
Continuando a reflexão sobre os ' sinais que conduzem para Deus ", mesmo porque estamos no período da Quaresma e há necessidade, neste tempo, lembrarmo-nos do Criador e, por extensão, em seu Filho Jesus, o Cristo. Cuja Paixão celebraremos dia 29 deste mês. Neste artigo comentaremos e transcrevemos trechos da matéria publicada na revista Arautos do Evangelho, nº 133 de Janeiro de 22013.
O risco de perder a capacidade de meditar e refletir.
3 - A segunda palavra ( lembram-se da primeira - o mundo ? : o Homem. É sempre de Santo Agostinho a frase célebre com a qual diz " que Deus é mais íntimo de mim quando eu o seja de mim mesmo " ( cf. Confissões III, 6, 11 ). A partir disto ele formulou o convite: Não saias de ti mesmo, entra em ti mesmo: a verdade habita no homem interior ( De vera religione, 39, 72 ). Este é outro aspecto que corremos o risco de perder no mundo ruidoso e dispersivo no qual vivemos : a capacidade de refletir, de meditar em profundidade e de detectar aquela sede de infinito que trazemos no íntimo, que nos impele a ir além e nos remete para Alguém que a possa satisfazer. O Catecismo da Igreja Católica afirma : " Com a sua abertura à verdade e à beleza, com o seu sentido do bem moral, com a sua liberdade e a voz da sua consciência, com a sua ânsia de infinito e de felicidade, o Homem interroga-se sobre a existência de Deus ( nº 33 ).
Tinha ou tem razão Santo Agostinho na sua afirmação de que o Homem de hoje, fechado em si mesmo e tolhido pelas necessidades materiais, busca incessantemente satisfaze-las da melhor forma que convier aos seus propósitos e desígnios. Os meios não importam, o que vale é alcançar os objetivos. Aí, então, esquece de si mesmo, da sua qualidade de Criatura, parte de Deus e consagrado como membro da Família, por força da espiritualidade na irmanação com Jesus, o Filho de Deus, nosso Irmão.
Um Deus que fala e age na História.
4 - A terceira palavra : a Fé. Sobre tudo na realidade do nosso tempo, não devemos esquecer que um caminho ao conhecimento e ao encontro com Deus é a vida da Fé. Quem crê que está unido a Deus, está aberto a sua graça e à força da caridade. Assim a sua existência torna-se testemunho não de si mesmo, mas do Ressuscitado, e a sua Fé não teme mostrar-se na vida cotidiana, está aberta ao dialogo que expressa profunda amizade pelo caminho de cada Homem, e sabe dar esperança à necessidade de resgate, de felicidade e de futuro. De fato a Fé é encontro com Deus que fale e age na História e que coverte a nossa vida diária, transformando AA nossa mentalidade, juízos de valor, escolhas e ações concretas.Não é ilusão, fuga da realidade, refúgio cômodo, sentimentalismo, mas é participação de toda a vida e é anúncio do Evangelho, Boa-nova capaz de libertar o Homem todo. Um cristão e uma comunidade que sejam ativos e fiéis ao projeto de Deus que nos amou em primeiro lugar, constituem um caminho privilegiado para quantos vivem na indiferença e na dúvida a cerca da sua existência e ação. Contudo, isso exige que o testemunho da Fé de cada um se torne cada vez mais transparente, purificando a própria vida para que esteja em consonância com Cristo.
Hoje muitos tem uma concepção limitada da Fé cristã porque a identificam como um mero sistema de crenças e de valores, e não com a verdade de um Deus que Se revelou na História, desejoso de Se comunicar intimamente com o Homem, numa relação de amor com ele. Na realidade, como fundamento de toda a doutrina e valor está o evento do encontro do Homem com Deus, em Jesus, o Cristo. O Cristianismo, antes de uma moral ou de uma ética, é o acontecimento do amor, é o acolhimento da pessoa de Jesus. Por isso o cristão e as comunidades cristãs antes de tudo devem olhar e fazer olhar para Cristo, o verdadeiro Caminho que leva a Deus.
Eis, pois, amigos todos, minha contribuição cristã para uma reflexão profunda em busca da verdadeira identidade desta peça fundamental da Criação - o HOMEM.
Para reflexão semanal : " Só a Fé na vida eterna nos faz amar deveras a História e o presente, mas sem se prender, na liberdade do peregrino, que ama a Terra porque tem o coração no Céu " ( SS Bento XVI, o Emérito).
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