sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

SAUDE EM FOCO

2013 NA SAÚDE: APELO À
PREVENÇÃO E REFLEXÃO DA REALIDADE


Marcado por questionamentos, manifestações populares e movimentação permanente da classe Médica, 2013 foi um ano de reflexão e análise da situação da saúde no Amapá, aliada à avaliação do modelo de assistência, do financiamento publico e dos desvios de rumo das prioridades. Para dar um enfoque jornalístico às analises, este articulista lançou mãos de temas variados, de dados estatísticos  e de fatos e dados fornecidos na legislação do SUS nos seus 25 nos de existência, além de seu conhecimento médico e epidemiológico. 
Uma característica marcante dos artigos publicados da coluna "Saúde em Foco" do Jornal "Tribuna Amapaense", foi o não apego exagerado à medicalização, a uma doença isolada, evitando sempre o curativo, enaltecendo a discussão da saúde coletiva e da promoção e prevenção dos agravos e riscos. Um dos temas nessa questão foi a abordagem das causas do câncer e dos alimentos funcionais que previnem as doenças crônico-degenerativas e reduzem o envelhecimento.
Como disse, contribuiu para esse direcionamento a formação em saúde publica do autor, Especialista em Epidemiologia pela UNIFAP/FIOCRUZ, em saúde complementar pela UFLA-MG (Fitoterapia) e na segurança publica pela FAMAP( Médico Legista, Pós-Graduando em Ciências Forenses). Fugi do corriqueiro, da centralização nas doenças e no hospital. Busquei mostrar a saúde como qualidade de vida, que evita agravos, que reduz riscos e previne as enfermidades. Tema nessa questão foi o emprego das terapias integrativas e complementares (Homeopatia, Fitoterapia, Massoterapia, Terapias Manuais, Quiropraxia) na prevenção dos portadores de deficiências físicas e nos idosos.
Falei da qualidade da comida, da água a ser consumida, do exercício e atividade física, da preservação do meio ambiente, da urbanização desordenada, da educação para a saúde. Enfoquei e dei pistas para a prevenção de patologias diversas, mostrando os fatores de risco de determinantes de doenças.  
Em alguns momentos os assuntos extrapolaram o campo da saúde e engrenaram  na avaliação do modelo econômico, das decisões políticas e na situação nacional e local  das questões mais discutidas e polêmicas. Uma delas foi o programa federal "Mais Médicos", que gerou controvérsias e embates de idéias e resultados com as entidades da classe médica. As analises mostraram que a situação atual da saúde está intrinsecamente relacionada com as medidas políticas, muitas contrárias a decisões discutidas por anos nos parlamentos, no Congresso, conferencias e audiências públicas. No nível local citamos o caso do CRTN que até hoje não foi regulamentado pela gestão estadual, apesar de executar uma política publica federal e prestar relevante serviço à saúde pública.
Não devemos analisar uma doença isolada, como resultado de um único fator biológico, mas relacioná-la ao conjunto complexo do processo saúde-doença que envolve múltiplos fatores determinantes, atenuantes e agravantes.
Um dos fatores agravantes, bastante enfocado em vários artigos, é a corrupção na saúde, a impobridade administrativa dos gestores, os desvios de recursos, os vícios das licitações. Para exemplificar enfoquei vários exemplos concretos que estão diante de nossos olhos. A obra paralisada a 10 anos do Hospital do Câncer ( hoje H. Metropolitano), as UBS paradas e sucateadas, sem perspectivas, devido a falência das Prefeituras, a inexistência de infraestrutura e leitos hospitalares nas unidades de referência em urgência e emergência ( HCA/PAI, Mãe Luzia, H. Emergência), resultado de processos e negociatas viciadas, licitações fraudulentas e de corrupção na condução dos recursos públicos. Contra isso escrevi o artigo inicial: "A voz das ruas e a contestação da representatividade".
Mas não fiquei apenas no trivial do protesto, na crítica vazia, na reclamação de imputar culpa aos gestores do passado. Emiti opiniões respaldadas em estudos científicos, em propostas viáveis, indiquei caminhos e sugestões de inovação e de  ampliação do acesso, como as várias vezes que enfoquei a questão da aplicação das terapias integrativas e complementares de saúde( Fitoterapia) e a valorização e regulamentação do CRTN. Fiz até a própria autocrítica quando gestor desse órgão no período 2011-2012, tendo desempenho considerado regular, impossibilitado de inovar diante da falta de apoio institucional e investimento no setor.
Enfim, como democrata, cristão, socialista, naturalista, com foco e vocação em humanidades, falei que os gritos, apelos e manifestações das ruas não chegaram aos gabinetes dos gestores, governantes, cargos públicos e políticos. Com o artigo falando do voto e da biometria como instrumentos de dominação e medidas inconstitucionais, defendi os milhares de cidadãos que tiveram seus títulos cancelados pela "justiça eleitoral", desrespeitando direitos e garantias fundamentais da cidadania, como saúde, educação, transporte, direito de ir e vir, retirada de documentos e ate o cartão do SUS.
Mas tudo isso que foi escrito não passaria de mera especulação, de elocrubações,  de palavras vazias, de discordância ideológica,  se o autor não fosse um agente publico , que esta diuturnamente diante dessas situações, constatando  in loco aquilo que observa em sua atuação profissional, fazendo suas colocações com base na ciência, nos conhecimentos técnicos, na experiência e nas reflexões sócio-político-filosóficas. Macapá, 11.12.13.

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