sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Reflexões - Precisamos libertar a nossa criatividade


Para resolvermos antigos problemas que afligem as pessoas que vivem nos dezesseis municípios do Estado do Amapá, todos (governos, empresas e cidadãos) precisam superar a grande dificuldade que há para se vencer a rotina do dia-a-dia e libertar a criatividade para encontrarmos outras possibilidades fora da "caixa de soluções padrões" já conhecidas.

Considerando o grande número de problemas existentes e a insuficiência dos recursos públicos, só nos resta uma solução: romper o cárcere da mesmice e usar da criatividade para fazer muito com pouco.

É o caso do problema do lixo, por exemplo. Olhado de forma criativa, pode ser uma solução para a criação de emprego e renda para a população mais carente de nossas cidades e para a pavimentação de vias públicas. Hoje é possível reciclar quase tudo. O lixo orgânico pode ser transformado em adubo para a agricultura, as latinhas amassadas viram lingotes de alumínio, os cacos de vidro voltam a ser garrafas de vidro, os papéis usados se transformam em papel reciclado, os restos de madeiras podem virar brinquedos educativos, as garrafas de plástico podem virar enfeites de natal, o lixo da construção civil (restos de tijolos, concreto e argamassa) pode pavimentar ramais na área rural e pequenas vias públicas nas cidades. Várias cidades brasileiras e estrangeiras já possuem seus centros e usinas de reciclagem.

Há iniciativas no mundo inteiro que podem nos indicar soluções criativas de menor custo para aumentar a nossa produção de hortaliças. A prefeitura de Nova York, nos Estados Unidos da América, criou subsídios para estimular moradores e empresas a plantarem hortas urbanas nos telhados de casas e prédios comerciais. Com tantos espaços ociosos nos nossos quintais, não seria interessante tal iniciativa por aqui? Nossas casas, prédios comerciais, feiras e órgãos públicos não poderiam ser construídos de forma que seus telhados pudessem servir para a produção de hortaliças? Nossas empresas não poderiam investir em hortas familiares no entorno dos municípios ou construir prédios na cidade só com lages para a plantação de hortaliças, diminuindo o desmatamento, os custos com transporte e criando empregos para nossos agricultores? Sob a coordenação e incentivo do Governo do Estado, cada município não poderia ter uma política nesse sentido, para ter sua própria produção de alimentos perto do mercado consumidor?

A nossa falta de energia constante poderia ser amenizada com uma política que incentivasse os cidadãos e empresas a colocarem painéis solares nos telhados de casas e prédios comerciais. Imagine quanta energia não seria economizada e produzida se os nossos prédios públicos e o Estádio Zerão tivessem placas de energia solar? Além de ajudar o meio ambiente, num futuro bem próximo o excedente da energia produzida nas casas ou prédios poderá ser transformada em renda ou crédito por meio do sistema smart grid (malha inteligente), pelo qual o excedente de energia produzido vai para a rede pública.

Como humanizar e democratizar o trânsito em nossas dezesseis cidades? Uma opção que diversas cidades no Brasil e no mundo estão fazendo é investir nas magrelas (bicicletas) como meio de transporte. Na Holanda, 45% dos trabalhadores usam bicicletas para ir trabalhar. As crianças também usam esse meio de transporte para ir à escola. Rio de Janeiro e São Paulo já têm kilômetros de ciclovias. Isso é possível acontecer nos nossos municípios? Claro que sim. Basta que os nossos governos implementem uma política que incentive o uso das magrelas, construindo ciclovias sinalizadas e seguras por toda a cidade. Outro passo é colocar, diretamente ou por meio de empresas, pontos de aluguel de bicicletas nos bairros da cidade, possibilitando o cidadão pegar uma bicicleta num bairro e devolvê-la em outro.

A reciclagem do lixo, as hortas urbanas, a produção de energia solar e o uso das magrelas são apenas algumas soluções "fora da caixa" espalhadas pelo mundo e precisamos aprender com elas, libertando a nossa criatividade para resolvermos de forma sustentável nossos problemas estruturais e sociais.

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