ATLETA
DO PASSADO
Leorimir de Moura Furtado - Ponteiro Direito
Reinaldo Coelho
Da Reportagem
Na década de 60, Macapá tinha em sua orla as peladas de fim
de tarde, na praia do Rio Amazonas, quando a garotada do bairro central se
encontrava com os do bairro do Igarapé das Mulheres e batiam bola na lama do
rio mar, quando da maré alta o futebol acontecia na praça localizada na frente
da residência governamental, essas são as recordações do nosso atleta do
passado Leorimir Furtado de como começou a praticar o futebol.
Constam também da memória desse grande jogador, as partidas
realizadas pelos Padres do PIME na Praça da Matriz (hoje Teatro das
Bacabeiras), quando se reuniam as equipes das paróquias. “Uma das exigências
era a obrigatoriedade de participar da Missa e só jogava quem tivesse um cartão
de autorização dos sacerdotes”.
Porém a trajetória no futebol de campo de Leorimir, que tem
outros grandes nomes na família, como o Leo e o Preto seus irmãos, começou aos
16 anos de idade na equipe do São José. “Em 1966, fui treinar no São José, mas,
a concorrência era muito grande, tínhamos muitos craques disputando a vaga de
titular, tinha que ser o melhor dos melhores. Eu fui reserva da equipe
principal. Em 1967, fui para o Ypiranga Clube já como titular. Nesse período
houve um lapso de tempo, para poder servir o Exército Brasileiro em Belém. No
meu retorno em 1969 voltei para o quadro do Ypiranga. Em 1971, enfileirei com a
equipe do Esporte Clube Macapá”.
Na equipe do Leão da Avenida FAB, Leorimir compôs na equipe
ao lado de Moacyr Banhos, Zequinha, Barradas, Aldemir França. “Em 72, fui para
o Amapá Clube e depois voltei para o Ypiranga. Mais um lapso de tempo na prática
do futebol desta vez, motivado pelos estudos. Fui para Recife (PE) fazer Licenciatura
em Matemática”.
Em 1978 encerrou a carreira no futebol amapaense. Porém tem
na bagagem um título de Campeão Estadual pelo Ypiranga Clube e diversos
vice-campeonatos. “Devido os números de horas em sala de aula não me restava
mais tempo para cumprir a agenda de treinamentos e manter a forma física. Mas,
até hoje jogo meu futebol. Em Uberlândia (MG) onde resido atualmente, participo
das equipes de veteranos, e aqui em Macapá que estou de férias e em visita a
familiares estarei disputando na AABB um torneio”.
Futebol amapaense hoje.
O Leorimir mesmo afastado do Estado do Amapá e residindo no
centro sul, onde acontecem os grandes eventos do futebol nacional e mundial,
analisa com decepção a atual situação do esporte local. “Estive ontem no
Estádio Glicério Marques, onde assistir o jogo dos Santos e Macapá e não gostei
do que vi. Tinha um ou dois jogadores que apresentaram bom desempenho e que
podiam ser um craque, mas nada que se iguale a da minha geração, que até no
banco eram bons. O papel do técnico naquela época era tentar melhorar alguns
pontos negativos, não precisávamos muito de técnicos, não”.
Com referência a vinda de atletas de fora do Estado, na opinião
do ponteiro direito é que eles viessem repassar conhecimentos e qualidade aos
nossos jovens jogadores. “Esse intercambio é bom quando vêm bons atletas e não
refugos de clubes perdedores. Temos um campeonato relâmpago. O torcedor tem que
ir três vezes ao estádio, e isso atrapalha arrecadação e tira o torcedor de
campo. Ontem foi para mim uma decepção, pois só tem um pedaço de arquibancada”.
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