sexta-feira, 16 de agosto de 2013





Voo cego

Há 70 anos o Amapá foi desmembrado do Estado do Pará e à quase um século o que se constata por aqui é um crescimento quantitativo em detrimento do qualitativo. Quando se faz essa relação encontra-se uma desproporção entre o problema gerado por essa anomalia e o serviço que o Estado tem a obrigação de suportar em favor do cidadão.

À olhos desarmados é perceptível o crescimento da violência, aumento no déficit escolar entre os jovens, um déficit habitacional, de saneamento, saúde, produção de alimentos, e de produção de riqueza. Todas essas mazelas são inerentes ao crescimento das cidades. O crescimento geométrico da população versus o crescimento aritmético do Estado, exige do Poder Público uma estratégia mais eficaz no combate a essa desigualdade gritante.
O Amapá ganhou um “boom” populacional e um crescimento imensurável das cidades de Macapá, Santana, Porto Grande, Laranjal do Jarí e Oiapoque, principalmente. Mas, esbarramos na falta de dados científicos para o planejamento dos governos a fim de minimizar os problemas que estão no bojo desse crescimento.

Nossas administrações como eu detectam esses problemas. Não há nas afirmativas dos problemas nenhuma novidade, mas, o que é fato é que sabemos apenas que esses problemas se agigantaram o que não sabemos é apontar solução pra minimizá-lo e tão pouco apresentar dados seqüenciados e seguros, cientificamente comprovados do real tamanho desse problema. Vemos e sentimos os problemas, mas não sabemos quantificar e não tem no Estado quem faça isso, viramos então refém do “achismo”.
Nossas administrações fundadas meramente nos princípios políticos e assim transformam-se em verdadeiras colchas de retalhos, com sobressaltos. Essa inconstância no progresso social e econômico do Amapá, encontra justificativa na falta de planejamento que possa dar ao Estado um programa de governo, onde as metas de desenvolvimento nos mais variados setores da vida pública, estejam fundadas em dados científicos e não no “achismo” como se observa.
É evidente que qualquer planejamento precisa de elementos que subsidiem os técnicos, para traçarem planos que possam dar a resposta que a sociedade espera do Poder Público, mas o Amapá ignora isso, ou melhor, os governos têm ignorado essa ferramenta crucial para o sucesso de qualquer programa de governo.


A máxima de que “quem tem informação tem poder” tem servido apenas e tão somente de objeto de retórica. Os discursos feitos por nossas autoridades estão recheados de dados estatísticos apanhados por particulares ou pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, que colime dados para o planejamento do governo federal e não especificamente para esse ou aquele Estado da Federação, embora muitos, como o Amapá se conforma com esses que tem, por questões óbvias, caráter geral.

O Amapá faz um voo cego na administração pública. Não há em nosso Estado um planejamento onde nossas potencialidades estejam consagradas, nossas cidades na maioria não possuem plano diretor e as que têm, não os seguem por conveniência ou compadrio. A saída é um governador que não entre no Setentrião pensando na reeleição e que dê o pontapé inicial, para que o Amapá tenha definitivamente um zoneamento econômico onde o investidor saiba, quando e como pode fazer investimento do seu dinheiro. Um plano arrojado de incentivo fiscal para que o capital privado externo se sinta atraído a migrar para cá. Varrer a cultura do propinoduto e dê uma oportunidade ao Amapá para crescer quantitativa e qualitativamente. Podemos e sabemos fazer isso, basta vontade política e compromisso com a sociedade que elege suas “excelências!?”

Quer um bom começo? Crie o Instituto de Pesquisa do Estado do Amapá – IPEA.

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