terça-feira, 5 de março de 2013

Editorial - Edição 347


O bom exemplo começa dentro de Casa

O governador Camilo Capiberibe é um doce, polido e muito bem educado. Com uma consciência política extrema. Conhece a antropologia, a sociologia, historia e a geopolítica mundial. Sabe o jovem governador que a vida na seara política sempre foi protagonizada pela disputa entre os contrários. Correntes ideológicas que se afastam, a princípio por defenderem teses diversas, porém, todo esse cabedal amealhado por Camilo Capiberibe ao longo dos seus 40 anos de vida deveria lhe permitir compreender que a oposição é importante para o balizamento das metas da situação.

A dialética permite aos governantes debates ideológicos profundos que buscam a convergência para uma solução dos problemas sociais e políticos da sociedade que promova o bem estar do conjunto dela.

Evidentemente que o governador Camilo Capiberibe e seus apoiadores têm seus adversários políticos. Mais isso não pode transbordar do campo ideológico e virar coisa pessoal. Os governantes que recentemente deixaram o poder pecaram pela hipocrisia. Falavam que estava tudo bem, batiam nas costas e depois esqueciam o que estava apalavrado. O grupo político que perdeu o poder de tão frouxo, de tanta falta de um pulso firme perdeu o controle. Governou uma "Medusa". Rédeas longas dificultam a equitação. 

Nesse grupo que está no poder, não há rédea longa, porém também não há sincronismo entre o cavalo e o cavaleiro. Eles não conversam. Cada um faz sua parte, de forma dicotômica o que prejudica o conjunto da obra. O governador Camilo Capiberibe, jovem, lido não pode ser avesso ao diálogo.

A empresa Amapá Serviço que trabalhou na gestão passada. Foi apenas mais uma das muitas que foram contratadas pelo Estado. O Executivo estadual outrora teve uma gestão corrupta, que extorquia empresários? Não há como afirmar, mas se uma pergunta for lançada ao vento sobre qual ainda não foi acossado pelos arautos da moralidade encastelados na gestão pública para lhe prestar "favores" que atire a primeira pedra. 

Se há pecado na relação da prestação de serviço da limpeza, higienização e conservação das unidades hospitalares do Estado não pode ser debitada na conta da empresa, mas também dela. As razões do envolvimento com corrupção é papel da polícia investigar, apurar, comprovar, passar ao Ministério Público que deve denunciar e o judiciário julgar se há culpa ou não. Não pode o Estado Democrático de Direito ser solenemente ignorado por um governo que se diz sério. Não pode a justiça servir de chacota pela cúpula do executivo estadual, por não cumprirem aquilo que o judiciário em duas esferas, federal e estadual entendeu ser direito.

Vamos moralizar a coisa pública. É o que a sociedade quer, mas aquele que se predispor a fazer isso deve fazer com isenção. Não adianta apregoar um discurso moralizador da boca pra fora se em seu intestino administrativo o direcionamento e o favorecimento está presente, como é o caso dos teratológicos contratos assinados com as empresas Bernacon, MCC Serrão, Bravha e Executiva. Não brinque de moralista, seja moralista. Não se faça de legalista, seja legal. Pois assim o seu governo terá moral para apontar os corruptos. O exemplo pra ser bom tem que começar em Casa governador Camilo Capiberibe.

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