CONHECER OS PRINCÍPIOS BÁSICOS DA SAÚDE
E DA CURA: UM SALTO NA PRÁTICA MÉDICA
Em artigo anterior relacionei as várias concepções e princípios sobre os sistemas médicos e suas influências cultural, econômica e social. O sistema hegemônico no mundo é o sistema biomédico, praticado na maioria dos países do ocidente, com forte influência capitalista. Hoje vamos comentar quando as praticas terapêuticas, seja de qualquer profissão, são realizadas sem critérios e sem princípios fundamentais.
No Brasil uma intenção da saúde pública em dar uma dimensão mais realista e social ao modelo capitalista, racional e cartesiano atual, foi a incorporação no sistema de saúde oficial dos princípios do SUS e do conceito mais ampliado de saúde da OMS. Na maioria das especialidades os médicos passam toda a fase acadêmica (6 anos) sem ser ensinados sobre esses princípios. O recente programa "Mais Médicos" deu um treinamento relâmpago de apenas 15 dias aos médicos estrangeiros.
Nessa mesma perspectiva, o conhecimento dos princípios naturais e universais que norteiam a saúde e a aquisição das doenças, precisam ser ensinados, reconhecidos e aplicados. Saímos da Idade Média, inovamos nas artes, na filosofia e na industria, com o Renascimento, o Humanismo, o Iluminismo, a Revolução Industrial, mas parece que as concepções sobre a saúde humana e aquisição das doenças não avançaram. As sangrias, os vomitórios, os catárticos e o emprego dos minerais tóxicos continuam de maneira velada. E o pior, enriquecendo a indústria química e farmacêutica e alimentícia.
Conceitos e estudos mais realistas do mundo, da constituição humana, do ser saudável e do adoecer, dados pela Homeopatia, Antroposofia, Acupuntura e Fitoterapia, ainda não foram incorporados na formação, no currículo e nem na prática clínica dos profissionais da saúde. Servem apenas para os orientais (como China e Índia), como se não fossemos todos seres humanos, vivendo num mesmo planeta, sobre as mesmas pressões e influencias universais.
Apesar dos avanços significativos da ciência e da tecnologia, com a comunicação virtual, a internet, a robótica e a cibernética, a Medicina ainda permanece raciocinando com os métodos cartesianos e newtonianos. Ainda está pensando no modelo biologicista e reducionista de Louis Paster, que achou que descrevendo os micróbios estaria descobrindo e explicando a causa de todas as doenças, ignorando a susceptibilidade humana. Uma grande maioria da população do mundo, empobrecida e doentia, pela fome, baixa imunidade e falta de assistência, sofre para adquirir produtos industrializados, remédios e antibióticos caríssimos, mas permanecendo com uma frágil imunidade e sem possibilidade de adquirir uma alimentação saudável e água potável.
Qual seria então o papel do profissional da saúde nessa situação? Primeiro, ter conhecimento dos princípios naturais que norteiam a saúde, a cura e as doenças e depois tomar uma atitude e postura corajosa no exercício de sua profissão, como fizeram Hahnemann, Paracelso, Osvaldo Cruz, cujas medidas revolucionaram a Medicina e a saúde publica de sua época. Foram criticados por suas escolhas e medidas, mas os resultados são reconhecidos até hoje. Semelhante caso ocorreu na Idade Média, que foi o período sombrio da Fitoterapia, abandonada pelas escolas médicas e afastada do conhecimento popular, ficando restrita e escondida nos mosteiros da Igreja Católica, que felizmente guardou os conhecimentos.
Devido a formação puramente teórica e pouco investigativa, hoje os acadêmicos e universitários saem com um aprendizado bitolado ao "mesmismo" de tratar as doenças puramente pelos sintomas e aparências, sem avaliar as circunstâncias, a constituição física, a sucessibilidade inerente, a predisposição individual e o ambiente do doente. É nessa investigação e indagação intuitiva que encontramos explicações para a origem de muitas doenças e distúrbios, entre os quais a baixa imunidade e resistência orgânica debilitada. Não é espantoso dizer que muitos profissionais ignoram totalmente a constituição integral e holística do homem: mental, espiritual, emocional, física, a qual se acrescenta a dimensão energética (eletromagnética).
Não é exagero dizer que a Medicina Ortodoxa (Alopática, Convencional) criou uma sólida estrutura financeira, inércia institucional e fortes conexões políticas, mas mostra-se extremamente insuficiente em suas leis e princípios básicos. Recentemente, para se contrapor à essa deficiência, foi emitida a hipótese da "medicina baseada em evidências", com forte influência do mercado e da industria químico-farmacêutica multinacional.
A maior prova da falta de eficiência de muitos tratamentos é o crescimento progressivo da incidência e prevalência doenças crônico-degenerativas, auto-imunes e dos diversos cânceres, cuja teoria orto-molecular explica como resultantes do estresse oxidativo, ou melhor, da ação provocada pelos radicais livres, moléculas que se formam no metabolismo ou acrescentadas pela alimentação antinatural, desproteinizada e industrializada.
A maioria das drogas sintéticas de última geração contra essas doenças (artrites, doenças cardíacas, câncer e psicopatias, como a depressão) não se destinam à cura, mas são meramente paliativas, desde o longo processo de sua pesquisa até a prescrição final, sem falar dos graves efeitos colaterais, que mostram a reação do organismo debilitado à essas substâncias. Um verdadeiro afrontamento aos princípios da benevolência e da não maledicência, emitido por Hipocrates e que até hoje não foi incorporado pela Medicina.
Tudo isso mostra que o ensino médico, o sistema de saúde vigente e a postura das demais profissões da área da saúde, quando desconhecem, não possuem ou ignoram seus princípios e postulados, estão contrariando a ordem natural da saúde, desvirtuando a própria ciência e concorrendo para o sofrimento, debilidades, dependência e dominação daqueles que tratam. Daí o papel das escolas, das faculdades e universidades de dar um salto no aprendizado, fazendo uma verdadeira revolução na educação médica, visando formar não passadores de receitas, ventríloquos ou fantoches manipulados, mas profissionais de ciência, com princípios coerentes e postura condizente com os avanços das outras ciências e descobertas do conhecimento humano. Macapá-AP, 18.03.20.

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