sexta-feira, 16 de maio de 2014

ARTIGO DO GATO




O desgaste das Instituições públicas


Eu me esforço para estar minimamente informado e, a fórmula para isso é, óbvio, a leitura. Porém, meu irmão Reinaldo não deixa barato. Chego à minha mesa e sempre encontro um texto para ler, fruto de suas insistentes pesquisas na rede mundial de computadores, daquilo que ele depreende como importante para manter-me inteirado das coisas do cotidiano político, econômico, social e jurídico. Putz, na seara jurídica, a cada, dia fico mais crédulo de que a independência do Judiciário foi para alhures.
Na quarta-feira (14), encontrei o texto do pronunciamento do ator global Carlos Vereza e uma entrevista do traficante Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, um dos líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC). Vereza afirma, de forma categórica, que Lula é um ególatra e que ele, Lula, não medirá esforços para manter-se no PODER. Na análise do momento político que vivencia o País, Vereza apela para uma expressão usada nas discussões sobre política e religião, nas quais um dos interlocutores invoca Hitler (a chamada Lei de Godwin) para afirmar que teremos em 2014 a versão tupiniquim de ‘Kristallnacht’- A Noite dos Cristais - que marcou em 1938 o trágico início do Nazismo na Alemanha.

Lula e sua trupe se organizam com o que podem para convulsionar o Brasil e manter-se longe de uma discussão séria sobre os problemas da Nação. E aí fui novamente lendo com atenção e, por natural, trazendo o conteúdo desse magnífico ator brasileiro para o meu terreno. Chego à conclusão que o Amapá está no mesmo diapasão.

Vejam! O governador Camilo Capiberibe faz uma administração desastrosa, corrupta, onde a ausência de um programa de governo foi sentido ao longo de sua gestão. O Amapá já chegou ao colapso na saúde, na segurança, na educação, na habitação e nossa economia entrou em crise, com empresas como Coca-Cola, Dan Nestle, além de milhares de micro e pequenas negócios, fechando as portas. E nada acontece.
As Instituições Públicas responsáveis pela fiscalização silenciam quanto à obrigação de agir com altivez e independência. A Procuradora Geral do Ministério Público, Ivana Franco Cei e seus dois Pitbulls, Adauto Barbosa e Afonso Guimarães, não conseguem ver razão para colocar sob suspeição o Governo Estadual. E a Assembleia Legislativa está apequenada e amofinada pela forte pressão que o Ministério Público exerce sobre os parlamentares, com um festival de denúncias de prática de corrupção. Defesa só pelos cantos e em voz baixa, para que os argumentos não caiam nos ouvidos do MPE.
E a resistência midiática que se posiciona heroicamente na trincheira da oposição, divulgando e mostrando à sociedade a vida como ela é, e não da forma imaginária que os agentes da propaganda governamental pintam para o povo, são massacrados com uma enxurrada de ações judiciais, numa tentativa clara de amordaçá-los.

E ai, então, me vem o outro texto, a entrevista do traficante Marcola. O bandido afirma ao repórter de O Globo que ele faz parte de uma nova raça, a dos favelados milionários, que criaram uma Nação dentro da Nação brasileira, oficial e legal, e que eles não obedecem às leis do País, porque eles têm as suas próprias, que, aliás, ele aponta como sendo mais eficientes e menos burocráticas.

Vale à pena ler os ensinamentos de Marcola: “Na Favela tem cem mil homens-bomba. Estamos no centro do insolúvel, mesmo...Vocês no bem e eu no mal e, no meio, a fronteira da morte, a única fronteira. Já somos uma outra espécie, já somos outros bichos, diferentes de vocês. A morte pra vocês é um drama cristão numa cama, no ataque do coração. A morte pra nós é o presunto diário, desovado na vala” (...) A aula continua: “Você tem medo de morrer, porque você não pode entrar na cadeia e me matar, mas eu posso daqui de dentro mandar matar você e sua família. A cadeia é o nosso escritório”. Agora, fudeu, mano...e nós bancamos os caras e os direitos humanos defendem os “Marcolas”.


Essa concepção dos bandidos está presente no Amapá. O abandono e o distanciamento do Estado criaram esses “aliens”, e nós, cidadãos à mercê da falência das Instituições democráticas, que agem casuisticamente para a manutenção do ‘status quo’.

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