Judocas de ponta ganham Bolsa Atleta
por Fabiana Figueiredo
Esta semana, a coluna contará a história de dois atletas que este ano garantiram cada um, uma ajuda financeira através do Programa Bolsa Atleta, do Governo Federal. Júlio de Oliveira Vilhena, 17 anos, e Lilian Amaral dos Santos, 16 anos, são judocas pela Academia Ronildo Nobre, em Santana, um celeiro de onde nascem grandes atletas das artes marciais, e é considerada uma das melhores academias da região Norte e Nordeste do país.
Os atletas praticavam outros esportes antes de conheceram o judô, e foi através de um simples convite de amigos que iniciaram nessa jornada. Lílian praticava capoeira e conta como começou a praticar a arte marcial, ainda aos nove anos: "eu sabia que meu negócio não era isso. Uma colega me convidou para fazer judô com ela aqui [na academia R.N.], e vim. Eu treinava sem kimono, e em menos de uma semana eu comecei a competir. Gostei e falei pra minha mãe que ia continuar", conta Lílian.
Para Júlio, foi amor à primeira vista: "há 6 anos, eu já jogava futebol em escolinhas. Eu entrei por acaso, não imaginava que eu ia chegar tão longe. Um colega que já fazia judô me convidou para ver ele treinar, gostei e comecei a praticar também".
Eles ainda se recordam da primeira competição que cada um teve: "Minha primeira competição foi com 2 meses de judô, no Campeonato Amapaense de 2007. Fui campeão, e foi esse título que fez com que eu tivesse mais incentivo de continuar no judô", descreve Júlio. "Eu competi uma semana depois que entrei no esporte, fui apenas para pegar experiência; minha adversária era mais graduada que eu e ganhei dela, no Circuito Amapaense, foi o que me deu incentivo", afirmou Lílian.
Transformações puderam ser percebidas nos atletas, principalmente em Lílian que, segundo ela, não era comportada na rua, em casa e nem na escola. "Depois que entrei, veio à disciplina, a amizade com meus colegas e o respeito. Mudei muito meu comportamento na escola também".
Júlio afirma que "o judô me chamou mais atenção quando comecei a participar das competições e viajar". E assim foi: as viagens começaram a aparecer e, com eles, resultados de tanto esforço e dedicação. O judoca foi três vezes ao Campeonato Regional e é o atual campeão (2012); em 2011, fez sua primeira participação no Campeonato Brasileiro, onde garantiu o vice-campeonato e de onde ganhou a oportunidade da bolsa atleta; ele participou também dos Jogos Escolares Nacionais em 2011 e 2012, garantindo o bronze nas duas competições, pela Escola Estadual Barroso Tostes. Lílian começou a competir mais cedo: só de campeonatos regionais, ela elenca cinco (ouro em 2007, 2008, 2009, 2011 e 2012); de Campeonatos Brasileiros, em 2007, foi bronze, em 2008, ouro, em 2009, prata, em 2011 e 2012, bronze ("de tanto treino, eu fui à primeira campeã brasileira da academia", na edição de 2008); foi bronze nos Jogos Escolares de 2011, pela E. E. Everaldo Vasconcelos.
Em 2013, a dupla pretende "treinar e integrar a seleção brasileira. Assim que sair a bolsa, vamos ter uma ajuda maior com o nosso investimento, com o kimono e alimentação. Vai ajudar também nas nossas viagens", complementa Júlio.
Todo esse sucesso também teve o apoio da família. Júlio nunca foi impedido de praticar qualquer esporte; e Lílian tem ajuda da mãe. Apesar do esforço materno, a judoca ainda sente dificuldades de se manter no esporte por conta do patrocínio. Os dois chegaram a ficar desanimados com a demora da bolsa atleta. "A falta de patrocínio é o nosso maior obstáculo".
Desistência não está na veia destes dois atletas de ponta: "Uma coisa que eu sempre levo comigo: toda vez que eu me machuco, serve com que eu treine mais. Eu já não tinha mais vontade, mas agora vai ser melhor com essa bolsa. Vou treinar mais para representar bem o Amapá e o nosso clube", concluiu Lílian. "É uma emoção muito grande ganhar uma bolsa atleta. Eu estava triste pensando que a bolsa não ia chegar, até que chegou. Pensei em parar, mas não desisti. Quanto mais à gente pensa que o nosso sonho está longe, mais perto ele pode estar", finaliza Júlio.


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