A Educação no Estado do Amapá, onde conto o que eu não consegui quando garota e que desde 1945 foi implantadas as escolas neste rincão, onde houve uma evolução durante o governo Barcellos, um salto muito bom no governo Capi, no Waldez começou a parar e agora para minha tristeza está se acabando. A nossa educação no interior está uma calamidade publica e isso digo sem medo, pois sou fundadora do PSB, mas me doe o coração com a situação que está a educação agora" - Elza Lima e Silva - Professora aposentada.
Reinaldo Coelho
Da Reportagem
Uma mulher pequena mais que transmite coragem e ousadia, hoje com 74 anos de idade, nascida em São Tomé de Aporema, município de Tartarugalzinho, no dia 02 de agosto de 1939, filha de Domingas Ferreira Lima e Raimundo Fernandes Lima (Pará) agricultor é a nossa pioneira da semana. Ela é a professora Elza Lima e Silva, que até hoje se dedica a educação no Amapá, sofreu nas mãos da ditadura militar de 1964, porém nada a esmoreceu, nem o catástrofe que teve de administrar na perda de colegas no naufrágio no município de Oiapoque que vitimou quatro colegas professores quando se dirigiam a aldeia do Kumarumã, acompanhe essa belíssima pagina de nossa historia.
O avô paterno de Elza Lima e Silva era do Rio Grande do Norte e veio servir o Exercito em Belém do Pará, porém se rebelou contra o então governador paraense Magalhães Barata, que lhe impôs como castigo, ser comissário de Policia de Aporema nas terras do futuro Estado do Amapá, o velho caudilho não sabia que estava assim colaborando com o enraizamento de uma família que veria colaborar com a democracia amapaense. "Meu avó se deslocou com a esposa e dez filhos. Do Ver o Peso até Aporema foram 14 dias de canoa a vela", conta Elza Lima.
Na localidade Raimundo Fernandes Lima conheceu a nativa, Domingas Ferreira Lima que se casaram e dessa união nasceu a pioneira educacional Elza Lima e Silva. "Foi daí que a família Lima e Silva começou a se enraízar no futuro Estado do Amapá"
Até os 14 anos residiram em Aporema, seu pai um pequeno pecuarista se mudou para Tarturugalzinho - onde fizeram seus primeiros estudos, "Estudei na Escola Isolada do Lago Duas Bocas. Após o término das quatros series iniciais viemos para Macapá, onde fiz o exame de admissão ao ensino Ginasial e logo após a Escola Técnica de Comercio, me formando em Técnica em Contabilidade foi a primeira turma, onde teve como colegas Juarcy Freitas e o Savino. Para ajudar a manutenção da família em Macapá logo cedo começou a trabalhar e labutou na Casa Monte Líbano como vendedora, trabalhando nos dois turnos diurnos e estudava a noite.
Um encontro veio traçar a trajetória de jovem mulher, "Encontrei o Chefe Clodoaldo Nascimento, que trabalhava na Divisão de Educação do então Território Federal do Amapá, que era amigo de meu pai e me disse: Vá à Divisão de Educação fale como a Professora Deuzolina Farias, que me deu um contrato de professora, e passei atuar na Escola Riachuelo que funcionava no Sindicato dos Estivadores do Amapá e para minha surpresa ela me informou que eu seria a Diretora daquela escola. O salário era três vezes maior do que eu recebia no comercio, porém o desafio era grande".
E mais uma vez é colocado no caminho de Elza Lima e Silva uma pessoa que lhe daria apoio nessa nova caminhada. "O Professor João Guerra me orientou a fazer o curso Normal, que formava professora normalista, cursei o Pedagógico IETA e fui fazer o modular de Licenciatura Curta em Ciências e Matemática no Núcleo da UFPA. Foi quando passei a lecionar as séries terminais do então Ensino de 1º Grau.
Família
Um atropelamento ciclístico uniu duas pessoas por 50 anos. Elza narra que aos 22 anos de idade conheceu seu esposo Francisco Martins e Silva, o Pecó durante um passeio de bicicleta e na frente do Estádio Glicério Marques atropelou Pecó, foi amor a primeira vista e veio o casamento. "Nosso casamento durou até sua morte, foram 50 anos de convivência e nele geramos sete filhos, onze netos e não sei se tenho bisnetos".
Época de ditadura militar
Na década de 60, já implantada a ditadura militar no Brasil e o Amapá já era governado pelo General Ivanhoé Gonçalves Martins, foi criada pela então Prelazia de Macapá a paróquia Sagrado Coração de Jesus e que tinha uma escola com o mesmo nome. "Para se ter acesso a essa escola, tínhamos de atravessar um igarapé sob o tronco de dois buritizeiros. As duas salas de aula eram em chão batido, eu fui como diretora e professora de uma turma de quarto ano. Cumprindo essa missão fui designada para a Escola Gonçalves Dias em 73, para Escola Sebastiana Lenir em 1976, em 1980 fui diretora da Escola Dom Aristides Pirovano, trabalhei como vice nas Escolas Barão do Rio Branco, Escola José de Anchieta e por motivos de doenças na família fui alocada na Secretaria de Educação e Cultura, no Departamento de Ensino Supletivo, já no governo Annibal Barcellos".
