CHÁ TRADICIONAL E CHÁ MEDICINAL:
QUAL A DIFERENÇA?
Estando fazendo uma revisão de minhas anotações sobre Fitoterapia e lendo um artigo na internet que fala dos benefícios do consumo de chás, veio a idéia de escrever este artigo no sentido de distinguir entre chá tradicional e chá medicinal.
Em países europeus (Inglaterra) e orientais ( China,Turquia e Japão) o consumo de chás de C. cinensis (chá-verde) é uma tradição cultural. No Brasil esse hábito ainda não está arraigado em nosso costume, como tomar café todos os dias, a não ser nos estados do sul que tomam rotineiramente o famoso chimarão, infusão feita de erva-mate (Ilex paraguaensis). Segundo pesquisa feita pela empresa Euromonitor, o consumo de chá quente, em sache ou a granel "cresceu 16% em entre 2009 e 2011 no Brasil". Foram listados o consumo em 52 países que consomem mais chás. "O consumo per capita pelos brasileiros é de apenas 8,5 xícaras. "Os turcos, por exemplo, consomem 1,6 mil xícaras de chá por pessoa". No entanto o artigo não fala do consumo de chás com a finalidade medicinal, pois os tradicionais são registrados como alimentos e não como fitoterápicos.
O chá é uma forma de extração aquosa de principio ativos feita com água fervente. Quando se despeja a água, previamente fervida, sobre a planta, tanto na forma fresca quanto na forma seca, temos o chá em infusão. Quando a planta é fervida junto com a água, temos a decocção. Porém, tomar um chá caseiro tradicional é bastante diferente de tomar um chá decorrente de uma prescrição médica.
O uso dos chás caseiros dispensa a prescrição médica, pois são registrados como alimentos e são comercializados em tavernas, armarinhos, farmácias, drogarias e até supermercados. Não são fiscalizados pelos Conselhos profissionais e nem controlados pela vigilância sanitária (ANVISA). Os chás medicinais, ao contrário, para serem comercializados nas farmácias de manipulação e ervanários exigem registro e notificação na ANVISA (RDC 14/2011), que exige vários tópicos de segurança para seu consumo e o seu enquadramento numa série de critérios que comprove a sua eficiência no distúrbio que se propõe tratar.
O preparo do chá medicinal possui algumas normas de manipulação e uso: a) ter conhecimento exato da planta e da parte a ser utilizada (flor, folha, semente, casca, entrecasca); b) ser preparado na dosagem exata; c) ter uma forma de preparo adequado para retirada dos princípios ativos (se infusão, decocção ou tisana); d) tempo de fervura da água; e) recipiente adequado para o preparo (porcelana, barro, aço inox são as vasilhas mais adequadas); f) horário exato para tomar, da mesma forma de um remédio sintético; g) o total preparado para beber deve ser 1 litro e deve ser consumido em 24h; h) não tomar chá medicinal que passou mais de 24hs na geladeira e não tomá-lo como se fosse água; i) saber a combinação certa das plantas nos chás compostos, que não devem ultrapassar 5 espécies.
Para obter os benefícios para a saúde os chás medicinais não devem conter substâncias estranhas, impurezas, fungos, mantendo os mesmos critérios de higiene e conservação de qualquer medicamento. Durante sua notificação, no órgão regulador, esses tópicos são mensurados, por meio de princípios científicos e medidas adequadas. O seu armazenamento nos locais de dispensação e distribuição devem adotar certos critérios de temperatura, umidade e poluentes.
Por tudo isso, duvidamos da segurança e eficácia dos remédios, mesmo que fitoterápicos, quando expostos a poluentes, calor, fumaça, umidade excessiva (favorece crescimento de fungos) e vendidos por ambulantes na beira de estradas e ruas ou expostos de maneira inadequada. O prejuízo será para o usuário que poderá não ter o efeito desejado e ainda contaminar o seu consumidor.
As farmácias de manipulação e os laboratórios oficiais possuem a autorização para manuseio e dispensação das drogas vegetais notificadas e dos fitoterápicos, que devem ter em seu quadro um Farmacêutico para a assistência ao consumidor.
O efeito terapêutico das plantas contidas tanto dos chás tradicionais quanto dos medicinais é comprovado por testes clínicos, como os efeitos antioxidantes e ativadores do metabolismo do chá verde, atuando na perda de peso, como o estudo feito pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (USP). O chá preto foi estudado pela University College London (Inglaterra) contra certos tipos de câncer e outras doenças degenerativas, devido a ação antioxidante dos flavonóides.
Para as diversas finalidades que se destinem os chás só terão os resultados esperados se forem orientados por profissional qualificado, comprado em local adequado, receitado do por quem conhece o seu efeito, consumido por quem já sabe o seu diagnóstico, tomado durante o tempo prescrito e na dosagem exata.
A Fitoterapia na atualidade está se consolidado como método terapêutico, porque seus critérios, preceitos e normas de uso estão sendo comprovados pela ciência, descobertos pelos laboratórios e estudados pelas Universidades e Centros de Pesquisa, alguns até financiados com dinheiro público, como o Laboratório de Farmanguinhos da FIOCRUZ, Laboratório de Fármacos da Universidade Federal do Amapá- UNIFAP e o Laboratório de Produção de Fitoterápicos do Instituto de Pesquisas Científica e Tecnológica do Estado do Amapá. Macapá-AP, 26.04.2014. JARBAS DE ATAÍDE.

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