O camaleão e a arte humana de mentir
Certos bichos são mestres na arte da camuflagem, o mais
famoso é o camaleão, que consegue alterar o pigmento da pele de acordo com o
ambiente ao seu redor e assim passar sem ser percebido. Ele é capaz de
assimilar a cor das folhas, tronco, chão, enfim, é um mago do disfarce. Entre
os humanos, esta habilidade pode ser percebida em vários espécimes que se
especializaram na cínica arte de fingir. Automaticamente quem finge engana,
trapaceia, passa para trás, e, acima de tudo, mente. Segundo a perícia
policial, o ato de mentir implica em um gestual perceptível, mas somente notado
por quem convive neste metiê. Fora isso, a mentira é um instrumento usado como
arma para driblar desavisados e costuma funcionar quando utilizada
magistralmente. Voltando ao reino animal, se o camaleão em seu habitat é o rei
do disfarce, certos indivíduos no mundo político são os reis da mentira. A
diferença entre o bicho e o homem é que o animal usa suas habilidades como
defesa, já o ser pensante, as usa para o ataque. Sustentam tão perfeitamente
suas fantasias que às vezes passam a acreditar nelas, sendo tão bons no que
fazem que chegam a manipular outros tantos.
O mentiroso é um doente capaz de
criar seu próprio mundo e personagem, que nada mais é que ele próprio.
Determinam características, comportamentos e até caráter quando não tem. Dizem
que uma mentira repetida várias vezes acaba virando verdade. Filosoficamente já
se falou que cada ser tem sua própria verdade. Mas, a questão aqui é a mentira.
A farsa na qual caímos há três anos. Não fomos capazes de perceber o camaleão
que se pigmentou conforme o meio. Ou o lobo sob a pele da ovelha, que ao chegar onde estava o rebanho revelou-se voraz e
faminto. De fato, fomos enganados pelo artifício da mentira sustentada até
hoje. Eles criaram um mundo próprio, fictício, só visto por poucos, enquanto a
realidade se revela para maioria. Cada qual assumiu um personagem e o mantém
vivo dia após dia. É tudo falso. Por trás das máscaras que sorriem, faces
horrendas.
Embaixo da ribalta cheia de luzes, nada mais que um palco erguido
sobre a lama. Apesar de tudo, o que resta é saber felizmente que todo
espetáculo acaba, não importa o número de atos.

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