Elza Lima e Silva narra que na época da ditadura no Brasil passou muitos trancos. "Fui presa na época do governo militar, por cinco dias na Fortaleza de São José, por que nunca me curvei a ninguém. Sempre fui militante do que é errado. A minha prisão de seu pela defesa que fiz do João Camarão, ele um dia estava com uma maquina de datilografia portátil, precursora do Note book de hoje, então disseram que ele tinha roubado essa máquina e prenderam o professor e fomos reclamar, fui afastada quase dois anos do serviço publico. Quando o General Ivanhoe Gonçalves Martins assumiu o governo do Território, um dia meu filho me pediu leite e não tinha e então peguei papel e lápis e escrevi uma carta desabafando contra a ditadura, dos ditadores e dos torturadores e protocolei no Palácio do Setentrião".
O resultado foi que o governador mandou chamar a professora Elza e lhe questionou: Foi você que fez isso aqui? Você está consciente do que escreveu? Você sabe que posso mandar lhe prender? Ela então respondeu: "Já vim pronta para isso pode chamar os guardas e me algemar. Ele retrucou dizendo Você é muito petulante, mais eu gosto da sua coragem, volte para a secretaria de Educação, que já mandei lhe reintegrar, voltei ao meu trabalho".
Núcleo Indígena
Logo em seguida Elza Lima e Silva, recebeu um convite do governador Barcellos para assumir a coordenação do recém criado Núcleo de Educação Indígena. "Fui convidada e aceitei com a cara e a coragem, pois não tínhamos referência de como funcionava esse departamento, tanto que fiquei um tempo sem nenhuma estrutura, trabalhava em uma cadeira na portaria e depois me deram uma sala e fui procurando a FUNAI, o então senador Darcy Ribeiro me ajudou muito para montar esse pioneiro órgão de trabalho juntos aos índios amapaenses".
Elza conta que tinha total apoio do governador Barcellos e que manteve contato com a equipe paraense que atuava no mesmo segmento. "Começamos a implantando a alfabetização indígena na língua materna, para resgatar a cultura indígena. Reuníamos com os caciques nas suas aldeias do Manga, Kuminê, Kumarumã, Kunanã e montamos um plano de trabalho e chegamos então a uma Cartilha".
Trauma
Um ano que os Dias das Mães foi tristeza. As equipes de professores que passaram a lecionar nas aldeias indígenas eram do Contrato Administrativo, foi realizado um Concurso Público em maio de 1984 que abriu vagas para esse segmento educacional, os professores que foram encaminhados as respectivas aldeias indígenas, quando aconteceu uma catástrofe com os professores designados para as aldeias de Oiapoque. Elza conta emocionada os fatos. "Antes do Oiapoque, já tinha acontecido uma acidente de carro no Amaparí, quando caíram em barranco de mais ou menos cinco metros de altura. Com referência ao Oiapoque, os professores aprovados foram designados para aquele município, Antonio Carlos, Marilene, Adalberto e Herculano e Guilherme iam para aldeia do Kumarum receberam suas passagens aéreas e saíram no dia cinco de maio e no dia seguinte recebi um telefonema da FUNAI me comunicando que a lancha que os levava tinha naufragado e que tinham alguns sobreviventes e quatro pessoas desaparecidas. A SEED não retornou os pedidos então procurei o deputado Miltão que me forneceu uma aeronave para chegar até a localidade. Foi acionada a Marinha, que enviou uma Corveta de Belém e foi encontrado um corpo que era da Professora Marilene e em seguida foi localizado dois professores sobreviventes num manguezal (Herculano e Adalberto) os outros dois até hoje não foram encontrados".
Realidade amapaense
Questionada sobre a atual situação política e social do Estado, a pioneira Elza nos olha e pergunta. Sinceridade? "Eu tinha muita esperança, pois a espinha dorsal de um governo seja ele qual for é EDUCAÇÃO, SAÚDE, SEGURANÇA E SANEAMENTO BÁSICO. Hoje, até estou escrevendo um livro, A Educação no Estado do Amapá, conta o que eu não consegui quando garota e que desde 1945 quando foram implantadas as escolas neste rincão, houve uma evolução durante o governo Barcellos, um salto muito bom no governo Capi, no Waldez começou a parar e agora para minha tristeza está se acabando. A nossa educação interior está calamidade publica e isso digo sem medo, pois sou fundadora do PSB, mas me doe o coração a situação que está a educação agora".
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