NARCISO
Randolfe racha o PSOL em nome de
sua vaidade em um mandato pessoal
Dissidências no Amapá dão conta de que fraudes foram palavra de ordem nos congressos do PSOL.
Em outros Estados como o Ceará, nome do senador é repudiado como indicação à Presidência da República
Passados três anos de sua posse como senador na mais conturbada das eleições estaduais do Amapá, Randolfe Rodrigues cada vez mais, dá provas de que está mais interessado em seu projeto pessoal do que defender os interesses de quem o elegeu.
Desde quando assumiu a cadeira na capital federal, o político filiado ao PSOL tratou de pegar carona levantando bandeiras de questões nacionais esquecendo o estado do qual saiu com uma votação expressiva graças a uma operação da Polícia Federal que mudou os rumos das eleições de 2010 e confundiu a opinião dos mais leigos na hora de ficar frente a frente com a urna.
O primeiro dos espetáculos protagonizados pelo senador foi se apresentar como candidato à presidência do Senado desafiando decanos da política como José Sarney e Renan Calheiros. Perdeu feio, mas conseguiu seus quinze segundos na frente dos fortes holofotes da imprensa nacional. Mas a síndrome de ribalta do político estava longe de ser acalmada.
Demóstenes Torres, uma raposa da política social jamais pensava em ser deposto do trono por um iniciante em Brasília, mas foi exatamente o que aconteceu. Torres veio ao Amapá trazido por Randolfe para discursar sobre moralidade, andou com ele a tira colo, ganhou abraços, afagos e elogios para logo depois ser seu maior desafeto.
Da noite para o dia, Randolfe se voltou contra o colega e o elegeu como vilão em seu conto de fadas em um espetáculo que buscou projetá-lo mais uma vez na frente dos holofotes globais do Jornal Nacional, Hoje, Bom dia Brasil e até do Fantástico. O experiente Demostenes estava no olho do furacão de uma CPI encabeçada pelo estreante senador da voz fina apelidado de Harry Potter pelos colegas do Senado. Ele, Torres, cairia em um curto espaço de tempo. Randolfe Rodrigues era agora o arauto da moralidade, com seus olhos ávidos a projetar seu mandato em nível nacional, o que faz com maestria. Já o Amapá nunca viu qualquer resultado de sua atuação.
Os arranhões em sua armadura reluzente de cavaleiro a combater a corrupção em meio a moinhos de vento vieram em seguida. Denúncias partidas do Amapá, Estado que lhe deu de presente o Senado e foi esquecido pelo senador davam conta do envolvimento dele em um esquema de propina paga por seu genitor político, João Alberto Capiberibe, na época em que este governava o Amapá e Randolfe era um político que começava carreira como deputado estadual eleito pelo PT. A quantia iria para a conta do então deputado em troca de apoio político dentro da Assembleia Legislativa, na época presidida por Fran Júnior, autor das denúncias. O valor do agrado era de R$ 20 mil mensais.
Farta documentação foi entregue ao Supremo Tribunal Federal, Procuradoria da República e Senado, com recibos onde a assinatura de Randolfe Rodrigues foi comprovada como verdadeira pelo renomado perito Ricardo Molina. Na tribuna do Senado, Rodrigues negou tudo, o que ocorreu antes do laudo pericial. Quebra de decoro? Até hoje não se teve uma resposta. A verdade é que no Amapá boa parte dos eleitores do senador se mostraram decepcionados chegando a pichar a palavra mensaleiro nos out doors colocados na cidade a mando do político para tentar amenizar o baque em sua imagem de bom menino.
De mãos dadas, ele e João Capiberibe, que tem em seu currículo o rótulo de primeiro senador do Brasil cassado por compra de votos foram às rádios chapa branca tentar diminuir o estrago causado pelas denúncias. Os argumentos usados tinham como foco a desqualificação do autor. Quanto a confirmação de caligrafia atestada por Ricardo Molina, nada foi dito. Capiberibe também não conseguiu ser convincente ao explicar a gravação em que aparece conversando com o deputado Jorge Salomão sobre pagamento de propina na AL. Depois disso, mudaram de estratégia e adotaram o silêncio total. O jargão popular diria que quem cala consente.
Síndrome de Narciso
A vaidade de Randolfe Rodrigues parece não conhecer limites. O foco dele agora é chegar ao topo da escadaria começando a escalada pelo último degrau. Seus minutos na mídia são usados para declarar que é candidato a Presidência da República. Para isso, ignorou crises abertas no PSOL começando pelo Ceará. Lá, o ex-presidente Renato Roseno que disputava a indicação preferiu retirar o nome em sinal de protesto depois que os delegados resolveram passar por cima das prévias. Para ele, "se atropelou a democracia". A corrente simpática ao ex-presidente do PSOL cearense declara repudiar Randolfe Rodrigues por seu histórico de alianças com partidos de direita no Amapá, tudo para eleger Clécio Luís, do mesmo partido, como prefeito de Macapá.
Randolfe parece não conhecer limites para conseguir o que lhe beneficiará. Suas alianças com o Democratas, de Davi Alcolumbre e o PTB, de Eduardo Seabra e na época de Lucas Barreto foi apenas uma, de suas peripércias políticas. Em seu Estado de origem, o senador é acusado também por seu partido de participar de fraudes nas prévias. Segundo a corrente dissidente, tudo foi uma grande armação que deu certo. Para os dissidentes, as plenárias de Macapá, Santana e Itaubal do Piririm foram "contaminadas" e não poderiam ser reconhecidas como legítimas.



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