A política é igual fogo de moinha. Você olha de longe, não vê nada, mas por dentro do monte o braseiro está ardendo. O silêncio não significa paz na guerra política, denota que os contendores estão traçando estratégias de ataque e contra ataque. Portanto, a belicosidade continua mais feroz do que nunca. No Amapá, a disputa política é igual a papel higiênico: ou tá enrolado ou tá usado e se usado, conclui-se que tá todo sujo de m....
Desculpe a falta de trato. Minha
decepção com o jeito de fazer política no Amapá é tamanha que a emoção me impõe
o desprezo pela polidez gramatical ao me reportar sobre essas contendas
políticas infindas. Essa revolta nos impele para o uso de uma linguagem chula,
tali quali o jeito de fazer política por aqui. Há exceções, raras, bem verdade,
mas há.
“Mes amis” no Amapá não há ânimo
serenado. A poeira não baixa. Quando as coisas parecem que vão caminhar por
águas calmas... “boom!”, mais uma bomba é detonada e o alvoroço é geral. Andam-se
por aqui como os israelenses e palestinos andam na “Faixa de Gaza,”
sobressaltados.
Desta feita, o burburinho recorrente
nas esquinas, bares, lanchonetes e corredores das repartições públicas é o
“famigerado” dossiê do Fran Júnior. Nele, Fran revela que no período do governo
Capiberibe 1999/2000 a Assembleia Legislativa recebia dinheiro por fora, ou
seja, além das verbas duodecimais para facilitar a vida do Poder Executivo no
Legislativo. No popular. É do Capi, aprova e não discute. Entenderam?
Bem, o mais grave da situação é
que Fran Júnior além de se declarar corrupto publicamente, mais uma vez, diz
que os deputados recebiam “jaraqui”, como ficou conhecido o mensalinho que o
ex-governador, segundo Fran Júnior, dava aos parlamentares. E o senador Randolfe
Rodrigues fazia parte dos mensaleiros. Ih! Foi anexado recibo supostamente
assinado pelo ex-deputado e atual senador Randolfe, o mesmo que foi signatário
do pedido de CPI para o Carlinhos Cachoeira “patrono” do esquema Cachoeira no
Congresso Nacional, que mandou a reputação do incorruptível Demóstenes Torres
para a lama.
Ao que parece, político da cepa
de Azevedo Costa, nosso querido VV, não vai mais surgir aqui no Amapá.
Tranquilo, Azevedo Costa foi pro limbo sem gritar. Sabe muito o Azevedo, viveu
o apogeu da política amapaense, foi o primeiro prefeito eleito do município de
Macapá, mas foi destratado, escorraçado da vida pública de forma injusta e
infame, tal qual monge tibetano, resolveu até agora guardar os acordos de
bastidores que revelam muito mais do que a miopia do povo.
Por outro lado, se a regra dos
acordos políticos feitos nos bastidores é quebrada e só alguns são empurrados
pro cadafalso, aí a máxima de que na política acordo é pra ser cumprido, perde
a eficácia, vira uma verdadeira “guerra de bugil”. Todos atiram “caca” em todos
e não sobra ninguém limpo, imaculado. Só não vale calúnia, difamação. Para
saber que a coisa é séria e que os culpados serão punidos, que façam as devidas
investigações, periciem os documentos apresentados. Não pode é tentar
desqualificar a denúncia usando o frágil argumento de que os acusadores não têm
honra para tal. Bandido também denuncia, ora, pois.
O povo, este sim, vítima de uma
política rancorosa, improdutiva, perfídiosa e de pouca luz, assiste catatônico
o Amapá ir de forma vertiginosa para o fundo do poço e ninguém ao que parece toma
atitude para interromper a queda livre. Ninguém percebe a inanição econômica, a
indigência produtiva de um Estado que sequer produz a farinha que vai pra mesa
do cidadão.
Mais uma vez estamos eviscerando
um corpo putrefato e que há muito já recebeu o diagnóstico de que não tem cura.
A política amapaense precisa ser reinventada. O maniqueísmo tucujus não permite
armistício, bandeira branca, união, harmonia em prol de algo maior, o povo do
Amapá, que vergonhosamente amarga uma destruição moral nos canais de
comunicação nacional. Somos o fona em tudo no Brasil, inclusive no futebol,
onde nem campo tem para realizar jogos oficiais. Fim da linha?

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