sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

PIONEIRISMO



"A família está desestruturada. Mas não é isso, é a formação de berço, da formação do caráter, do exemplo dos pais. A violência entre os casais é um mau exemplo para os filhos. A banalidade como é tratado o casamento leva os jovens a desvalorizar o viver bem em família. Os jovens em tenra idade fazem filhos por brincadeira sem responsabilidade social e colocam filhos no mundo que acabam se envolvendo com drogas e beberagem, no meio do crime" Seu Raimundo e dona Oneide Viana.


REINALDO COELHO
DA REPORTAGEM


Esta semana a editoria do Pioneirismo foi buscar um casal para contar sua historia no Bairro Paraíso, no município de Santana. Essa dupla de batalhadores completou dia 18 de janeiro de 2014, 50 anos de casados e até hoje se olham como namorados. Casal simpático dentro da faixa dos setenta anos, mais com força e vitalidade que muitos jovens não têm. Seu Raimundo e dona Oneide Viana mantêm unida uma família com mais de 30 pessoas, entre filhos, netos e bisnetos. "Criamos nossos filhos com uma base de respeito aos mais velhos e entre si, pois só assim poderíamos conviver em paz em um lar". Fez questão de destacar o patriarca dessa família.

Perguntado sobre sua vida seu Raimundo Viana narra que é uma história singular, porque eu não fiz arquitetura nem desenho industrial mais tem no quintal de sua residência na Rua Pedro I uma oficina de marcenaria onde fabrica portas e janelas para residência entre outras mobílias. "Eu estudei muito foi na vida da floresta e dos seringais. O que me levou a trabalhar com a marcenaria foi a arte. Hoje, a madeira é tão preciosa quanto um ouro ou um diamante por causa da devastação que o homem está fazendo na natureza. Se continuarmos do jeito que estamos, daqui a pouco a madeira não existirá mais. A Amazônia é a maior floresta tropical do mundo e, se nós humanos a destruirmos, sofreremos grandes conseqüências".

Nascidos no município de Gurupá (PA), no Rio Jaburu dos Alegres, o casal Raimundo Gomes Viana - 76 anos e Oneide da Silva Viana - 72 anos, filhos de agricultores e seringueiros se conheceram labutando nos seringais amazônicos desde sete anos de idade, trabalhavam riscando seringueira e no roçado da família. 
Após dois anos de se conhecerem se casaram, ela com 22 e ele com 26 anos de idade. "Morávamos um perto e íamos às festas e de lá partimos para o casamento em 18 de janeiro de 1964. Tivemos seis filhos, uma faleceu recentemente, são 12 netos e sete bisnetos".
Aos 34 anos de idade o casal chegou com os filhos ao então distrito de Santana, com objetivo de lhes dar condições de estudar e crescerem na vida. "O meu filho mais velho tinha sete anos de idade e na localidade não tinha escola para eles estudarem então partimos para dar-lhes essa oportunidade, pois a educação é o alimento do bom cidadão".

Acostumado a uma vida sofrida e com poucos resultados financeiros, a família Viana partiu para superar isso e no Amapá estava essa oportunidade. "Comecei a trabalhar como carpinteiro. Logo que aqui cheguei me empreguei em duas firmas com carteira assinada. Uma delas era do Rio de Janeiro que estava trabalhando por um convenia entre a ICOMI e a BRUMASA para na construção de 14 casa no staff da Vila Amazonas. Logo em seguida fui para uma empresa instalada na Ilha de Santana uma firma japonesa. Na própria ICOMI trabalhei na área portuária. Depois resolvi trabalhar como autônomo e passei dez anos construindo casa de madeira  dentro de Santana".

Paralelamente Dona Oneide da Silva Viana, criava os filhos e administrava o lar, pedalando uma máquina de costura, onde confeccionava roupas para fora e as próprias. "Trabalho em costura desde os 15 anos de idade até hoje. Foi assim que criamos nossos filhos, que graças a Deus, estudaram e hoje estão empregados, e ajudamos a criar os netos. Nossa família vive todos juntos. Existe uma união entre todos para todos crescerem".
Seu Raimundo Viana deixou um pouco o serviço de carpintaria e montou uma oficina de marcenaria no quintal da sua residência. "O trabalho é minha diversão, hoje trabalho no lado da minha casa".

Visão do momento presente

"Os políticos passam, uns fizeram alguma coisa pelo município, outros nada fizeram  e nos cidadão ficamos na esperança de que cada um que chega ao poder faça algo de bom para todos. Mais Santana desenvolveu muito desde que aqui chegamos, era distrito de Macapá depois foi transformado em município. Eu cheguei aqui em 1º de agosto de 1971, há 43 anos", narra Raimundo Viana

Dona Odete relata que a criação dos filhos foi sempre para respeitar os mais velhos, professores e colegas. "Isso vem desde os meus pais. Hoje os jovens estão usando drogas e bebidas, desrespeitos aos pais e professores. O mundo está de cabeça virada. Muito contribui o crescimento desordenado da população, que não recebe uma formação adequada e a altura do seu desenvolvimento. A família está desestruturada, a desculpa é que os pais trabalham fora. Mas não é isso é a formação de berço, da formação do caráter, do exemplo dos pais. A violência entre os casais é um mau exemplo para os filhos. A banalidade como é tratado o casamento leva os jovens a desvalorizar o viver bem em família. Os jovens em tenra idade fazem filhos por brincadeira sem responsabilidade social e colocam filhos no mundo que acabam se envolvendo com drogas e beberagem, no meio do crime".

Um comentário:

  1. Excelente esse reportagem desses dois guerreiros eles merecem todo nosso respeito, principalmente eu q nasci dessa pessoa q sempre me ensinou a ser uma pessoa digna.Parabens meus anjos do coração amamos vocês.

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