É sempre assim: morre um filho da mão desnaturado e, como espécie de compensação, a mão de Deus também leva no mesmo dia o Chorão, roqueiro e skatista, ser humano acima de qualquer suspeita.
Se existe um Papai do Céu, Ele certamente tem lá suas razões para fazer com que Hugo Chavez o “Cholo” sofresse a sua via crucis na Venezuela. Coronel, tremendo fanfarrão, Hugo ensaiou uma arenga com Deus, alegando que venceria o câncer com a ajuda do moribundo Fidel. Cholo almejava o poder perpétuo a qualquer custo. Patenteou sua aventura de socialismo bolivariano.
Sentado em poços imensuráveis de petróleo, cutucando Tio Sam com vara curta, Chavez foi além da conta. Era amantíssimo amigo de Lula, Evo Morales e Fidel. Vai entrar para a história apenas com a grife ‘CHOLO’.
Vejam que o coronel bolivariano odiava ser chamado de ‘Cholo’, termo castelhano pejorativo que indica uma pessoa miscigenada, resultado da fusão de sangue negro com índio. Pelo asco à acepção, acho até que Hugo gostaria de ter nascido branco, louro, de olhos azuis.
Sinceramente, Hugo Chavez não merece lágrimas. Nem das carpideiras de Garanhuns. Convenhamos: Chavez fez uma reforma agrária melhor que a bagunça que o MST promove aqui no Brasil.
Ia-me esquecendo do Chorão. A ele, o meu sincero adeus, pois sou guitarrista. Em certa medida, sua contribuição foi inestimável para amenizar o estresse da juventude brasileira. Se ele morreu de overdose, a autópsia irá indicar. É melhor que morrer de desgosto.
A viga mestra da democracia é a liberdade de expressão. Muito antes de o homem conhecer o amor, ele foi apenas livre: para pensar, realizar e para divergir dos outros homens e mulheres.
Portanto, há quem admire Hugo Chavez - entre os quais não me incluo, não por ignorância e sim por convicção. Há quem tenha gostado da breve obra de Chorão, e faço parte dessa platéia, mas não ao ponto de ser tiete.
Há também sutil nuance entre tietagem e idolatria. O que foi edificado em torno de Hugo “Cholo” Chavez equivale à falsa aura de estadista tecida ao redor de Stálin e Hitler: o culto à personalidade.
Embora muitos achem que o bolivarianismo seja uma espécie de arremedo do socialismo - com o qual simpatizei em minha vida universitária na PUC Minas (Jornalismo 1981-1985). Mas, após amadurecer e vivenciar diversas experiências, cheguei à conclusão de que o capitalismo engendrado por Martin Luther é o que de melhor a raça humana produziu em termos de modelo de desenvolvimento.
A chama viva da liberdade consiste em criar, investir, construir e, obviamente, divergir. Vida longa à democracia brasileira e morte aos corruptos. Faço aqui uma aposta: Sarney é o próximo da minha extensa lista.
Como José de Ribamar sempre acendeu uma vela aos feiticeiros e outra ao diabo em pessoa, fica difícil prever se ele vai passará uma temporada no Purgatório.
Pelo conjunto da obra, tenho certeza que Zé Sarney ficará vagando eternamente numa espécie de Parlamento do Além. Entre muros de enxofre e merda, num macabro jogral, os corruptos e suas máfias irão saborear o azedume do repasto de canalhas.
Nenhum comentário:
Postar um comentário