sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

EDITORIAL ----------------------------------------------------------------

O grito do povo e o silêncio do rei


Quantas vezes será necessário denunciar trazendo a público os desmandos pelos quais passam nosso povo ao procurar pela saúde pública? Quantos terão que morrer ou contrair uma infecção mais grave do que a doença que já tinha ao procurar o hospital em busca da cura, até que uma atitude seja tomada? O que será preciso fazer para ao menos amenizar tanto sofrimento? Até quando teremos que esperar? As perguntas são inúmeras e poderiam ir até o fim deste artigo. São exatamente estas indagações que o povo se faz hoje. Nossos hospitais se transformaram em depósitos de gente. 

Corredores, antes usados para dar acesso a consultórios, ambulatórios e enfermarias foram transformados nas próprias. Leitos são artigo de luxo enquanto pela falta de limpeza o que predomina é o lixo. 

Pacientes atendidos no chão, em cima de bancos, cadeiras de plástico, colchonetes. No dia a dia do caos, vale tudo. Profissionais dedicados em sua maioria, tendo em mãos uma estrutura falida e ultrapassada. Denúncias aos montes, fotografias, filmagens, matérias de jornal, rádio e tv mostram o que está acontecendo, mas da gestão o que tem como resposta é o silêncio. E um silêncio complacente e criminoso. Como calar diante de tudo isso? Mais uma pergunta. Como admitir que pessoas sejam tratadas desta forma? Outra. O que dizer de um paciente tuberculoso colocado no corredor junto aos outros e os colocando em risco de contágio? Mais outra.

Hoje, ir ao hospital público é ter a certeza de sair com outras doenças e sem o atendimento que se procurou. Esta é a crua realidade do povo que não pode sequer sonhar com um plano de saúde em hospitais particulares para onde correm os senhores da gestão quando sentem qualquer mal-estar. O povo, o "zé povinho", este sofre e não encontra aquela saúde de primeiro mundo mostrada na publicidade do governo que passa na televisão. Ela não passa de propaganda cara. Para ser mais exato, 28 milhões de reais, contrato apontado como irregular pelo Tribunal de Contas do Estado e mandado ser suspenso. Determinação descumprida até hoje pelo governador, que já provou não ter respeito por determinações de outros poderes.

Vale o que ele quer. O Amapá parece ser hoje uma ilha isolada que tem suas próprias leis criadas por seu imperador ou ditador, como preferem alguns. Ele parece estar acima de tudo e de todos. Só vê o que quer e ouve quem quer em seu mundo particular. 
Enquanto isso, no mundo real, o povo responde ao Ibope que divulgou o reflexo de tanta alienação administrativa. 73% de rejeição foi o percentual que veio das ruas, dos hospitais, das salas de aula, da insegurança dos bairros. Um sonoro não aos devaneios vindos do despreparo, que ao que tudo indica estão bem próximos do fim.     

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