Evandro Gama
Procurador da Fazenda Nacional
Especialista em Administração Pública
evandrocgama@bol.com.br
O que podemos aprender
com o Papa Francisco?
Durante sua passagem pelo
Brasil, na Jornada Mundial da Juventude, o Papa Francisco teve a sabedoria de
expressar pensamentos cujo alcance vão muito além das questões religiosas. Suas
falas são exemplos a serem seguidos pelas pessoas no seu desenvolvimento
individual, pelos profissionais, pelos cidadãos, pelos políticos e governantes;
enfim, por todos aqueles que querem praticar o bem independentemente da
religião, dos valores ou da ideologia política que seguem.
Na cerimônia de vigília, que
atraiu um público de mais de três milhões de pessoas, o Papa Francisco afirmou
que todos são construtores da Igreja e desafiou os jovens a serem
protagonistas, a não ficarem na fila da história, a não ficarem para trás.
Aconselhou-os a jogarem sempre na linha de frente - no ataque, a lutarem pela
construção de um mundo de paz, solidariedade e amor.
"Jesus não ficou preso
dentro de um casulo. Saiam do casulo. Saiam às ruas como fez Jesus". Esse
pensamento do Papa Francisco vale para todas as pessoas, independentemente da
idade: sejamos autores da nossa própria história.
Ao orientar os jovens a
lutarem por um mundo melhor, o Papa deixa claro que não há - como pensam alguns
- diferença entre a luta dos verdadeiros cristãos e a luta dos verdadeiros
cidadãos: "Peço que vocês também sejam protagonistas, superando a apatia e
oferecendo uma resposta cristã às inquietações sociais políticas que se colocam
em diversas questões do mundo".
No Teatro Municipal, no Rio,
num encontro com lideranças da sociedade civil, o Papa falou de improviso:
"O futuro exige hoje reabilitar a política, uma das formas mais altas de
caridade." O que significa essa afirmação?
No próprio discurso do Papa
no Teatro Municipal ficou claro o que ele quis dizer. Não há como construirmos
um futuro - em que "ninguém fique privado do necessário, e que a todos
sejam asseguradas dignidade, fraternidade e solidariedade" - sem que
façamos uma reabilitação da política no presente, isto é, hoje. Mas qual a
política que devemos reabilitar?
O próprio Pontífice dá o
caminho a ser trilhado. Devemos reabilitar a política como uma das formas mais
altas de caridade.
A caridade é doação, é
servir ao próximo sem esperar algo em troca, é servir pelo amor, por querer ajudar
as pessoas, principalmente aquelas que mais precisam.
"O futuro exige de nós
uma visão humanista da economia e uma política que realize cada vez mais e
melhor a participação das pessoas, evitando elitismos e erradicando a
pobreza", afirmou o Papa. Nós, cristãos e cidadãos, temos o dever de
escolher políticos e governantes com essa visão humanista, solidária e firme
nos valores éticos. Do contrário, não seremos construtores da Igreja e da
sociedade defendida pelo Papa Francisco. Seremos apenas mais um na fila da
história, assistindo inerte - nas palavras do Papa - o que, já no tempo do
profeta Amós, era muito forte na advertência de Deus: "Eles vendem o justo
por dinheiro, o indigente, por um par de sandálias; esmagam a cabeça dos fracos
no pó da terra e tornam a vida dos oprimidos impossível" (Am 2, 6-7).
Portanto, precisamos afastar
da vida política os vaidosos, os orgulhosos, os interesseiros, os mentirosos
que não cumprem a palavra, os políticos profissionais que fazem da política um
meio de vida, uma profissão. Da mesma forma, devemos afastar aqueles que acham
que o mundo gira em torno de suas famílias ou dos grupos que os bajulam, ou aqueles
que confundem a coisa pública com o seu patrimônio particular.
Por fim, devemos registrar
outra fala muito importante do Papa Francisco: "Entre
a indiferença egoísta e o protesto violento, há uma opção sempre possível: o
diálogo. O diálogo entre as gerações, o diálogo com o povo, a capacidade de dar
e receber, permanecendo abertos à verdade".
Com essa afirmação, o Papa
nos ensina a respeitar e a ouvir o outro, independentemente de suas crenças
religiosas e de suas ideologias políticas. Ele mostra que o mais importante é o
diálogo construtivo, voltado à construção de soluções que sejam boas para
todos. Numa entrevista foi enfático ao afirmar que as diversas religiões devem
dialogar e se unir para lutar por um mundo onde não existam crianças sem o que
comer e sem acesso à educação. Isso vale para os partidos políticos!
Que
o povo do Amapá comece a escolher governantes que sigam as orientações do Papa
Francisco! Só assim deixaremos para trás as conhecidas brigas entre famílias e
grupos pelo poder local, enquanto o povo fica chupando o dedo. Boa semana!


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