sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

pioneirismo



"Eu fiz uma banquinha de madeira, solicitei uma licença da PMM para colocar uma bancada de revista e o banqueiro foi o Nena Leão ficava ao lado do Clip Bar em frente do Mercado Central. Depois tiramos a banca de fora do Mercado e instalamos dentro, era a maior e mais completa de Macapá. A segunda banca, a primeira de alumínio, foi instalada na Praça Veiga Cabral, onde tinha o terminal de transportes para Santana e ai foram disseminadas na cidade" - Francisco Assis Monteiro Leite - Empresário


Reinaldo Coelho

O Amapá é jovem, mais tem um acervo histórico fabuloso de homens e mulheres que construíram "na marra" esse torrão brasileiro. Em todos os segmentos sociais  recebeu a contribuição de seus filhos legítimos e de coração, do carvoeiro ao magistrado, do vendedor ao empresário e não poderíamos deixar de ir buscar o pioneiro Chico Leite, o proprietário da primeira revistaria de Macapá.


Zacarias Teixeira Leite e de Raimunda Monteiro Leite
Filho dos macapaenses Zacarias Teixeira Leite e de Raimunda Monteiro Leite, nascido em Belém, pois o seu genitor ali servia no 26º BC, e após se reformar  decidiu ir para Fortaleza (CE). "A preocupação de meu pai era com os estudos dos filhos. O problema era que tinha estourado a 2ª Guerra Mundial e a marinha alemã estava com seus submarinos na costa brasileira afundando navios dos aliados e a minha mãe preocupada com a segurança o convenceu a vir para Macapá e aguardar o fim da guerra. Em 1942, aqui chegando meus pais se estabeleceram e não voltamos mais".

Juventude

Os estudos foram iniciados em Macapá, na Escola Barão do Rio Branco e foi fazer o Ginasial em Belém. "Logo que cheguei a Belém cursei Datilografia e paralelo fiz um curso de Telegrafia. Por falta de recursos tive de retornar com a conclusão do ensino ginasial".

Porém, os cursos profissionalizantes lhe trouxeram a oportunidade de atuar como telegrafista para o governo do então território do Amapá. "O Serviço de Rádio e Telégrafo do governo era comandado pelo Norberto Penafort e estava instalado atrás do hoje, Museu Caetano da Silva. Por motivo políticos creio eu, recebi o comunicado que estava sendo transferidas para o Oiapoque, localidade na época inóspita e que recebia os degredados por Getúlio Vargas o navio passava em frente de Macapá eu não aceitei".

"Nunca fui militante, porém sempre estava envolvido nos movimentos estudantis. Meu pai era janarista eu não, eu gostava de ler, não tinha uma determinada linha ideológica eu não era comunista mais queria a liberdade".
Ele relembra que participou de algumas atividades estudantis. "Pertenci ao Grêmio Literário Ruy Barbosa do Colégio Amapaense e ajudei a construir o prédio do grêmio, ali na Rua Odilardo Silva com a Avenida Ernestino Borges".
Com a saída do governo mais uma vez utilizou a aprendizagem adquirida em Belém e foi para prefeitura trabalhar como datilógrafo onde ficou por mais de 17 anos. "Ocupei diversos cargos de chefia na PMM e mais uma vez a politica apareceu na minha trajetória. Por desentendimento com então prefeito Heitor Picanço fui exonerado e tive de partir para outra atividade, que foi ser autônomo, pois já tinha um filho e precisava educa-lo. Foi assim que cheguei a revistaria".

Família
Chico Leite com filhos, netos e bisnetos

Com menção ao casamento, o encontro com a futura esposa aconteceu, na quadra de festa da Piscina Territorial. "Eu me lembro de que estava na piscina territorial, isso era um domingo, quando chegou uma turma de moças entre elas estava Irandira Pontes. A segunda vez que a vi foi nas Casas Pernambucanas onde era caixa. Namoramos e noivamos por cinco anos e casamos em 1959".

