"O ciclismo foi algo que me complementou"
Fabiana Figueiredo
O Atleta de Ponta desta edição é um colecionador de troféus e medalhas, resultado das muitas conquistas que tem desde os 24 anos, quando começou a competir. Waldemir Pinheiro da Costa, 41 anos, lembra-se como iniciou a andar sobre as duas rodas, fala das dificuldades de se praticar o ciclismo no Amapá e da modalidade em si.
Quando ainda morava no Pará, aos 15 anos, Waldemir ganhou uma bicicleta de corrida de presente do pai, e, ao lado do irmão, começou a praticar o ciclismo, ainda como uma brincadeira. Anos mais tarde, participou do Circuito Cidade de Castanhal, em 1994, pontapé inicial para começar a competir. "Quando eu comecei a praticar o ciclismo não foi uma opção pelo ciclismo, as coisas como aconteceram que me levaram a praticar. Foi então que eu comecei aos poucos a me envolver, e cheguei a gostar muito até mesmo pra competir. Quando comecei, não pensei que ia chegar a tanto", enfatiza o atleta.
Em 1996, por causa de trabalho, mudou-se para o Amapá, e, já competindo, também contribui com o ciclismo amapaense. Neste Estado, com os treinos intensos, Waldemir conseguiu se destacar estadual e nacionalmente.
Sobre as conquistas de 2012, ele elenca: "Corri muitas provas, as mais conhecidas eu participei. Fui 2º lugar na 34ª Antônio Assmar, categoria 40 anos; Copa Brasil de Mountain Bike; IV Corrida Cidade de Macapá, 2º lugar, na elite local; campeão na XVI GP de Ciclismo Israel Freitas; 6º lugar na Copa Light de Ciclismo (RJ); XVII Prova Coronel Fontoura de Ciclismo; 63ª Prova Governador Dix-Sept Rosado, Rio Grande do Norte; 5º GP Rio Branco de Ciclismo; Campeão da categoria sub-elite no Campeonato Amapaense; e muitas outras", fechando o ano de 2012 em 3º lugar no Ranking Nacional, pela categoria 40-42 anos.
Sobre o ciclismo no Amapá, Waldemir afirma que é muito difícil permanecer na modalidade, pois não tem muitos incentivos, os materiais necessários são caros e, para se destacar, deve viajar bastante para as competições.
"O que, praticamente, trava o ciclismo aqui é que não temos bolsa-atleta. A maioria dos Estados, hoje, já ofertam bolsas; e no Amapá não tem. [...] Para quem tem dificuldade de viajar e de comprar material, praticar o ciclismo sem objetivo nenhum, para não ganhar nada, é muito difícil; e é o que leva muitos atletas que foram muito bons a pararem; ou você opta em trabalhar, ou pratica o esporte. [...] Pra crescer, a modalidade precisa disso, senão vai continuar essa realidade", justifica o ciclista Waldemir.
Apesar das dificuldades de se manter na modalidade, o atleta enfatiza os benefícios que a prática oferece: "Senti, que na prática da modalidade, tenho como objetivo uma atividade saudável, e, em companhia disso, me torno uma pessoa melhor; porque a prática de um esporte te traz além de uma vida mais saudável, uma vida mais tranquila, estável. [...] O ciclismo foi algo que me complementou". Waldemir também ressalta que hoje é um modelo para os atletas mais novos, por estar a tanto tempo no ciclismo e com qualidade; "acabamos sendo um modelo de perseverança na prática na modalidade".
"O ciclismo é feito em equipe; quando a gente pratica só, a dificuldade triplica", define Waldemir, lembrando que o trabalho para se chegar ao sucesso é feito em conjunto. Finalizando, o Atleta de Ponta convida à prática do esporte: "Venham participar com a gente. O ciclismo é uma modalidade muito boa e saudável. É a melhor prática aeróbica que existe, para você emagrecer; não te lesiona e é saudável".

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