O desgaste das Instituições públicas
Eu me esforço para estar minimamente informado e, a fórmula
para isso é, óbvio, a leitura. Porém, meu irmão Reinaldo não deixa barato.
Chego à minha mesa e sempre encontro um texto para ler, fruto de suas
insistentes pesquisas na rede mundial de computadores, daquilo que ele
depreende como importante para manter-me inteirado das coisas do cotidiano
político, econômico, social e jurídico. Putz, na seara jurídica, a cada, dia
fico mais crédulo de que a independência do Judiciário foi para alhures.
Na quarta-feira (14), encontrei o texto do pronunciamento do
ator global Carlos Vereza e uma entrevista do traficante Marcos Willians Herbas
Camacho, o Marcola, um dos líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC). Vereza
afirma, de forma categórica, que Lula é um ególatra e que ele, Lula, não medirá
esforços para manter-se no PODER. Na análise do momento político que vivencia o
País, Vereza apela para uma expressão usada nas discussões sobre política e
religião, nas quais um dos interlocutores invoca Hitler (a chamada Lei de
Godwin) para afirmar que teremos em 2014 a versão tupiniquim de ‘Kristallnacht’-
A Noite dos Cristais - que marcou em 1938 o trágico início do Nazismo na
Alemanha.
Lula e sua trupe se organizam com o que podem para
convulsionar o Brasil e manter-se longe de uma discussão séria sobre os
problemas da Nação. E aí fui novamente lendo com atenção e, por natural,
trazendo o conteúdo desse magnífico ator brasileiro para o meu terreno. Chego à
conclusão que o Amapá está no mesmo diapasão.
Vejam! O governador Camilo Capiberibe faz uma administração
desastrosa, corrupta, onde a ausência de um programa de governo foi sentido ao
longo de sua gestão. O Amapá já chegou ao colapso na saúde, na segurança, na educação,
na habitação e nossa economia entrou em crise, com empresas como Coca-Cola, Dan
Nestle, além de milhares de micro e pequenas negócios, fechando as portas. E
nada acontece.
As Instituições Públicas responsáveis pela fiscalização
silenciam quanto à obrigação de agir com altivez e independência. A Procuradora
Geral do Ministério Público, Ivana Franco Cei e seus dois Pitbulls, Adauto
Barbosa e Afonso Guimarães, não conseguem ver razão para colocar sob suspeição
o Governo Estadual. E a Assembleia Legislativa está apequenada e amofinada pela
forte pressão que o Ministério Público exerce sobre os parlamentares, com um
festival de denúncias de prática de corrupção. Defesa só pelos cantos e em voz
baixa, para que os argumentos não caiam nos ouvidos do MPE.
E a resistência midiática que se posiciona heroicamente na
trincheira da oposição, divulgando e mostrando à sociedade a vida como ela é, e
não da forma imaginária que os agentes da propaganda governamental pintam para
o povo, são massacrados com uma enxurrada de ações judiciais, numa tentativa
clara de amordaçá-los.
E ai, então, me vem o outro texto, a entrevista do traficante
Marcola. O bandido afirma ao repórter de O Globo que ele faz parte de uma nova
raça, a dos favelados milionários, que criaram uma Nação dentro da Nação
brasileira, oficial e legal, e que eles não obedecem às leis do País, porque
eles têm as suas próprias, que, aliás, ele aponta como sendo mais eficientes e
menos burocráticas.
Vale à pena ler os ensinamentos de Marcola: “Na Favela tem
cem mil homens-bomba. Estamos no centro do insolúvel, mesmo...Vocês no bem e eu
no mal e, no meio, a fronteira da morte, a única fronteira. Já somos uma outra
espécie, já somos outros bichos, diferentes de vocês. A morte pra vocês é um
drama cristão numa cama, no ataque do coração. A morte pra nós é o presunto
diário, desovado na vala” (...) A aula continua: “Você tem medo de morrer,
porque você não pode entrar na cadeia e me matar, mas eu posso daqui de dentro
mandar matar você e sua família. A cadeia é o nosso escritório”. Agora, fudeu,
mano...e nós bancamos os caras e os direitos humanos defendem os “Marcolas”.
Essa concepção dos bandidos está presente no Amapá. O
abandono e o distanciamento do Estado criaram esses “aliens”, e nós, cidadãos à
mercê da falência das Instituições democráticas, que agem casuisticamente para a
manutenção do ‘status quo’.
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