Desta união de 52 anos, pois Dona Irandira Pontes Leite, faleceu em 02/08/2011, nasceram cinco filhos: Percy - Engenheiro; Nildo advogado; Tereza - Pedagogo; Suzanne - Ciências Contábeis e o Petri - Administração. Dessa geração já nasceram dezoito netos e três bisnetos. 

Empresário

O grande passo em direção do ramo empresarial de revistaria de Chico Leite aconteceu, devido sua exoneração de um cargo de confiança, onde perdeu mais de 50% do salario (Cr$ 1.500,00) e com um filho recém-nascido teve de optar por ser autônomo. "Sempre digo que o motivo maior foi meu filho, pois eu tinha um objetivo meus filhos receberiam uma boa educação. Eu já tinha percebido que aqui em Macapá era difícil encontrarmos revistas e jornais com facilidade. Eu optei em colocar uma venda revista. Então vendi joias, terrenos e uma armação de casa e consegui um capital então fui até Belém e procurei o distribuidor que já tinha revendedor aqui. Levou-me até o deposito e me mostrou umas revistas "passadas" e trouxe para Macapá".

Aqui chegando alugou uma "portinha" na Rua São José e colocou as revistas e logo estavam todas vendidas, era a sede do saber do macapaense. "Logo voltei e comprei outra remessa e tornou a esgotar. Logo o distribuidor percebeu e encontrou uma saída, usar uma terceira pessoa para enviar as revistas, aceitei. Porém, já estava em contato direto com as editoras no Rio de Janeiro e o Fernando Chinaglia distribuidor da Abril S/A naquela época, me aceitou como distribuidor, desde que eu fizesse um deposito financeiro e assim fiz, pois acreditava que isso seria meu futuro".
Chico Leite destaca que com a evolução comercial da cidade esse ramo já não satisfazia a necessidade empresarial dele. "Passei a vender eletrodomésticos e mais uma vez com a chegada de empresas grandes do varejo, com promoções de compra sem entrada, comecei a me afastar do mercado e fiquei somente com a distribuição".

A primeira
Clip Bar na frente do Mercado Central

E a primeira banca de revista foi por Chico Leite instalado ao lado do Bar O Clip em frente ao Mercado Central. "Eu fiz uma banquinha de madeira, pede licença da PMM para colocar uma bancada de revista e o banqueiro era o Nena Leão. Depois tiramos a banca de fora do Mercado e instalamos dentro era a maior e mais completa de Macapá. A segunda banca, a primeira de alumínio, foi instalada na Praça Veiga Cabral, onde tinha o terminal de transportes para Santana e ai foram disseminadas na cidade". 

Uma visão


"Criei meus filhos em uma situação difícil aqui, pois o curso superior tinha que ser fora do Estado, normalmente em Belém, procurei me antecipar, comprando um apartamento, porém, fui ludibriado e tive de alugar uma residência durante 16 anos e hoje os meus filhos estão todos formados. Agora os jovens tem tudo para estudar aqui e eu olho as ruas e veja que a maioria dos estudantes são mulheres, os homens estão dormindo sem fazer nada, se envolvendo com a droga e outros ilícitos. Teremos daqui alguns anos as mulheres ocupando cargos de alto relevo na sociedade e isso já começou. Daqui a 20 anos o emprego será da mulher e o homem será o marido da delegada, da juíza, da bancaria".


Um comentário:

  1. Solange N. Leite Sussuarana Batista7 de maio de 2015 às 13:45

    Que matéria linda! Sempre me orgulhei do meus tios Francisco Leite e Irandira. Me pportunizaram comm meu primrito emprego. Obrigada tio Parabéns pelo ser humano que é.

    ResponderExcluir

ARTIGO DO GATO - Amapá no protagonismo

 Amapá no protagonismo Por Roberto Gato  Desde sua criação em 1988, o Amapá nunca esteve tão bem colocado no cenário político nacional. Arri...