segunda-feira, 4 de março de 2013

Artigo do Gato - Involução política amapaense


O Amapá involuiu e voltou a um período celebrizado na política brasileira como "coronelismo". Aonde o coronel de patente comprada fazia concessões de benesses aos seus compadres e afilhados que não eram poucos.

Estes estereótipos estão cada vez mais presentes neste Amapá Tucuju, com exparmos de consciência política, aliás, privilégio de pequenas parcelas da sociedade, verdadeiras ilhas de excelências, que habitam este Estado insular, separado do Continente brasileiro pelo rio Amazonas.  

O Amapá que teima em colocar a educação num plano terciário alimenta projetos familiares de poder que são erigidos sob o beneplácito da população ignorante e indigente culturalmente e falimentarmente.

Os miseráveis amapaenses com renda percapta de menos de R$ 70/mês quem ungiu essas verdadeiras dinastias. Esses programas de transferências de renda servem para duas coisas: primeira satisfazer o ego de um governo que se diz popular; segundo oferecer uma massa de manobra presa fácil para os neocapitalistas tucujú. 

Essa parcela de desafortunados amapaenses que se agiganta em números estatísticos, na realidade são uns mortos de fome de dignidade e de educação. Eles se contentam com as migalhas que escapam dos banquetes milionários de uma elite política que se perpetua no poder favorecidos por uma legislação eleitoral anacrônica e cheia de brechas. 

Esses projetos de poder reconheçam-se, não são ilegais. A legislação eleitoral lhes legitima, porém seus fins são imorais. Imorais por encontrarem na prática nefasta da compra de voto razão para seu sucesso. Esses miseráveis são manietados por pseudos líderes sociais que se encastelam em ONGs e conduzem a manada de eleitores para dentro de currais eleitorais com o fito de que esses coronéis vejam ungido o seu projeto de poder e depois retribuam seus "capitães do mato" com cargos e contratos graciosos.

Ninguém está, por lei, impedido de lançar parente e nem aderente a qualquer cargo eletivo, mas se não bastasse estarem em funções de mando espoliam os que lutam com toda a sorte de dificuldade para garantir seu espaço ao sol. Mandar só não basta. A consagração além do mandonismo é o aniquilamento dos adversários, prática comum dos regimes ditatoriais, vide Hugo Chaves na Venezuela e o Castrismo em Cuba.

O Amapá aderiu esse modelo tosco comum no sertão Nordestino do início da República e o coronelismo tucuju protagoniza uma guerra fratricida no campo político partidário entre famílias que querem participar do poder político neste Estado desgraçadamente atrasado. O pior do Brasil. A matéria da revista Veja que publicou o resultado de uma pesquisa do grupo "The Economist" sobre os rumos do capital externo no Brasil é quem atesta o que a pesquisa do IBGE já apontava. 12,5% da população macapaense é composta de miseráveis, seres humanos que vivem abaixo da linha da pobreza. Em números absolutos isso representa mais de 81 mil macapaenses. 

O Amapá possui uma saúde pública caótica, uma educação que os números do Exame Nacional de Ensino Médio (ENEM) nos empurra para o final da fila, Das 423 escolas públicas, apenas 73 participaram do ENEM, dessas, só nove foram ranqueadas. A violência explode na capital, inclusive cresce o crime de pistolagem, a agricultura há muito não consegue sequer colocar a farinha na mesa do cidadão, uma infraestrutura de estrada péssima, sem aeroporto digno e porto muito mais. Resta-nos o alento de sabermos que temos por generosidade da natureza um solo rico, com uma bela cobertura vegetal, uma fauna pesqueira poderosa e um subsolo fausto. Nossos mananciais hídricos são outra dádiva. Mas falta RH, ai reside nosso maior problema. A falta de competência dos gestores para transformar isso tudo em riqueza para a sociedade amapaense está espelhada numa cidade depauperada e um Estado onde a avaliação com do ambiente político foi considerado péssimo, pois a corrupção grassa solto no Estado.

Falta para o Amapá uma sociedade madura? Políticos com visão de estadista?

O Amapá precisa dar uma guinada para o alto e sair da trajetória vertiginosa que está velozmente nos conduzindo ao solo.

2014 é mais uma chance. A saída está nas vossas mãos. 

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