministério Público: Senador Randolfe Rodrigues (Psol). Dizem que é o preferido da Procuradora Geral de Justiça do Estado, Ivana Franco Cei. Randolfe tem se mostrado hábil no trato de sua candidatura, já declarou na imprensa que está com o foco voltado para o Senado da República, ambicionado a ser o presidente da Câmara Alta do Congresso Nacional. Mas tão habilidoso quanto o craque santista Neymar, Randolfe Rodrigues, apostam os analistas, quer mesmo é sentar na cadeira de chefe do executivo amapaense. A boca miúda corre que, todas as vezes que Camilo se aproxima de Randolfe pergunta-lhe: "Vamos estar junto em 2014?"; e Randolfe coloca uma mão para trás, cruza os dedos e garante: "sim, claro".
Randolfe Rodrigues tem origem no movimento estudantil; dois mandatos na Assembleia Legislativa; saiu do Partido dos Trabalhadores junto com a corrente de puristas do PT que culminou com a fundação do Psol; foi vice de Camilo numa eleição vencida por Roberto Góes. Dois anos mais tarde, foi rejeitado por Capiberibe em uma proposta de aliança onde ele pretendia ser o cabeça de chapa numa dobradinha com os amarelinhos para o governo estadual. Não restou alternativa: ele lançou a candidatura para o senado com clara intenção de atrapalhar a eleição do velho e bom de voto João Alberto Capiberibe. O que Randolfe, e muito menos seus aliados esperavam, era que uma operação policial lhe abriria as portas do cenário político nacional. Foi o mais votado e no Senado destacou-se como um parlamentar combativo e intolerante com a corrupção. Randolfe Rodrigues até hoje tem sido estilingue. Vamos ver na hora que virar vidraça. Será que tem o telhado de vidro? Só uma eleição doméstica para responder essa pergunta.
Bem mais se os nomes são de fácil identificação, quais são os setores que podem verdadeiramente decidir essa eleição? A Prefeitura de Macapá (Psol), Santana (PTB), Laranjal do Jari (PP), Assembleia Legislativa e os Borges. Agora o que pensam esses e qual a tendência de apoio? Ai tem que ser conjectura pura.
Vejam bem: Clécio Luís, hoje prefeito da capital, conseguiu atrair para seu palanque figuras exponenciais da política amapaense. Lucas Barreto (PTB), Evandro Milhomem (PCdoB), Davi Alcolumbre (DEM), Jorge Amanajás (PPS) e no apagar das luzes o tiro de misericórdia na candidatura de Roberto Góes, o PSB. Bem, mas agora o papo é outro. Lucas Barreto e Jorge Amanajás podem ter outro rumo na eleição para Governo. Estes, e mais o Waldez, podem cerzir uma aliança com o patrocínio da Assembleia Legislativa, que deverá ter o retorno do deputado Moisés Souza na presidência da Casa e de Edinho Duarte na 1ª Secretaria. No terreno da PMM, a única certa é que Clécio fará de tudo e um pouco mais para eleger Randolfe Rodrigues ao Governo do Estado.
Moisés e Edinho precisam superar a determinação do Ministério Público que dorme e acorda querendo fulminar a pretensão de voltarem aos respectivos cargos (presidente e primeiro secretário) e se possível cassá-los. Se vão conseguir, isso é outra história. Em duas sessões do Pleno do Tribunal de Justiça, o MPE teve suas denúncias rejeitadas pelos respectivos relatores. Constantino Brahuna, que voltou ao desembargo e reassumiu sua cadeira, ocupada pela juíza Pini, e Gilberto Pinheiro, desembargador desde a implantação do Poder Judiciário o Amapaense (1991). Ambos votaram pela rejeição da denúncia alegando inépcia da denúncia do MPE, sustentam os juízes de segundo grau que a denúncia não está fundamentada de acordo com as exigências do Código Penal e que o processo investigatório deflagrado pelo MPE possui vício de origem insanável; ou seja, está tudo errado.
Se considerarmos que a Assembleia é uma Casa recheada de votos, a trinca Waldez, Lucas e Jorge, ou a dupla Jorge e Lucas, ou, ainda, a candidatura solo de Waldez, ou qualquer que seja a composição ungida pela Assembleia, será uma candidatura respeitada e com grande possibilidade de sair vitoriosa do pleito.
Se o Júnior Favacho ficar à frente da Assembleia, Acácio já está garantido à frente da Câmara Municipal de Macapá e o genro à frente da edilidade santanense, Francisca convencendo os Borges de que tem café no bule para brigar pelo posto do executivo é mais uma candidata forte nessa disputa que será um briga de titãs.
A família Borges entra nessa composição de fatores que podem influenciar o resultado da eleição para o governo. Primeiro tem um grande e respeitado poder de mídia; segundo ganhou a eleição municipal em Mazagão; terceiro a habilidade negocial de Geovani Borges somada à competência de Gilvan Borges como um grande estrategista político. Portanto esse potencial não pode ser negligenciado nem por aliados e muito menos por adversários. Mas assim como a candidatura de Francisca Favacho pode ser um fato, também pode ser apenas uma abstração e todos esses podem se unir numa outra candidatura. Qual? Gilvan Borges.
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Ainda falta entrar no jogo dois grandes colégios eleitorais: Laranjal do Jari e Santana. Laranjal elegeu o candidato da prefeita Euricélia Cardoso, Zequinha Madeireiro (PP). A ex-prefeita assumiu recentemente a Escola do legislativo e tem pretensões de ser Deputada Federal. Como já está dentro do contexto da ALAP, o candidato que a Casa acompanha deverá receber apoio daquele município. Mas e Santana? Bem, ai a porca torce o rabo. Robson Rocha, a exemplo de Clécio, teve apoio de todas as frentes políticas da esquerda de Randolfe Rodrigues, e da direita de José Sarney. Lucas Barreto do PTB esteve junto no processo e o partido está com um dedo na gestão de Robson, o professor Seabra assumiu a pasta da educação. Robson Rocha tem autonomia, porém, jamais irá dispensar os conselhos de uma velha raposa felpuda da política da terra de Sant'Ana: Rosemiro Rocha, preceptor da filha, a deputada Mira Rocha e do filho, ex-vereador e hoje prefeito.
Camilo Capiberibe não faz cerimônias e tão pouco esconde que Santana, ou melhor, os votos daquele município são fundamentais para suas pretensões. Lucas deverá cobrar apoio, mas quem vai recebê-lo? Lucas, Randolfe, Camilo, Waldez ou Francisca Favacho?
O Croupier do Cassino político do Amapá já rodou a roleta, apostem suas fichas e vamos continuar atentos, olhando com muita atenção os giros ficarem mais lentos e cada vez mais lentos, pois em 2014 pára e aí vamos ver quem ganhou o direito de administrar o orçamento estadual para o próximo quadriênio.



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