sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

SAÚDE EM FOCO

MODELOS EXPLICATIVOS DO
PROCESSO DE SAÚDE, DOENÇA E CUIDADO


Ao longo da história humana as explicações e concepções sobre saúde, doença e cuidado determinou o aparecimento de modelos a serem adotados. Já comentei em artigo em 2013, sobre o modelo hegemônico no mundo- o biomédico--, baseado no Relatório Flexner, que originou o adotado pelo Brasil e maioria dos países ocidentais.
Vamos agora abordar as diferentes concepções que se complementam nos demais modelos, buscando mostrar os avanços e as limitações dos mesmos. Entre esses temos: o modelo mágico-religioso ou xamanístico; o modelo holístico; o modelo empírico-racional (hipocrático); e, finalmente, o modelo de medicina científica ocidental (biomédico).
Na visão mágico-religiosa, os povos da antiguidade concebiam as causas das doenças como derivadas tanto de elementos naturais como de espíritos sobrenaturais. O adoecer era concebido como uma transgressão de natureza individual e coletiva, sendo requeridos, para reatar o enlace com as os deuses a intermediação de sacerdotes, feiticeiros ou xamãs (Herzlich, 2004). As relações com o mundo natural se faziam numa dimensão sobrenatural e religiosa. Até hoje as comunidades indígenas e alguns aborígenes  adotam  esse modelo, que precedeu os demais e foi adotado pelos primórdios da humanidade.
Nas medicinas orientais como a hindu e a chinesa, uma das mais antigas, prevalece o modelo holístico, onde a compreensão de saúde é entendida como o equilíbrio entre os elementos e humores que compõem o organismo humano e a sua relação com o meio ambiente. A causa do desequilíbrio estava relacionada ao ambiente físico, tais como: os astros, o clima, os insetos etc. Na atualidade esse modelo ainda é adotado pela Medicina Tradicional Chinesa e pela Medicina Indiana ( Ayuvedica)
A explicação empírico-racional tem origem no Egito (3000 a.C.). É a tentativa de separar a medicina dos fatores religiosos e encontrar explicações não sobrenaturais para as origens da saúde e a doença. Hipócrates (século VI a.C.) é o maior destaque, que através de sua Teoria dos Humores, defendia que os elementos água, terra, fogo e ar estavam subjacentes à explicação sobre a saúde e a doença (Herzlich, 2004). Saúde, na concepção hipocrática, é resultado  do equilíbrio dos humores; a doença é resultante do desequilíbrio deles, e o cuidado depende de uma compreensão desses desequilíbrios para buscar atingir o equilíbrio. É uma explicação muito semelhante ao modelo holístico.
Como disse no começo, o modelo de medicina científica ocidental ou biomédica, predominante na atualidade, tem suas raízes vinculadas ao contexto do Renascimento e da Revolução Artístico-Cultural, que ocorreram a partir do século XVI. O Método científico de Descartes (séculos XVI e XVII) definiu as regras: tudo deve ser comprovado e ser repetido de maneira racional e não se deve aceitar como verdade nada que não possa ser identificado como tal.
       Nessa concepção está o modelo de ensino médico atual: fragmentado, superespecializado e até certo ponto distante do ambiente sócio-politico-econômico, extremamente dependente de uma parafernália tecnológica desprovida de interação afetivo-comportamental e de uma superestrutura física hospitalocêntrica e excessivamente capitalista.  
Fritjof Capra (1982) critica e define esse tipo de modelo como mecanicista, em que o homem é visto como corpo-máquina. A percepção do homem como máquina é datada historicamente com o advento do capitalismo, oriundo do Renascimento e consolidado com a Revolução Industrial. Foi quando surgiu a  teoria microbiana que propunha que cada doença teria por agente causal um organismo específico, que poderia ser identificado, isolado e ter suas características estudadas.
Diante dessas concepções, há necessidade na condução das políticas de saúde e da gestão adotar-se um modelo mais sistêmico, que engloba vários aspectos das várias visões descritas, abrangendo "um conjunto de elementos, de tal forma relacionados, que uma mudança no estado de qualquer elemento provoca mudança no estado dos demais elementos" (Roberts,1978 apud Almeida Filho; Rouquayrol, 2002).
Conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), saúde é o "estado de completo bem-estar físico, mental e social", passando de uma visão mecânica da saúde para uma visão abrangente e não estática do processo saúde-doença. A definição de saúde presente na Lei Orgânica de Saúde (LOS), n. 8.080, procura ir além da apresentada pela OMS, ao se mostrar mais ampla, pela explicitação dos fatores determinantes e condicionantes do processo saúde-doença. Daí a necessidade de se conhecê-la e colocar em pratica seus conceitos, o que é ignorado por muitos gestores e legisladores, que descartam os fatores determinantes e condicionantes, entre outros, a alimentação, a moradia, o saneamento básico, o meio ambiente, o trabalho, a renda, a educação, o transporte, o lazer, o acesso a bens e serviços essenciais; os níveis de saúde da população expressam a organização social e econômica do país (Brasil, 1990, Art. .&&&&&&&&&&Macapá-22.01.2014

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