
Sólon um dos maiores governantes gregos criador da democracia (poder do povo) foi também quem criou, no século VI, os "Boulé", um conselho que era composto por 400 homens acima de 30 anos e de conduta ilibada. Os membros do "Boulé" eram os responsáveis por discutirem os problemas da cidade.
Como funcionava o "Boulé" grego. Os homens eram escolhidos das diferentes classes e em suas atividades recepcionavam as reivindicações do povo e levavam ao governante para que fossem solucionados aqueles problemas, sempre com um bom conselho.
Na realidade esse modelo grego atravessou os séculos e hoje nossa democracia representativa, "mutatis mutandis" possui o seu "Boulé", composto pelos parlamentares que integram as Casas Legislativas. Congresso (Câmara e Senado), Assembleias e as Câmaras municipais. A diferença entre os conselhos é que a maioria dos homens e mulheres compõem os atuais Conselhos não possuem conduta ilibada e nem seus propósitos são republicanos.
Mas nos palácios dos poderes executivos ao invés de termos bons conselheiros, nossos governantes se cercam de áulicos, que por imaginarem e em muitos casos não sem razão, pensam que os governantes preferem a lisonja, o elogio barato a um conselho verdadeiro, embora este venha, num primeiro momento, ferir o ego do governante de plantão.
Esse comportamento abominável de homens e mulheres que vivem da lisonja e do elogio fácil ganha inclusive máximas populares do tipo: "é melhor puxar saco do que carroça." E ao analisarmos o contexto dentro dos palácios é mesmo. Os áulicos estão sempre prontos para disparar um galanteio que vá certeiro na vaidade do chefe.
São Tomás de Aquino alertava para os malefícios da lisonja. Dizia ele com sabedoria peculiar: "Eu afasto de mim o veneno da lisonja; não creio naquele que me elogia sem motivo; prefiro ouvir a crítica honesta que um galanteio vazio. A crítica sobre meus atos poderá trazer-me o alento de que necessito para corrigir-me. O elogio fácil me amolece e ilude. E nada existe de mais frágil que uma criatura iludida a seu próprio respeito."
São Tomas de Aquino não estava só em rebater os áulicos com energia. Uma passagem bíblica diz que o homem que lisonjeia o seu próximo estende uma rede sobre seus passos. O Marques de Maricá, filósofo e político brasileiro, nascido no Rio de Janeiro afirmava que a lisonja corrompe os bons e tornas os piores em maus. No busto do herói mexicano general Álvaro Oregon no Palácio Chapultepec, na cidade do México, está gravado "Não tenha medo dos inimigos que o atacam". Tenha medo dos amigos que o bajulam.
Governador Camilo Capiberibe, prefeito Clécio Luiz, presidente Acácio Favacho e Junior Favacho, prefeito Robson Rocha e todos os demais prefeitos Amapá à dentro, cuidado com os áulicos, eles podem lhes custar à carreira política. Eles não medem esforço para dar aquela palavra que vossas excelências queriam ouvir, mas nem sempre é a melhor para o momento.
A diferença entre o elogio e a bajulação é simples. Um é sincero e a outra é falsa. O elogio vem do coração a outra da boca pra fora. O elogio é altruísta; a outra egoísta. Governador Camilo Capiberibe o senhor deve está precisando de conselho, propositivos que possam levar-lhe a avançar no seu governo. Parceria governador, o resultado é bom pra todos. O povo sabe reconhecer aquele que lhe da melhor condição de vida. Não é só Macapá que está no buraco governador, o Amapá todo está nessa condição.
A política dentre os muitos conceitos um me agrada bastante. A política é a arte de conviver com os contrários. Nós precisamos ser maiores que a nossa vaidade. Precisamos nos despir da arrogância e a prepotência inerente aos incompetentes e estender as mãos para sairmos dessa desconfortável situação a qual se encontra nosso estado.
O Amapá virou a terra da esperteza. A terra dos negócios escusos e das ações que contrariam frontalmente a Constituição. O senhor governador se elegeu num momento de extrema vergonha para o Amapá. Nossas autoridades encarceradas, expostas na mídia nacional como corruptos. Sinceramente nem sei se são. A conclusão do processo deverá dar este veredicto, mas o senhor discursou e convenceu o povo de que seu governo faria diferente, seria a verdadeira mudança. Reflita governador: está sendo? Mudou mesmo o Amapá? Não basta só acusar os de fora do nosso ninho e necessário também que se olhe para dentro da nossa casa e verifique se as coisas estão acontecendo como o senhor imaginou que fosse. Cuidado com o áulico governador? O ex-prefeito Roberto Góes hoje deve lembrar-se daqueles que o cercavam e se derramavam de elogios e lhe colocaram na cadeia.
Quando fiz a retrospectiva de 2010 lembro que fiz uma crítica a gestão do presidente Moisés Souza. Disse naquele momento que sua gestão havia promovido a pacificação na Casa, mas que o ponto negativo era a verba indenizatória, um valor estratosférico. Fui chamado até a presença do presidente que reclamou da observação, retruquei que o povo é quem dizia. Hoje ele está afastado e tudo começou exatamente ali, onde foi alertado. Se tivesse ouvido o desfecho de seu mandato a frente da Assembleia talvez fosse outro. Mas quem gosta de crítica?
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